domingo, 17 de julho de 2011

Origem e sentido do matrimônio... (corrigido)

Dilvano Westenhofer Brum * Publicado em 2004.




Bastou um desejo no coração de Deus (no Antigo Testamento: JAVÉ) para ele decidir criar o universo e tudo o que,neste, existe. E surgiu a primeira ordem do mundo: faça-se! E tudo foi feito. E Deus, é claro, fez tudo direitinho, cada coisa no seu lugar e com função específica. E não deixou nada faltar.

Quanto a criação do homem, a linguagem usada no livro de Gênesis narra que, para criá-lo, Deus juntou um punhado de barro (ou lama, dependendo da tradução), moldou este barro e soprou nele. Assim fez surgir a vida ao homem. Tal maneira poética de descrição, quer ensinar em outras palavras que, Deus nos molda de acordo com sua benignidade e se nos deixarmos moldar por ele, tudo em nossa existência, será bem melhor. O barro, é sinal da fragilidade humana, expressa a necessidade que o humano tem do divino. Aquele sopro foi o sinal de vitalidade e vigor, um impulso à existência.

Mais adiante, percebemos que Deus preocupou-se com a felicidade humana. O homem, sozinho, sem alguém da sua espécie, ficou muito triste. Só, fica deprimido. E aqui constatamos o primeiro caso de solidão, tristeza e depressão de que temos registro. Mas, como sempre, Deus dá um jeito. Num dado momento, faz o homem adormecer (olha o primeiro soninho aí!) e, de uma das costelas do homem, cria a mulher. Acordado, o homem vê-se acompanhado. A solidão foi embora quando a mulher chegou.

A mulher começou a existir. Todavia, daquele momento em diante, o homem teve de aprender a arte de conviver. Teve de aprender muito sobre renúncia e saber ceder em muitos momentos. Não deve ter sido fácil para o homem. O fato de a mulher ter sido formada de sua costela, denotava que, em dignidade e importância, ele não estava abaixo, e nem acima dela. Realidade, que quase certo, deve ter incomodado um pouco o homem nos seus primeiros meses de convívio a dois. Mas sem a mulher seria pior.

Dessa experiência, entre erros e acertos, nasce o primeiro caso de amor humano e o primeiro casamento que a história conheceu e registrou. Isso tudo, claro, visto com os olhos da fé. Assim, a vida daquele casal, unido pelos vínculos do amor, e com toda a conseqüência que o amor traz, tornou-se um testemunho real do amor divino pela humanidade.

O sentido do matrimônio, pois, consiste na busca da realização da felicidade do outro. Consiste sim, numa renúncia de si mesmo a favor do ser amado. Optar por uma vida conjugal e vivê-la em plenitude, é tornar-se como uma vela que, para iluminar os que estão a sua volta, gasta-se a si própria, sem esperar recompensa alguma.

Conviver com o outro é uma questão de arte. Viver para o outro é uma questão de amor.

Só consegue ser feliz quem ama e deixa-se amar. A vida matrimonial é uma maneira santificar-se e de santificar o outro. É uma maneira específica de viver o chamado (vocação) fundamental ao amor.

Origem e sentido do matrimônio...

Dilvano Westenhofer Brum * Publicado em 2004.




Bastou um desejo no coração de Deus (no Antigo Testamento: JAVÉ) para ele decidir criar o universo e tudo o que,neste, existe. E surgiu a primeira ordem do mundo: faça-se! E tudo foi feito. E Deus, é claro, fez tudo direitinho, cada coisa no seu lugar e com função específica. E não deixou nada faltar.

Quanto a criação do homem, a linguagem usada no livro de Gênesis narra que, para criá-lo, Deus juntou um punhado de barro (ou lama, dependendo da tradução), moldou este barro e soprou nele. Assim fez surgir a vida ao homem. Tal maneira poética de descrição, quer ensinar em outras palavras que, Deus nos molda de acordo com sua benignidade e se nos deixarmos moldar por ele, tudo em nossa existência, será bem melhor. O barro, é sinal da fragilidade humana, expressa a necessidade que o humano tem do divino. Aquele sopro foi o sinal de vitalidade e vigor, um impulso à existência.

