sábado, 16 de julho de 2011

Em mais um local...

No espaço "COLUNISTAS" do site www.carlosjoliveira40.webnode.com.br você também pode acompanhar meus escritos.
Gostaria que eu abordasse alguma temática específica? Escreva para mim: dilvano_wb@hotmail.com

Abraço especial à minha amiga Rejane Eilert que também sempre me acompanha neste blog.
Obrigado!

Colunista no Jornal Itapuã

Partilho minha alegria de ser o mais novo colunista agora também do Jornal Itapuã.

Abraços!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Veja quem são os deputados 'fichas-sujas' que tomaram posse na Câmara

Três dos quatro deputados federais que tomaram posse na tarde desta quarta-feira (13) na Câmara dos Deputados estavam impedidos de assumir seus mandatos por conta da Lei da Ficha Limpa: Janete Capiberibe (PSB-AP), João Pizzolatti (PP-SC) e Magda Moffato (PTB-GO). Em março deste ano, o STF decidiu que a Lei da Ficha Limpa é constitucional, mas que não se aplicaria às eleições de 2010. Saiba quem são esses políticos.


Janete Capiberibe (PSB-AP)
Janete teve o mandato de deputada federal cassado em 2006. Ela e o marido – o ex-senador João Capiberibe (que pode voltar ao Senado beneficiado pela decisão do STF) foram acusados de comprar votos por R$26 na campanha de 2002. No ano passado, ela teve 28.147 votos e foi campeã do pleito para o cargo de deputado federal.

Marcivânia Flexa Rocha (PT-AP) é quem sai da Câmara para dar lugar à Janete.

João Pizzolatti (PP-SC)
Pizzolati foi barrado na Câmara por improbidade administrativo. O progressista era sócio de uma empresa que mantinha contatos com a prefeitura de Pomerode enquanto ele exercia o mandato de deputado federal.

O deputado foi o quinto mais votado em Santa Catarina nas últimas eleições, com 133.181 votos, praticamente 30 a mais que os de Odacir Zonta (103.965), agora primeiro suplente do partido.

Magda Moffato (PTB-GO)
Magda foi condenada por captação ilícita de sufrágio e abuso de poder econômico nas eleições municipais de 2004. Em 2007, ela teve o mandato de prefeita de Caldas Novas (GO) cassado.

Além disso, Moffato também é conhecida por não ser amiga dos animais. Ela já foi autuada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por manter animais silvestres em cativeiro e sem licença. Foram encontrados em uma suíte do Hotel Roma – de propriedade da deputada -, em Caldas Novas, quatro araras e um papagaio. Magda responde criminalmente por maus-tratos de animais, mantê-los em cativeiro, trabalhar com zoológico sem licença e ser considerada infiel depositária.

Magda Moffato é suplente do Delegado Waldir.

Nilson Leitão
Nilson Leitão, do PSDB, vai tomar o lugar de Ságuas Moraes, do PT. Com a contabilização dos votos de Leitão, a coligação do PT perdeu uma vaga para a coligação do PSDB. Ságuas obteve mais votos: 88.654 contra 70.958 de Leitão.

No Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e João Capiberibe (PSB-AP) também podem tomar posse.

Insubstituível

Na sala de reunião de uma multinacional o diretor nervoso fala com sua equipe de gestores.

Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um, ameaça: 
- "Ninguém é insubstituível". 

A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio.Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada. 
De repente um braço se levanta e o diretor se prepara para triturar o atrevido: 

- Alguma pergunta? 

- Tenho sim. 

-E Beethoven ? 

- Como? - o encara o diretor confuso. 

- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu Beethoven? 

Silêncio.....

O funcionário fala então: 

- Ouvi essa estória esses dias contada por um profissional que conheço e achei muito pertinente falar sobre isso. 

Afinal as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos, mas, no fundo continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar.

Quem substituiu Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Garrincha? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Pelé? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso? Zico? etc... 

Todos esses talentos marcaram a história fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem, ou seja, fizeram seu talento brilhar. E, portanto, são sim insubstituíveis.

Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa.

Está na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe focando no brilho de seus pontos fortes e não utilizando energia em reparar seus 'erros/ deficiências' . 

Ninguém lembra e nem quer saber se Beethoven era surdo, se Picasso era instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy egocêntrico, Elvis paranóico ... 

O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos. 

Cabe aos líderes de sua organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços em descobrir os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto.

Se seu gerente/coordenador , ainda está focado em 'melhorar as fraquezas' de sua equipe corre o risco de ser aquele tipo de líder/ técnico, que barraria Garrincha por ter as pernas tortas, Albert Einstein por ter notas baixas na escola, Beethoven por ser surdo. E na gestão dele o mundo teria perdido todos esses talentos. 

Seguindo este raciocínio, caso pudessem mudar o curso natural, os rios seriam retos não haveria montanha, nem lagoas nem cavernas, nem homens nem mulheres, nem sexo, nem chefes nem subordinados . . . apenas peças. 

Nunca me esqueço de quando o Zacarias dos Trapalhões 'foi pra outras moradas'.  Ao iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim: "Estamos todos muito tristes com a 'partida' de nosso irmão Zacarias... e hoje, para substituí-lo, chamamos:... . Ninguém ... pois nosso Zaca é insubstituível" 

Portanto nunca esqueça: Você é um talento único... com toda certeza ninguém te substituirá! 

"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo..., mas posso fazer alguma coisa. Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso." 

"No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é..., e outras..., que vão te odiar pelo mesmo motivo..., acostume-se a isso..., com muita paz de espírito. ..". 

É bom para refletir e se valorizar!

Igrejas precisam avaliar os prejuízos gerados pela exclusão das pessoas que vivem com AIDS

08/07/2011 - Em aula proferida nesta sexta-feira, 8, aos estudantes da linha de pesquisa HIV/AIDS do mestrado Profissional em Teologia da Faculdades EST, em São Leopoldo, o pastor anglicano da África do Sul, Mokgethi-Heath, disse que as igrejas não podem mais enxergar as pessoas que vivem com AIDS como pecadoras, mas focar o seu trabalho na tentativa de minimizar os prejuízos históricos gerados pelo pecado da exclusão.


Diretor executivo da Rede Internacional de Religiosos que Vivem com HIV (INERELA), Mokgethi ressaltou que as comunidades de fé enfrentam dificuldades em lidar com o HIV na medida em que não reconhecem o tema como um problema a ser enfrentado pelas igrejas, mas sim pelo campo da medicina e setores governamentais.

“Nas comunidades ainda prevalece o discurso de que ninguém ali vive com AIDS e de que essa é uma problemática distante do seio da igreja”, pontuou.

Portador do vírus HIV, o pastor sul-africano recordou que após sermão realizado na Namíbia no qual tratou sobre a temática, falando sobre sua própria condição, um grupo de jornalistas o aguardava na porta do templo. “Eles não queriam saber qual era o meu nome, mas sim como eu havia sido contaminado”, relatou Mokgethi, ao afirmar que o julgamento das pessoas em relação ao HIV sempre está relacionado ao sexo promíscuo.

Mokgethi relatou ainda o caso de um jovem pastor africano do qual foi exigido um parecer médico atestando que ele havia sido contaminado com o vírus HIV através de transfusão de sangue. “Somente com esse atestado ele seria considerado puro entre os membros da sua comunidade”, frisou.

Em Botswana, país da África Austral, o índice de pessoas infectadas pelo HIV chegou a 41% da população. “As pessoas morriam como moscas neste país de 2 milhões de habitantes”, disse Mokgethi, até que o governo decidiu oferecer tratamento gratuito de qualidade a todos os afligidos pela doença. Em decorrência do estigma, das 260 mil pessoas que precisavam de tratamento imediato naquele país, menos de 8 mil buscaram os postos de saúde. 

“Mesmo com todo o incentivo, as pessoas de Botswana continuavam morrendo e os remédios nas estantes perdiam a validade”, disse o palestrante. Hoje, 150 mil pessoas estão em tratamento neste país, que conseguiu diminuir consideravelmente os índices de infecção por HIV.

Com mais de 10 mil membros, INERELA é uma rede que conta com a presença de cristãos das Américas, Europa, Ásia e África.   

Foto: Da esquerda para a direita: a advogada Zanele Mbuyisa, a professora Dra. Valburga Streck e o pastor anglicano Mokgethi-Heath.

Jornalista Responsável:
 Micael Vier Behs

Fonte: 

Dilvano é um dos novos membros dos "Artitas Gaúchos"

Dilvano é um dos novos membros dos "Artistas Gaúchos" do site: http://artistasgauchos.com.br/

terça-feira, 12 de julho de 2011

Teste de sistema

Desculpe o transtorno!

Agosto é mês das vocações

Estou preparando para este blog e para o Jornal de Viamão textos que tratam desta temática.

Aguarde!
Enquanto isso...

Cristo Jesus, nosso irmão e amigo,
cumprimos a tua ordem de rezar,
para que tenhamos
sempre muitos e bons jovens líderes,
pais e educadores, 
religiosos e religiosas,
diáconos, padres e bispos.
"Manda operários à tua messe",
assim nos disseste. 
Precisamos deles.
Eles nos darão o ensino de tua palavra,
a alegria de tua presença,
o auxílio das tuas graças e
o estímulo para nossas vidas.
Reconhecemos que a semente da vocação,
que vem de Ti, exige de nós
que a cultivemos em nós,
na família, no grupo,
na comunidade e nos seminários.
Escutai-nos,
Cristo, por meio de tua e
nossa Mãe para a glória do teu nome
e para o nosso bem,
no tempo e na eternidade.
Amém. As vocações nos dás Maria Que do teu reino são penhor Dá-nos trabalho e tua benção, Ao nada une tua potência.

Se você quer mudanças...

Se você quer mudanças no seu exterior, comece por cultivar seu interior. Toda mudança deve começar dentro de nós. Com muita humildade e carinho faça esse exercício de olhar para si mesmo (a). Observe seus sentimentos, avalie seus pensamentos.  São Francisco de Sales por diversas vezes em seus escritos nos ensina isso. Você pode dizer que nunca poderá ser uma pessoa perfeita, eu concordo. Mas é possível ser uma pessoa melhor. É possível chegar perto da perfeição. Os exercícios salesianos nos ajudam a viver  de modo consciente na presença Deus. Desde o levantar até o deitar-se ou o acordar de madrugada. Pela manhã você pode acordar e pensar em Deus e fazer uma meditação, ler um texto bíblico ou de um santo ou santa e pegar uma frase que te tocou e repetir ela durante o dia no silêncio do teu coração. Você pode planejar suas atividades todas do dia que começa e imaginar tudo como vai ser. E se foi feito em oração e oferecido a Deus com amor é bem mais provável que tudo dará certo. Mas também a preparação do dia deve ajudar a se estar pronto (a) para os possíveis imprevistos. Por isso, é preciso também cultivar o desapego. Não ser tão rígido(a) diante da agenda e das situações. Acalme-se. Respire e trate tudo com carinho, suavidade e delicadeza. No começo é difícil sim, mas se cultivar tudo isso cada vez mais, aos poucos a docilidade e a amabilidade se tornarão naturais em você.
Dentro do propósito de viver sempre, de modo consciente, na presença amorosa de Deus, vale a pena cultivar outro ensinamento de São Francisco de Sales. Aqui me refiro a um “olhar para si” num modo mais qualificado através do exame de consciência: É o “pegar-se nas mãos”. A espiritualidade salesiana sugere dois momentos para o exame de consciência: ao meio dia e à noite, antes de dormir. Fazendo isso sempre e com o compromisso de tentar de verdade não repetir mais os comportamentos e palavras que causaram mal estar pessoal ou a terceiros, aos poucos poderá perceber em você o progresso de sua vida interior e quantos frutos aparecerão em seu exterior,  nas relações interpessoais, com as coisas e com o planeta.  Vale repetir que se comece pelas pequenas coisas. Vou lembrar um exemplo de um episódio da vida de São Francisco de Sales que pode ajudar.  A cena foi mais ou menos assim: Certa vez este santo estava num quartel e certo soldado soube da presença dele lá. Como tinha ouvido falar da fama de santidade de Francisco de Sales, foi até ele. Assim que entrou no lugar onde estava Francisco, o soldado fechou a porta batendo forte a mesma. Ele indagou Francisco: “Como faço para ser uma pessoa melhor?” Francisco de Sales respondeu: “Comece por não bater mais a porta”.  Tudo começa nas pequenas coisas. O contrário de virtude é vício. Procure cultivar virtudes. Elas vão deixar você uma pessoa melhor. E comece hoje, porque hoje é o dia de você ser feliz de verdade, porque foi para a felicidade que você foi planejado (a), amado (a) e querido (a) por Deus que é infinito amor!