Mais adiante, percebemos que Deus preocupou-se com a felicidade humana. O homem, sozinho, sem alguém da sua espécie, ficou muito triste. Só, fica deprimido. E aqui constatamos o primeiro caso de solidão, tristeza e depressão de que temos registro. Mas, como sempre, Deus dá um jeito. Num dado momento, faz o homem adormecer (olha o primeiro soninho aí!) e, de uma das costelas do homem, cria a mulher. Acordado, o homem vê-se acompanhado. A solidão foi embora quando a mulher chegou.

A mulher começou a existir. Todavia, daquele momento em diante, o homem teve de aprender a arte de conviver. Teve de aprender muito sobre renúncia e saber ceder em muitos momentos. Não deve ter sido fácil para o homem. O fato de a mulher ter sido formada de sua costela, denotava que, em dignidade e importância, ele não estava abaixo, e nem acima dela. Realidade, que quase certo, deve ter incomodado um pouco o homem nos seus primeiros meses de convívio a dois. Mas sem a mulher seria pior.

Dessa experiência, entre erros e acertos, nasce o primeiro caso de amor humano e o primeiro casamento que a história conheceu e registrou. Isso tudo, claro, visto com os olhos da fé. Assim, a vida daquele casal, unido pelos vínculos do amor, e com toda a conseqüência que o amor traz, tornou-se um testemunho real do amor divino pela humanidade.

O sentido do matrimônio, pois, consiste na busca da realização da felicidade do outro. Consiste sim, numa renúncia de si mesmo a favor do ser amado. Optar por uma vida conjugal e vivê-la em plenitude, é tornar-se como uma vela que, para iluminar os que estão a sua volta, gasta-se a si própria, sem esperar recompensa alguma.

Conviver com o outro é uma questão de arte. Viver para o outro é uma questão de amor.

Só consegue ser feliz quem ama e deixa-se amar. A vida matrimonial é uma maneira santificar-se e de santificar o outro. É uma maneira específica de viver o chamado (vocação) fundamental ao amor.

Amar pode dar certo...

Cada dia mais, nós vemos pessoas aceitando passivamente a solidão como sua inevitável companheira. É importante que ao invés de nos decepcionarmos com o Amor, nos questionemos da nossa forma de amar, sobre as estruturas das relações amorosas e sobre os objetivos que se tem quando se vive com alguém. O amor é a fonte de nossas experiências de êxtase. O amor supõe trabalho e arte. É verdade que nascemos com imensas potencialidades de amar, mas também somos herdeiros de distorções culturais poderosas, que dificultam a grande experiência do amor. O amor é a relação básica do ser humano. Somente por ele se expande o sistema da vida e se alarga a percepção do sentido da totalidade. Os maiores inimigos do amor são o medo a e a indiferença. A arte do cultivo amoroso supõe ternura, percepção do detalhe e valorização do universo simbólico. Sem símbolos de afeição não há encontro de amor. As pessoas sempre procuram nos outros e na vida a confirmação do que elas acreditam e, infelizmente, têm andando bem desesperançadas no amor, como se a insatisfação fosse inevitável. O amor não perdoa quando não encontramos um jeito de realizá-lo. Sua ausência atrapalha nossa vida até que paremos e comecemos a refletir num jeito de realizá-lo. O amor é uma energia que cresce dentro de nós e nos convida a estar com o outro. No amor é necessário desenvolver um treinamento para viver junto a alguém. O ato de amar só pode ser desenvolvido com disciplina, humildade e coragem. Para alcançar o amor é preciso, com muita humildade, manter disciplina e carinho para com nossos atos de amor, como se conhecêssemos muito pouco deles. Saber amar é estar atualizado com os próprios desejos, com os desejos do parceiro e com a maneira mais adequada e especial de concretizá-los. Para amar alguém, da forma como se apresenta, e não viver procurando um ser ilusório, o único caminho é nos encontrarmos em nós mesmos, naquilo que realmente somos. E procurar averiguar se a pessoa que estamos buscando pode existir, de fato, ou se faz parte das nossas fantasias, como um príncipe. “Eu era apenas um botão, pronto para desabrochar, e ninguém percebeu isso. Nem mesmo eu, que estava preocupada em esconder-me.”Quem quer viver um grande amor, necessita aprender a ver o que existe de concreto, de fato. Para que as dúvidas sejam desfeitas e a realidade apareça, o mais indicado é conversarem diretamente sobre estas dúvidas. Exigir um amor linear, constante, do parceiro é empurrá-lo para longe de si. E se obrigar a isso é se desajustar consigo mesmo. Exigir do parceiro a perfeição, como se todas as nossas ações fossem coerentes, é uma atitude que desgasta a relação. Uma relação consistente é formada de coisas simples e de atos delicados. Ser inesquecível para alguém, no amor, é algo que se consegue sendo verdadeiro. Os amores não aprecem prontos, mas são construídos a dois. É muito proveitoso que você descubra pontos comuns, ou as características similares que estiverem presentes em todos os seus relacionamentos fracassados. Deve-se observar com atenção seus comportamentos e ver se eles são compatíveis com alguém que, realmente, deseja ser feliz numa relação de amor. O amor não é complicado, as pessoas é que são complicadas. Para caminhar em busca do crescimento no amor também se faz necessário pensar. Constatamos a realidade, checamos as crenças e fazemos uma análise do que está acontecendo, no âmbito dos fatos, mas sem desconsiderar as fases anteriores. Após o pensar surge o momento da decisão. É bom lembrar que todas as atitudes adotadas numa relação terão conseqüências, positivas ou negativas. Existe um tripé de sustentação para que um homem e uma mulher vivam plenamente uma relação de amor. O amor é para ser vivido a dois, e à medida que alguém o permite, com simplicidade, sem exigir perfeição, ele vai sendo aprimorado. Não espere que o outro dê tudo o que você necessita, mas, sim, crie o amor, e o crescimento então virá. Para que cada um de nós possa realmente conhecer o amor, é precisoa coragem de ser e de deixar o outro ser. É importante conhecer as várias fases de um relacionamento e estar atento a elas. O passado é passado. O futuro será uma conseqüência de como você vive hoje. O único tempo real é o presente. O importante é usar o passado como fonte de experiências, programar o futuro e viver o presente consciente de que o momento de ser feliz é agora. Quando não conseguimos, por nós próprios, encontrar o ponto em que estamos bloqueados para amar, então é bom fazer terapia. Psicoterapia pode ser um ótimo recurso, desde que se admita que a responsabilidade pelas decisões e condutas pertence a cada um, e que o terapeuta é alguém que tem como papel ajudar nas reflexões. As possibilidades de mudanças são infinitas, mas desde que seja feito algo para que isso ocorra. Para que haja mudanças, supõe-se que cada um altere algum comportamento. Esperar mudança sem fazer nada é a pior maneira de sofrer inutilmente. Falar de amor é transmitir, em palavras ou gestos, o sentimento que está dentro de cada um de nós. Cada um deve expressar da sua forma, com suas palavras, do seu jeito, seja ele qual for, o sentimento de amor que está trancado em seu ser e permitir que slgumas pessoas passem a conhecer essa beleza.

A pessoa que sou faz toda a diferença

sábado, 16 de julho de 2011

Em mais um local...

No espaço "COLUNISTAS" do site www.carlosjoliveira40.webnode.com.br você também pode acompanhar meus escritos.
Gostaria que eu abordasse alguma temática específica? Escreva para mim: dilvano_wb@hotmail.com

Abraço especial à minha amiga Rejane Eilert que também sempre me acompanha neste blog.
Obrigado!

Colunista no Jornal Itapuã

Partilho minha alegria de ser o mais novo colunista agora também do Jornal Itapuã.

Abraços!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Veja quem são os deputados 'fichas-sujas' que tomaram posse na Câmara

Três dos quatro deputados federais que tomaram posse na tarde desta quarta-feira (13) na Câmara dos Deputados estavam impedidos de assumir seus mandatos por conta da Lei da Ficha Limpa: Janete Capiberibe (PSB-AP), João Pizzolatti (PP-SC) e Magda Moffato (PTB-GO). Em março deste ano, o STF decidiu que a Lei da Ficha Limpa é constitucional, mas que não se aplicaria às eleições de 2010. Saiba quem são esses políticos.