Quer dedicar sua vida totalmente a Deus e ao povo? Que tal ser padre ou Irmão Oblato? Pense nisso. Contate conosco. Pode ser pelo meu e-mail/MSN: dilvano_wb@hotmail.com
** Meu Abraço salesiano vai para...
- Todos meus colegas Oblatos de São Francisco de Sales;
-Às  Irmãs Filhas de Maria Auxiliadora, FMA (salesianas) presentes aqui no sul do Brasil;
- Aos amigos e amigas que sempre rezam por nós e que pedem nossas orações.
Deus seja bendito!
Até o próxima texto!

* Este texto é publicado simultaneamente em minha coluna no Jornal de Viamão nas edições on-line e impressa.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ainda Espero o Verão Chegar

No calor da simplicidade, exclusiva para este blog: 
Poesia de Ir. Cristina, FMA


Tem dias que o orvalho escorre mudo no vidro
E a gente pensa que nunca mais haverá frio
E se poderá levantar a cabeça e sentir o cheiro do verde
O calor do sol no rosto pálido
O gosto doce do encanto livre

Eu ainda sonho com os dias de sol
Com a brisa envolvente do mar
E os noturnos passeios solitários de verão



Eu ainda sonho com as roupas leves e despojadas
O brilho do sol “madrugadeiro”
Com a maresia companheira
E o segredo da infância

Já se foram muitos verões
E ainda encontro a mesma companhia
O mesmo espaço apertado de silêncio
A mesma doçura cotidiana
O mesmo contentamento do coração que bate forte
A mesma saudade do mar...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Semana da Juventude de Viamão - 24 a 31 de julho de 2011

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEja0HFHPqUy0o95-vg_074Vbqb2fYoW_J1fgctmTTqrZyvHnaPiZpnn8S6YP85mcoXmSyORftdtta2UR9Appeh-BGo5MvfVDBpThT9PhCfvu7McdMtrzM6ThKrtlN638kFVLgQkYgQN3lQ/s200/bandeira+PJ.jpg
Já estamos preparando a Semana da Juventude de Viamão 2011!  E já estão sabendo das datas e do tema? Não?! Abaixo já explico.
Primeiro eu gostaria de dizer: peço o apoio de todas as pessoas ,  dos setores e instituições da sociedade de Viamão, inclusive em ajuda financeira em prol dessa Semana da juventude. Enviem-me e-mail demonstrando interesse e orientarei a melhor forma de ajudar!

E, alô juventude! Vamos agendar a data e programação de nosso núcleo? Ou seja, Núcleo Santa Isabel e Santa Cruz (Vila Santa Cecília) Anotem aí: 24 a 31 de julho. Vai iniciar com a celebração eucarística (missa) na Praça Santa Isabel, ás 17h.

E olha só o tema da Semana da Juventude de Viamão: O encontro pessoal com Cristo. Muito legal, né? Vai ser uma semana muito marcante em nossas vidas. Estamos (os orientadores: Dilvano, OSFS e Padre. Paulo, CP e os assessores: Taís Góes e Lucas Espíndola) preparando tudo com muito carinho para vocês!
Olhem só as sub-temáticas para os encontros da semana:

24 – domingo:  Inicia com a missa ás 17h na Praça da Santa Isabel (Abertura da semana).

25 – Segunda: Tomé: Estamos aqui por quê?
26 – Terça: Zaqueu: Quem sou eu?
27 – Quarta: Samaritana: Quem é Jesus?
28 – Quinta: Escolha dos Doze: somos chamados para...
29- Sexta: Saulo/Paulo:  Homem-mulher novo(a), juventude renovada
30- Sábado: O jovem rico: Para seguir Jesus, o que devo fazer?

Do dia 25 até o dia 30, como vocês notaram, teremos encontros todas as noites e o horário de início será  ás 19h30. Já agendem. Combinado?

31 - domingo: Encerramento da Semana com Missa de na Praça Santa Isabel – 17h
Pessoal, por enquanto é isso. Fiquem atent@s às novidades no BLOG: juvencontro.blogspot.com
Podem enviar materiais que vocês acharem bom publicar no blog: textos, avisos, fotos e etc...

E vejam que notícia para 2013! CNBB: Juventude será mais uma vez abordada como tema da Campanha da Fraternidade 2013. Isso mesmo: Fraternidade e Juventude. Este será o tema da Campanha da Fraternidade de 2013. A escolha foi feita dia 15 de julho, pelo Conselho Episcopal Pastoral.


Meu abraço salesiano dessa semana vai para...
Leandro, nobre e competente cabeleireiro da Av. Liberdade – Santa Isabel, fiel leitor desta coluna;
Zoé, querida amiga e pra sua neta Juliana por seu aniversário de 15 anos neste mês de junho;
Ir. Ires Dalle (Scalabriniana),  por seus 60 anos de vida Religiosa Consagrada;
Ao amigo e companheiro José Salustiano da Comunidade Santa Rosa de Lima - Jari;
A todos os acadêmicos da ESTEF, por mais um semestre que vencemos juntos;
Ao vereador Romer  (PSOL) pela amizade, acolhida e janta carinhosa em sua casa.
Abraços à tod@s!
Até semana que vem!
*Quer patrocinar esta coluna? Contatos no meu e-mal: dilvano_wb@hotmail.com

sábado, 18 de junho de 2011

Futebol e religião

Parece mentira, mas foi verdade. E como já existe uma distância do fato,  escreverei sobre. No dia 1°/Abr/2010, o elenco do Santos,  foi a uma instituição que abriga trinta e quatro pessoas. O objetivo era distribuir ovos de Páscoa para crianças e adolescentes, a maioria com paralisia cerebral.
Ocorreu que boa parte dos atletas não saiu do ônibus que os levou.
Entre estes, Robinho (26a), Neymar (18a), Ganso (21a), Fábio Costa (32a), Durval (29a), Léo  (24a), Marquinhos (28a) e André (19a), todos ídolos muito aguardados.
O motivo teria sido religioso. A instituição era o Lar Espírita Mensageiros da Luz, de Santos-SP, cujo lema é “Assistência à Paralisia Cerebral”.
Visivelmente constrangido, o técnico Dorival Jr. tentou convencer o grupo a participar da ação de caridade. Posteriormente, o Santos informou que os jogadores não entraram no local simplesmente porque não quiseram.   Dentro da instituição, os outros jogadores participaram da doação dos 600 ovos, entre eles, Felipe (22a), Edu Dracena (29a), Arouca (23a), Pará (24a) e Wesley (22a), que conversaram e brincaram com as crianças.