Janete Capiberibe (PSB-AP)
Janete teve o mandato de deputada federal cassado em 2006. Ela e o marido – o ex-senador João Capiberibe (que pode voltar ao Senado beneficiado pela decisão do STF) foram acusados de comprar votos por R$26 na campanha de 2002. No ano passado, ela teve 28.147 votos e foi campeã do pleito para o cargo de deputado federal.

Marcivânia Flexa Rocha (PT-AP) é quem sai da Câmara para dar lugar à Janete.

João Pizzolatti (PP-SC)
Pizzolati foi barrado na Câmara por improbidade administrativo. O progressista era sócio de uma empresa que mantinha contatos com a prefeitura de Pomerode enquanto ele exercia o mandato de deputado federal.

O deputado foi o quinto mais votado em Santa Catarina nas últimas eleições, com 133.181 votos, praticamente 30 a mais que os de Odacir Zonta (103.965), agora primeiro suplente do partido.

Magda Moffato (PTB-GO)
Magda foi condenada por captação ilícita de sufrágio e abuso de poder econômico nas eleições municipais de 2004. Em 2007, ela teve o mandato de prefeita de Caldas Novas (GO) cassado.

Além disso, Moffato também é conhecida por não ser amiga dos animais. Ela já foi autuada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por manter animais silvestres em cativeiro e sem licença. Foram encontrados em uma suíte do Hotel Roma – de propriedade da deputada -, em Caldas Novas, quatro araras e um papagaio. Magda responde criminalmente por maus-tratos de animais, mantê-los em cativeiro, trabalhar com zoológico sem licença e ser considerada infiel depositária.

Magda Moffato é suplente do Delegado Waldir.

Nilson Leitão
Nilson Leitão, do PSDB, vai tomar o lugar de Ságuas Moraes, do PT. Com a contabilização dos votos de Leitão, a coligação do PT perdeu uma vaga para a coligação do PSDB. Ságuas obteve mais votos: 88.654 contra 70.958 de Leitão.

No Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e João Capiberibe (PSB-AP) também podem tomar posse.

Insubstituível

Na sala de reunião de uma multinacional o diretor nervoso fala com sua equipe de gestores.

Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um, ameaça: 
- "Ninguém é insubstituível". 

A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio.Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada. 
De repente um braço se levanta e o diretor se prepara para triturar o atrevido: 

- Alguma pergunta? 

- Tenho sim. 

-E Beethoven ? 

- Como? - o encara o diretor confuso. 

- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu Beethoven? 

Silêncio.....

O funcionário fala então: 

- Ouvi essa estória esses dias contada por um profissional que conheço e achei muito pertinente falar sobre isso. 

Afinal as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos, mas, no fundo continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar.

Quem substituiu Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Garrincha? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Pelé? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso? Zico? etc... 

Todos esses talentos marcaram a história fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem, ou seja, fizeram seu talento brilhar. E, portanto, são sim insubstituíveis.

Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa.

Está na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe focando no brilho de seus pontos fortes e não utilizando energia em reparar seus 'erros/ deficiências' . 

Ninguém lembra e nem quer saber se Beethoven era surdo, se Picasso era instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy egocêntrico, Elvis paranóico ... 

O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos. 

Cabe aos líderes de sua organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços em descobrir os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto.

Se seu gerente/coordenador , ainda está focado em 'melhorar as fraquezas' de sua equipe corre o risco de ser aquele tipo de líder/ técnico, que barraria Garrincha por ter as pernas tortas, Albert Einstein por ter notas baixas na escola, Beethoven por ser surdo. E na gestão dele o mundo teria perdido todos esses talentos. 

Seguindo este raciocínio, caso pudessem mudar o curso natural, os rios seriam retos não haveria montanha, nem lagoas nem cavernas, nem homens nem mulheres, nem sexo, nem chefes nem subordinados . . . apenas peças. 

Nunca me esqueço de quando o Zacarias dos Trapalhões 'foi pra outras moradas'.  Ao iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim: "Estamos todos muito tristes com a 'partida' de nosso irmão Zacarias... e hoje, para substituí-lo, chamamos:... . Ninguém ... pois nosso Zaca é insubstituível" 

Portanto nunca esqueça: Você é um talento único... com toda certeza ninguém te substituirá! 

"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo..., mas posso fazer alguma coisa. Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso." 

"No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é..., e outras..., que vão te odiar pelo mesmo motivo..., acostume-se a isso..., com muita paz de espírito. ..". 

É bom para refletir e se valorizar!

Igrejas precisam avaliar os prejuízos gerados pela exclusão das pessoas que vivem com AIDS

08/07/2011 - Em aula proferida nesta sexta-feira, 8, aos estudantes da linha de pesquisa HIV/AIDS do mestrado Profissional em Teologia da Faculdades EST, em São Leopoldo, o pastor anglicano da África do Sul, Mokgethi-Heath, disse que as igrejas não podem mais enxergar as pessoas que vivem com AIDS como pecadoras, mas focar o seu trabalho na tentativa de minimizar os prejuízos históricos gerados pelo pecado da exclusão.


Diretor executivo da Rede Internacional de Religiosos que Vivem com HIV (INERELA), Mokgethi ressaltou que as comunidades de fé enfrentam dificuldades em lidar com o HIV na medida em que não reconhecem o tema como um problema a ser enfrentado pelas igrejas, mas sim pelo campo da medicina e setores governamentais.

“Nas comunidades ainda prevalece o discurso de que ninguém ali vive com AIDS e de que essa é uma problemática distante do seio da igreja”, pontuou.

Portador do vírus HIV, o pastor sul-africano recordou que após sermão realizado na Namíbia no qual tratou sobre a temática, falando sobre sua própria condição, um grupo de jornalistas o aguardava na porta do templo. “Eles não queriam saber qual era o meu nome, mas sim como eu havia sido contaminado”, relatou Mokgethi, ao afirmar que o julgamento das pessoas em relação ao HIV sempre está relacionado ao sexo promíscuo.

Mokgethi relatou ainda o caso de um jovem pastor africano do qual foi exigido um parecer médico atestando que ele havia sido contaminado com o vírus HIV através de transfusão de sangue. “Somente com esse atestado ele seria considerado puro entre os membros da sua comunidade”, frisou.

Em Botswana, país da África Austral, o índice de pessoas infectadas pelo HIV chegou a 41% da população. “As pessoas morriam como moscas neste país de 2 milhões de habitantes”, disse Mokgethi, até que o governo decidiu oferecer tratamento gratuito de qualidade a todos os afligidos pela doença. Em decorrência do estigma, das 260 mil pessoas que precisavam de tratamento imediato naquele país, menos de 8 mil buscaram os postos de saúde. 

“Mesmo com todo o incentivo, as pessoas de Botswana continuavam morrendo e os remédios nas estantes perdiam a validade”, disse o palestrante. Hoje, 150 mil pessoas estão em tratamento neste país, que conseguiu diminuir consideravelmente os índices de infecção por HIV.

Com mais de 10 mil membros, INERELA é uma rede que conta com a presença de cristãos das Américas, Europa, Ásia e África.   

Foto: Da esquerda para a direita: a advogada Zanele Mbuyisa, a professora Dra. Valburga Streck e o pastor anglicano Mokgethi-Heath.

Jornalista Responsável:
 Micael Vier Behs

Fonte: 

Dilvano é um dos novos membros dos "Artitas Gaúchos"

Dilvano é um dos novos membros dos "Artistas Gaúchos" do site: http://artistasgauchos.com.br/

terça-feira, 12 de julho de 2011

Teste de sistema

Desculpe o transtorno!

Agosto é mês das vocações

Estou preparando para este blog e para o Jornal de Viamão textos que tratam desta temática.

Aguarde!
Enquanto isso...