No Brasil, futebol é religião

Os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa.
Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso, cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar  nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.
A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, e mesmo em certos tabus e códigos morais de cada tradição de fé.  A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e cada uma das tradições de fé.

Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno; ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo; ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião. Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião. Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.
O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância. A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai.
E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixem de existir enquanto outros e se tornem iguais aos membros do seu grupo, ou pelo extermínio através do assassinato “em nome de Deus”, ou melhor, em nome de um deus, com “d” minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.
Mas, quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz.
Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, faz com que os discordantes no mundo das crenças se dêem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.

Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina,  ou pelo menos deveria ensinar, você colabora para que ela cumpra seu papel de libertação e não de alienação. Aí você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia mental.
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Meu abraço salesiano dessa semana ...
- Ao Sr. Antonio Guarapari, com gratidão pela ajuda recebida num passado não muito distante;
- O especial casal de amigos: Volnei e Romildes Bonatto, e o filho Guilherme;
- Daniela Flores, Everton e Elen, amigos de toda hora;
- Ir. Cristina Schorck, FMA, amiga e poeta.
Dica de site para quem gosta de automobilismo: http://espacoautomobilistico.webnode.com.br/
Quer patrocinar esta coluna? Contatos no meu e-mail.
Abraços e até semana que vem!

TESE DE MESTRADO NA USP POR UM PSICÓLOGO


'O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE'

'Fingi ser gari por  1 mês e vivi como um ser invisível'

Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da
'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas
enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado
sob esse critério, vira mera sombra social.

Plínio Delphino, Diário de São Paulo.
O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou
um mês como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo.
Ali,constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres
invisíveis; sem nome'.
Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição
de sua vida:

'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode
significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o
pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano.
'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz.
No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço.
Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro.
Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.
Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central.
Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo
andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu.
Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angústia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.
E depois de um mês trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.
E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está
inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais.
Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa.
Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.
Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe.
Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo
nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.

*Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida!

terça-feira, 14 de junho de 2011

A Teologia do Resgate

O presente escrito quer mostrar em três capítulos, a questão do sacrificialismo. No primeiro, tentar-se-á analisar a questão do sofrimento na visão popular e mesmo na pregação eclesial antes do Vat II. Ou seja, como a teologia pré Vat II teve grande influxo na religiosidade popular, aqui o estudo vem apresentado num mesmo bloco. Para este estudo não se usará propriamente uma pesquisa científica, mas coloca-se aquilo que diariamente é experimentado, no trato com as comunidades eclesiais. Por isto, este capítulo poderá ser enriquecido com as colaborações dos colegas. O segundo capítulo tratará, de forma breve, das causas e conseqüências de uma visão viciada do sofrimento. No terceiro capítulo será apresentado um pequeno trabalho bíblico sobre a questão do sofrimento de Jesus, da cruz dos discípulos e da morte como resgate (Mc 10,45b). Sendo que a pesquisa feita para a tese ainda está em fase embrionária, convém dizer que o trabalho teológico sobre o sofrimento e o resgate aqui apresentado, não reflete necessariamente o que será desenvolvido na tese.

Quando aqui se fala de sacrificialismo e sofrimento, não se quer fazer um estudo teológico de todo e qualquer sofrimento. Não se quer trabalhar o sofrimento oriundo de causas da natureza humana, de certas doenças que podem acometer as pessoas, ou mesmo falhas genéticas que já trazem um ser humano ao mundo com deficiência, sem que para tanto tenha havido culpa de certas pessoas. Neste trabalho, se tem em mente o sofrimento provocado pela maldade humana e mesmo a postura das pessoas diante do sofrimento, seja ele provocado, ou espontâneo, como no caso da cruz de Jesus e dos discípulos, que, segundo certa visão que aqui se quer provar, não é fruto de um fatalismo histórico, mas sim, fruto das estruturas sociais, políticas, econômicas e religiosas.


I - O SOFRIMENTO ANTES DO VAT II E NA RELIGIOSIDADE POPULAR

1 - Na realidade popular

Muitas vezes, na religiosidade popular, e até certo ponto, na pregação oficial da Igreja, principalmente antes do Vat.II, está bem presente a idéia do sacrifício, num sentido masoquista, ou seja, julga-se bom castigar o corpo. O castigo do corpo é visto de maneira mítica, como maneira de domar o demônio que tenta os sentidos, ou domar as próprias paixões. O sofrimento causado para si próprio parece ter valor redentor.

Certa mãe de família sulista (agricultora) assumiu um compromisso de, na safra da uva não comer um único fruto para assim atrair as bênçãos de Deus sobre seus filhos. Outra pessoa fazia constantes promessas de jejuns. Geralmente, uma vez por mês se comprometia a jejuar desde o almoço de sábado até domingo de noite. Em procissões populares, muitas pessoas caminham descalças, esfolando seus pés até sangrarem. Alguns fanáticos chegaram a se crucificar nas sextas-feiras santas. Uma mãe foi se lamentar com um sacerdote, dizendo que o marido bebia, o filho se drogara e a filha, ainda menor engravidara. O sacerdote respondeu: "Calma filha, esta é a cruz que Deus reservou para você. Aceite-a. Este mundo é mesmo um vale de lágrimas". Um sacerdote ensinava, no Estado do Paraná, que, ao sofrer uma contrariedade, deve-se louvar a Deus, pois um Bendito seja Deus nas adversidades, vale mais que mil Benditos quando tudo vai bem. O líder nacional da Assembléia de Deus, Pastor Bezerra da Costa declarou: "Cada brasileiro que se converte à Assembléia de Deus é um sem-terra a menos, pois não queremos a terra, mas o céu" (Jornal do Brasil, 30.09.97, p.9). Uma pessoa beata, numa roda de amigos dizia: "Por que Deus não me deixou morrer quando eu ainda era criança? Estaria agora com ele." Casos como estes são conhecidos de todos. Tudo isto leva a questionar: que Deus é cultuado pelos cristãos, que gosta tanto do seu sofrer?

Parece que o sofrimento corporal, seja ele oriundo de privações, seja de auto-flagelações, ou de injustiças sofridas, tem um valor diante de Deus, ou ainda, o pecador se sente tão inútil, asqueroso, e , para aplacar a ira de Deus, precisa se mutilar. Deus, um ser superior, todo santo, lá das alturas, não se apieda do ser humano, pois este lhe causa repugnância. Somente quando este se humilha, se fere ou se priva, consegue atrair o olhar do Todo-Poderoso e obter misericórdia.

Esta visão, no mínimo, traz duas deficiências:

1) O desprezo do corpo, como lugar de pecado, de concupiscência. O corpo deve ser castigado para ser agradável a Deus. Com tais idéias, passa-se a não lutar contra o sofrimento, a não valorizar a vida.
2) A imagem de um Deus tirano que quer o sofrimento de sua criatura. Um Deus que não entende as limitações do ser humano e por isto fica distante. Só diante do sofrimento livremente assumido pelo penitente, Deus se comove. É um Deus sádico. Este Deus criou o mundo para o homem e a mulher, mas se sente ofendido quando eles usam daquilo que criou. Esta visão legitima os tiranos e opressores de todos os tempos.


2 - Teologia pré-Vat II e popular do sofrimento

Jesus é o modelo máximo do sofrimento. Sofrendo ele enfrentou este mundo como o Vale de Lágrimas para redimir a todos os que vivem neste mesmo vale. Na piedade popular, muitas vezes, se lê a vida de Jesus e de Maria, pela chave do sofrimento. Este sofrimento inicia no nascimento na gruta e culmina na cruz. Maria é a mulher das dores e Jesus o homem das dores. A dor e a morte de Jesus, segundo esta compreensão, estavam pre-escritas no Antigo Testamento (Is 52,13-53,12). Jesus veio para padecer a morte de cruz que para ele estava preparada. Desde toda eternidade o Pai havia reservado morte sangrenta para seu filho.

Quando a Igreja canonizava seus santos, ou quando queria ressaltar as virtudes de seus eleitos, geralmente o sofrimento era a página preferida a destacar. Aqueles que sofreram tribulações em sua carne, a dilaceração, eram considerados os maiores heróis. E quando a dor chegou ao máximo, isto é, quando o santo derramou seu sangue, foi brutalmente assassinado, então, como culto à dor, ele merecia maior louvor. Canoniza-se, não tanto pelos valores que este santo viveu e defendeu até com a doação de sua vida, mas porque suportou a dor.

Como meio de disciplinar seus fiéis, recorria-se muito ao sofrimento, como jejuns, abstinência de carne, mortificações, etc. Para os casais cristãos até o prazer sexual era visto como indigno, tanto assim que a igreja chegou a recomendar a seus fiéis o sexo para a procriação, mas que não tivesse o prazer. Deviam fazê-lo rapidamente, sem carinho ou excitação. O casamento, antes de ser vocação, era visto como remédio contra a fornicação. Desta forma, o jejum, a abstinência e as mortificações perdiam seu verdadeiro sentido bíblico de lembrar que tudo é criatura e que só Deus é absoluto, ou lembrar que tudo vem de Deus e que deve-se solidarizar com os irmãos e as irmãs que se vêem privados de tudo. As mortificações nada mais eram do que a busca da dor.

Na vida religiosa, que era vista como fuga do mundo, o sofrimento era procurado como remédio para realizar a fuga com êxito. Assim, além dos jejuns e outros tipos de mortificações, havia, em muitas ordens e congregações, o flagelo (chicote para se auto-flagelar) e o cilício (espécie de cinto com pontas usado por baixo da roupa para ferir a pele). São Francisco de Assis se atirou na roseira para acalmar as paixões.

Casos como estes de penalizações do próprio corpo são comuns ainda hoje na mentalidade popular e também na teologia oficial.

Na piedade popular, falam alto as imagens e ícones que apresentam um Jesus desfigurado, sangrando e desfalecido. Maria com o filho morto em seus braços é a imagem preferida. Nas igrejas, há bem mais freqüência nas cerimônias de sexta-feira santa do que na cerimônia da ressurreição. Simplesmente a dor fala mais alto.


II - CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS DE UMA INTERPRETAÇÃO ERRÔNEA DO SOFRIMENTO


1 - Dimensão antropológica e psicológica da dor

Talvez, pelo fato de a dor ser uma companheira inseparável de homens e mulheres, talvez, dada à situação de miséria em que se encontra grande parte do povo, ela passou a ser assimilada como um arquétipo e até a ser interpretada como coisas valorosa.

Era comum, no passado, diante da carência de recursos, as pessoas enfrentarem a dor com valentia. Uma mãe orientava seu filho menor a oferecer a terrível dor enfrentada na cadeira do dentista, pelas almas do purgatório ou para a conversão dos pecadores. Os trabalhos médicos, sem anestesia eram encarados como oferenda pelos pecadores, etc. A dor sofrida pela esposa sob o jugo de marido cruel, alcoólatra, infiel, ou vice-versa, tinha seu valor salvífico para a sua salvação, bem como a do marido. Encontrando-se impotente diante dos sofrimentos, divinizava-se a dor.


2 - Conseqüências

O amor ao sofrimento leva o ser humano a desvalorizar a vida, o maior dom de Deus. E, o que é mais grave, torna o homem e a mulher passivos diante do sofrimento. Assimilando tal teoria, o corpo sempre será algo baixo, vergonhoso que deve ser purificado. As potencialidades humanas não podem ser vividas plenamente, pois a vida verdadeira não é esta que se vive no corpo. A resistência heróica diante da dor criava um caráter firme nas pessoas, mas ao mesmo tempo, incutia uma valorização da dor como um valor em si, deformando assim a imagem de ser humano e também de Deus. Tornava o ser humano passivo diante dos males da história. O único interesse é o céu.

Por outro lado também se aprende a sacrificar o irmão e a irmã. Já que Deus quer o sofrimento, alguém tem de ser sacrificado. Nada mal sacrificar a massa do povo para que o estado possa ostentar luxo, ou ainda mais, para que uma elite possa ter excessos.

Começa-se, também a julgar os sofredores como culpados (Jó). Desta forma, o sofredor é culpado da dor que o assola. Muitas pessoas indagam: "O que fiz para merecer tudo isto?"


III - A TEOLOGIA DO SOFRIMENTO

Certo fundamentalismo religioso gosta de explicar o sofrimento de Jesus como uma atitude passiva dele diante da maldade humana, ou então, como um fatalismo histórico. É errada a visão que explica a dor de Jesus como querida pelo Pai, ou por ele mesmo. Jesus se preocupa com sua vida, foge da perseguição (Jo 7) e diante de sua morte iminente, clama ao Pai (Mc 14,36; 15,34). A dor de Jesus não foi querida por Deus, mas foi o preço que Jesus pagou por seu projeto a favor da vida, ou seja, o Reino. Isto se torna evidente no texto abaixo:

"E chamando-os a si, Jesus disse-lhes: ‘Sabeis que os que parecem governar as nações se apoderam delas, e os seus grandes exercem autoridade sobre elas. Não é assim entre vós, mas o que deseja chegar a ser grande entre vós, será o servo de vós, e quem que deseja, entre vós, ser o primeiro, será de todos escravo. Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, senão para servir e dar a vida em resgate por muitos" (Mc 10,42-45).

Neste texto, evidencia-se que Jesus não busca o sofrimento, mas sim, alterar a lógica dominante, justamente para acabar com o sofrimento injusto na comunidade. Ora, invertendo a lógica dominante pelo servir, o sofrimento virá como conseqüência. Servir, como norma de vida, quebra a lógica dos senhores e, ao mesmo tempo mexe com seus privilégios, pois nova comunidade ensaiada por Jesus, deslegitima a ordem vigente. Isto significa entrar em conflito com uma sociedade existente. Quem tem tal projeto de vida e de sociedade, necessariamente paga um preço, isto se traduz em sofrimento e sacrifício. Mas o que Jesus quer é que seu projeto de servir prevaleça, não o sofrimento em si. Quem se comprometeu tanto com a vida Mc 2-3; Lc 4,14-16; Jo 10,10 certamente não amava o sofrimento, nem seu e menos ainda o do povo. Ele queria vida para o povo. Aqueles que negavam a vida do povo viram nele uma ameaça. Eliminá-lo para se livrar dele era uma necessidade para quem se sentia ameaçado. Logo, sua paixão, morte de cruz foram o preço de seu projeto a favor da vida. Quem quis o sofrimento de Jesus foram os arautos do anti-reino. Jesus queria o Reino de Deus, o Pai queria a fidelidade de Jesus ao Reino. Diante disto, os líderes julgaram que a única saída seria eliminá-lo (Mc 3,6; Jo 11,49). Jesus não procurou o sofrimento e a morte, mas para ser fiel ao plano do Pai, a favor da vida, aceitou-os como preço.


1 - Base evangélica para a paixão e morte de Jesus

No evangelho de Marcos, já nos primeiros capítulos, percebe-se a ação de Jesus a favor dos pobres, doentes, deficientes e pecadores (Mc 1,21-3,6), para quem a religião judaica havia se tornado um verdadeiro peso. Expulsa demônios (1,22ss), cura doentes (1,29ss), desafia o sábado (1,21ss; 2,23ss; 3,1ss) e outros costumes judaicos. Também em Lc 4,14ss se constata a ação de Jesus a favor da vida dos pobres e miseráveis. Tudo isto são gestos a favor do povo e também desperta o ódio dos chefes, que começam a planejar a sua morte

"Depois de se retirarem, os fariseus deliberaram com os herodianos, contra Jesus, acerca dos meios de fazê-lo perecer" (Mc 3,6).

O mesmo percebemos no evangelho de João. Depois da ação de Jesus a favor do povo, os chefes querem condená-lo, pois vêem nele alguém perigoso.

"Um dentre eles, Caifás, que era sumo sacerdote naquele ano, disse; ‘Vós não compreendeis nada, e nem mesmo refletis que é do nosso interesse que um só homem morra pelo povo e que não pereça uma nação inteira" (Jo 11,49-50).

Nos dois casos, percebe-se que a morte é imposta a Jesus pelas lideranças porque estas se sentiam ameaçadas ou desafiadas. Seu programa político, econômico e religioso corria o risco de se esvaziar. Jesus, de fato, esvaziava o templo (Mc 2,5; Jo 2,13ss), fonte de privilégios de uma elite, mas desgraça do povo. Diante de um provocador, as autoridades respondem com a pena de morte.

2 - Carregar a cruz, um gesto político

Nesta perspectiva acima estudada, que sentido têm os anúncios da paixão e morte que Jesus faz (Mc 8,31; 9,30-31; 10,32-34) e o pedido que dirige a seus discípulos de carregarem a cruz (Mc 8,34ss)? Estaria, o evangelista cantando loas ao sofrimento de Jesus e dos discípulos? O que significava para Jesus ir a Jerusalém (centro do poder) e assumir a cruz? O que significa para o discípulo renunciar a si, tomar a cruz e seguir o mestre?

Antes de tudo convém lembrar o que foi dito acima: o sofrimento e a morte de Jesus foram o preço pago por ele pela sua fidelidade ao Pai e aos irmãos. Jesus queria vida para todos (Jo 10,10). Isto lhe valeu a cruz (Mc 3,6). Na realidade, as autoridades da época, religiosas e políticas, haviam alijado o povo. Jesus, em toda sua prática busca este povo excluído (Mc 2,1-3,6, etc.). Isto lhe valeu o ódio do poder. Logo, ir a Jerusalém, tomar a cruz, é sinônimo de enfrentar o poder que destrói a vida.

Assim, para o cristão assumir a cruz não significa aceitar passivamente os sofrimentos que são frutos da injustiça e da maldade. A cruz não é gesto passivo. É antes um confronto com as forças que destroem a vida, principalmente dos mais fracos. A cruz do cristão é assumir o compromisso com a vida, com o mundo, lutando contra a morte e o sofrimento. Então, carregar a cruz é um gesto político, ativo de quem não aceita o anti-reino instaurado na sociedade, mas que quer fazer o projeto de Deus prevalecer.

Quando o homem e a mulher tomam sua cruz, ou seja, se comprometem com a justiça, com a vida e com o projeto de Deus, como prêmio recebem o sofrimento. Não porque Deus quer que seus filhos fiéis sofram, mas porque este lhe é imposto pelos homens, pela sociedade e pelos detentores do poder. Este sofrimento, fruto de uma opção de vida, tem valor. Inclusive a morte de tantos mártires, tem sentido. Não pela dor e a morte em si, mas porque sua fidelidade em defender o projeto de Deus foi tão radical, a ponto de dar a vida. A doação da vida, neste caso, é justamente para que a vida prevaleça. Alguém amou tanto a vida que foi capaz de aceitar a morte para que os outros possam viver.


3 - Dar a vida em resgate por muitos

Por que a comunidade cristã interpretou a morte de Jesus como morte vicária? Teria, o sofrimento de Jesus, seu sacrifício, função expiatória? Mc 10,45b já recebeu muitas interpretações. O texto se refere a Is 53,10-12 (Servo Sofredor). Assim, o serviço de Jesus: entregar a vida é visto como gesto expiatório pelos outros.


a) Visão de Santo Anselmo

Santo Anselmo, no final do século X interpretava o texto assim: Deus, a exemplo dos reis, está distante e é um juiz terrível. A salvação é quase impossível. Assim veio Jesus e realizou a salvação pela humanidade:

"Segundo esta interpretação, a obediência de Jesus, materializada no sacrifício da cruz, dá origem - em virtude da dignidade infinita (por ser divina) de sua pessoa - a uma satisfação infinita frente a um Deus ofendido pelo pecado".

Como o que ofende (ser humano) não pode satisfazer a ofensa, pois o ofendido é Deus, deve Jesus, Deus encarnado, fazê-lo por ele. Para reparar a ofensa feita a Deus, só a morte de seu filho é suficiente. O pecado é visto como ofensa a Deus e o perdão, como devolução da honra ofendida e mais algum acréscimo para compensar o ultraje. O ser humano está fadado ao castigo, mas como Deus quer a salvação, logo a satisfação é necessária.

"Desta maneira, Jesus Cristo, Homem Deus é o perfeito satisfator das ofensas que os homens de todos os tempos fizeram contra a honra de Deus. Sua morte na cruz é o ponto-chave do processo de satisfação".

No entanto, esta visão é viciada por uma época monárquica, onde o povo estava abandonado à sua sorte. E o relacionamento humano-Deus era medido nos mesmos moldes. Só a morte de Jesus conta para o resgate, sua vida é esquecida, a encarnação é obnubilada ou se dá em função da paixão. A ressurreição é apenas a confirmação da sua divindade, mas não tem valor teológico, pois só a morte é que conta. O Pai está afastado da obra redentora. É o obstáculo da salvação. Ele é sanguinário vingativo. Não é o Pai do filho pródigo de Lc 15,11-32.

A visão anselmiana vê o pecado como ofensa que atinge diretamente a Deus, sem passar pela mediação humana. Este pecado nada tem a ver com a vida (Mt 25,31-46). Anselmo pensa em satisfazer a honra de Deus, mas Deus nada precisa. Não é a ele que o pecador precisa satisfazer, mas sim, ao seu projeto sobre o humano e sobre a história.

Anselmo não liga a morte de Jesus com sua vida. Na realidade, a morte foi o coroamento de uma vida-doação, semente do Reino.

"Jesus assumiu a cruz não por obediência a um fatalismo prévio a sua decisão livre, mas - precisamente - como conseqüência da livre decisão de selar a vida de obediência e fidelidade ao Pai e seu Reinado" .

É a vida e a morte de Jesus que realizam a salvação. A morte é o centro, mas não exclusivo.


b) Visão segundo biblistas atuais

Os biblistas do século XX não têm a perspectiva monárquica de Sto. Anselmo. Nem se pensa mais que o Pai fosse um Deus sádico que quer o sangue do Filho para aplacar sua ira contra os seres humanos. Hoje busca-se entender a compreensão que tinham os teólogos do NT que interpretaram a morte de Jesus como resgate.

l.u,tron significa pagar para resgatar um escravo ou prisioneiro de guerra. Traduz também o lawg "Go’el". Aquele que, por dever de sangue, devia resgatar um parente que caísse na escravidão ou perdesse seus bens (Rt). Isto implicava pagamento em dinheiro. Alguém o fazia em lugar de um caído que não o podia fazer por si. Assim Jesus realiza a ação de Deus de salvar o povo. Jesus se fez pecado (2Cor 5,21) para pagar o pecado da história humana.

"lu,tron dá um conceito vétero-testamentário de direito familiar, como Go’el = parente resgatador.

O termo lu,tron "resgate" na LXX traduz o hebraico rpk "Kofer". Implica a substituição, penhor, cujo valor vale para cobrir uma culpa. Também corresponde ao hebraico "Asam", que equivale a sacrifício pela culpa. Lembra, no AT o resgate feito do filho primogênito que era oferecido a Deus e resgatado por um animal. No judaísmo tardio, como em 2Mc aparece a idéia da morte vicária dos justos a favor da nação. Com esta visão, supões os biblistas que a compreensão da morte como resgate teria um fundo metafórico. Jesus teria servido a Deus com seu morrer. O Pai pede o sacrifício do Filho. Tudo isto, no entanto, reflete a cosmovisão de uma época e portanto, pode ser desmitificado.

Mc 10,45b é provavelmente um enunciado teológico de maior importância no NT. Segundo Rudolf Bultmann, este versículo reflete teologia pós-pascal elaborada com critérios semitas que refletem todos os conceitos vistos acima, enquanto, 1Tm 2,6 expressa este mesmo princípio numa visão grega.


"Uma conhecida reformulação dogmática está em Mc 10,45, onde se pode perceber a forma primitiva de Lc 22,27"

Segundo Bultmann, a comunidade primitiva trabalhou os conceitos teológicos, tanto assim que, os diferentes locais, desenvolveram a teologia de forma diferente. Há uma mudança de perspectiva entre Marcos e Lucas. O mesmo se percebe ao analisar os discursos cristológicos nos Atos dos Apóstolos. Lá nunca aparece a idéia de que Jesus morreu por nós. Sendo assim, Lucas não teria conhecido a teologia do resgate, ou seus discursos em At refletem uma teologia mais arcaica que ainda não tinha chegado ao estado de evolução como Mc 10,45.

"A indicação ao modelo de Jesus é reformulada em Mc 10,45 no sentido de Credo desenvolvido".

Logo, a teologia do resgate é teologia desenvolvida no contexto pós-pascal, quando a comunidade cristã interpreta a morte de Jesus, provavelmente à luz de Is 52,13-53,12. Esta releitura fora feita na comunidade marcana, enquanto Lucas 22,26s não conhece esta teologia.

"Ora, a transformação do v. 45 em Lc 22,26s não usou estas palavras, não obstante em Lucas, diante da morte de Jesus, elas teriam sido oportunas. Isto significa que Lucas não as conheceu, elas são um acréscimo do redator".

A sentença sobre o Filho do Homem reflete a compreensão da morte de Jesus transmitida na tradição da ceia (cf Mc 14,22-25) que se baseia na cristologia que reconhece a doação da vida de Jesus como substituição (Gl 1,4; 2,20; Ef 5,2.25) e sua aceitação no horizonte do seguimento de Jesus (cf 1Pd 2,21; 1Jo 3,16) que também é provável para a recepção marcana em Mc 8,27-10,52.

"Com o termo ‘resgate’ se quer afirmar o fato que Jesus compra a libertação de muitos do pecado, o qual em concreto, segundo o pensamento judaico, se verificará no juízo final computado por Deus, porque tal libertação subtrai ‘os muitos’ da condenação da danação".

O substantivo ‘resgate’ no logion de Mc 10,45 implica também a idéia de uma ação ou uma função vicária, feita por Jesus em lugar, ou no posto de muitos. De fato, Jesus, oferecendo-se a si mesmo à morte, comprou o que não podiam fazer os ‘muitos’ e que precisavam de um outro. O logion de Mc 10,45 compreende uma condensação soteriológica que abraça a missão inteira de Jesus, a qual é proclamada querigma cristão: a vida, a morte e a ressurreição de Jesus operam a salvação (libertação) dos homens comunicando-lhes sua vida.

Na atual formulação evangélica a estreita ligação do logion sobre o resgate com o ensino precedente sobre o servir, reportada aos apóstolos (Mc 10,41-44), revela que o logionnão é considerado na sua autonomia e independência, mas no valor exemplar que reveste o inteiro agir de Jesus, qualificado como serviço por aqueles que são responsáveis, isto é, por aqueles que ocupam os primeiros postos na comunidade.

"Bem observado o logion de Jesus [Mc 10,45] e o contexto onde é situado se percebe que aparece como uma reflexão elaborada e um repensar cristológico. De fato, no atual contexto marcano isto constitui-se uma extensão da idéia de serviço aplicada à vida inteira de Jesus; Além disso este dito serve de solene conclusão à coleção catequética que caracteriza o capítulo 10 de Marcos; enfim o logion é formulado com uma linguagem estabilizada".

Se resgate vem ligado a toda a vida de Jesus e não apenas à sua morte, então deve-se olhar em primeiro lugar para a situação política, econômica e religiosa dos tempos do Novo Testamento. Reinava um projeto de morte. Os deficientes não tinham participação no templo (2Sm 5,8), os ignorantes não podiam observar a Lei e por isto eram considerados malditos (Jo 7,49), os pecadores não tinham acesso a Deus (Lc 15,1-2; 18,9-14, etc.).

Numa primeira leitura, um tanto simplista, não levando em conta o contexto teológico do NT, pode levar a uma compreensão mágica de resgate, ou seja, poderia-se crer que de fato Jesus precisava morrer para aplacar a ira do Pai, ou ainda que seu sofrer estava preestabelecido, etc. Mas, olhando o contexto (cf. parágrafo anterior), onde se deixa entrever que o resgate vem ligado a toda vida de Jesus, e que ele, desde o início de sua vida pública se choca com o projeto de morte, então pode-se ver a morte de Jesus em outro sentido.

A Encarnação do Verbo (Jo 1,1. 4-5. 12) trouxe um novo projeto de vida. Ele veio para dar a vida (Jo 10,10). Ele era a vida (Jo 14,6). Mc 2 e 3, bem como Lc 4,14ss mostram Jesus sempre comprometido com a vida, e Mc 3,6, bem como Jo 11,49-50 mostram que justamente devido a seu compromisso com a vida, ele foi destinado a morrer.

Assim, toda a vida de Jesus, seu projeto de vida, sua fidelidade ao Pai e aos irmãos e irmãs, enfim, o projeto de Reino é salvífico. A morte é a doação total para este projeto. Pela ressurreição o Pai confirmou definitivamente o Reino anunciado, instaurado e vivido por Jesus e que continua a ser ensaiado e vivido, ainda que de forma incipiente, pela igreja. Esta vida não pode ser resumida só à vida terrena, nem só à vida eterna. Ela é vida que começa aqui e culmina na eternidade. Por isto, a obra de Jesus é resgate da vida, na terra e no céu. O evangelho de João salienta bastante a vida de Jesus como salvação (Jo 3,16.18.36, etc.).

Talvez em contexto paulino, a noção de resgate assumiu exclusividade escatológica, mas na sua expressão no evangelho de Marcos, parece que se possa entender esta libertação não apenas a nível escatológico, mas também como uma libertação histórica, pois o Reino não é entendido, segundo os evangelhos, como uma realidade apenas do além.

Resta ainda uma questão: Se a morte de Jesus não é uma salvação automática, ou até mágica, nem é o pagamento a Deus, nem ao demônio, poderia esta salvação ter sido realizada por outra pessoa, além de Jesus? Definitivamente não. Outra pessoa também poderia denunciar o projeto de morte dos senhores do mundo e se comprometer com a vida, mas só Deus é a fonte da vida, só ele podia apontar definitivamente o caminho da vida. Sua encarnação foi justamente a fonte de vida que vem a este mundo para dar à humanidade a vida definitiva.


CONCLUSÃO

O sofrimento humano, a dor e a morte que tanto marcam a humanidade e que também marcaram a Jesus, não podem ser vistos como algo positivo, ou algo que tenha valor em si. O ser humano não nasceu para sofrer, nem deve buscar o sofrimento. Deus é o Deus da vida, e Ele quer que a vida prevaleça. O sofrimento e a dor desfiguram a criação. O homem e a mulher não devem só se ocupar com a eternidade em detrimento da vida terrena. D. Pedro Casaldaliga tem um dizer que sintetiza a missão do cristão no mundo: "Não temos compromisso com o céu, mas só com a terra. O céu Deus dá de graça, pelos méritos de Jesus, àqueles que se comprometeram com a terra".

A dor, o sofrimento e a morte adquirem um sentido cristão quando se assume o projeto do Reino e se luta contra os projetos de morte que destroem a vida. O sofrimento que vem como preço de um compromisso com a vida, é um sofrimento abençoado por Deus. Não porque Deus aprecie o sofrimento, mas justamente porque apraz a vida. Tal sofrimento é fecundo e gera vida.

Jesus, como exemplo máximo, assumiu os valores do Reino. O Reino é justamente o lugar da vida. Para tanto deve de pagar um preço. O preço não foi apenas paixão e morte, mas foi a doação de toda sua vida, sua fidelidade ao Pai, sua pregação, sua cosmovisão, etc.

O cristão nunca deve procurar o sofrimento, nem a morte. Deve procurar a vida. Este procurar pode custar dores, sofrimento e até a morte. Esta participação no projeto de Jesus gera a vida, terrena e a eterna.



BIBLIOGRAFIA


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