Cristo Jesus, nosso irmão e amigo,
cumprimos a tua ordem de rezar,
para que tenhamos
sempre muitos e bons jovens líderes,
pais e educadores, 
religiosos e religiosas,
diáconos, padres e bispos.
"Manda operários à tua messe",
assim nos disseste. 
Precisamos deles.
Eles nos darão o ensino de tua palavra,
a alegria de tua presença,
o auxílio das tuas graças e
o estímulo para nossas vidas.
Reconhecemos que a semente da vocação,
que vem de Ti, exige de nós
que a cultivemos em nós,
na família, no grupo,
na comunidade e nos seminários.
Escutai-nos,
Cristo, por meio de tua e
nossa Mãe para a glória do teu nome
e para o nosso bem,
no tempo e na eternidade.
Amém. As vocações nos dás Maria Que do teu reino são penhor Dá-nos trabalho e tua benção, Ao nada une tua potência.

Se você quer mudanças...

Se você quer mudanças no seu exterior, comece por cultivar seu interior. Toda mudança deve começar dentro de nós. Com muita humildade e carinho faça esse exercício de olhar para si mesmo (a). Observe seus sentimentos, avalie seus pensamentos.  São Francisco de Sales por diversas vezes em seus escritos nos ensina isso. Você pode dizer que nunca poderá ser uma pessoa perfeita, eu concordo. Mas é possível ser uma pessoa melhor. É possível chegar perto da perfeição. Os exercícios salesianos nos ajudam a viver  de modo consciente na presença Deus. Desde o levantar até o deitar-se ou o acordar de madrugada. Pela manhã você pode acordar e pensar em Deus e fazer uma meditação, ler um texto bíblico ou de um santo ou santa e pegar uma frase que te tocou e repetir ela durante o dia no silêncio do teu coração. Você pode planejar suas atividades todas do dia que começa e imaginar tudo como vai ser. E se foi feito em oração e oferecido a Deus com amor é bem mais provável que tudo dará certo. Mas também a preparação do dia deve ajudar a se estar pronto (a) para os possíveis imprevistos. Por isso, é preciso também cultivar o desapego. Não ser tão rígido(a) diante da agenda e das situações. Acalme-se. Respire e trate tudo com carinho, suavidade e delicadeza. No começo é difícil sim, mas se cultivar tudo isso cada vez mais, aos poucos a docilidade e a amabilidade se tornarão naturais em você.
Dentro do propósito de viver sempre, de modo consciente, na presença amorosa de Deus, vale a pena cultivar outro ensinamento de São Francisco de Sales. Aqui me refiro a um “olhar para si” num modo mais qualificado através do exame de consciência: É o “pegar-se nas mãos”. A espiritualidade salesiana sugere dois momentos para o exame de consciência: ao meio dia e à noite, antes de dormir. Fazendo isso sempre e com o compromisso de tentar de verdade não repetir mais os comportamentos e palavras que causaram mal estar pessoal ou a terceiros, aos poucos poderá perceber em você o progresso de sua vida interior e quantos frutos aparecerão em seu exterior,  nas relações interpessoais, com as coisas e com o planeta.  Vale repetir que se comece pelas pequenas coisas. Vou lembrar um exemplo de um episódio da vida de São Francisco de Sales que pode ajudar.  A cena foi mais ou menos assim: Certa vez este santo estava num quartel e certo soldado soube da presença dele lá. Como tinha ouvido falar da fama de santidade de Francisco de Sales, foi até ele. Assim que entrou no lugar onde estava Francisco, o soldado fechou a porta batendo forte a mesma. Ele indagou Francisco: “Como faço para ser uma pessoa melhor?” Francisco de Sales respondeu: “Comece por não bater mais a porta”.  Tudo começa nas pequenas coisas. O contrário de virtude é vício. Procure cultivar virtudes. Elas vão deixar você uma pessoa melhor. E comece hoje, porque hoje é o dia de você ser feliz de verdade, porque foi para a felicidade que você foi planejado (a), amado (a) e querido (a) por Deus que é infinito amor!

Quer dedicar sua vida totalmente a Deus e ao povo? Que tal ser padre ou Irmão Oblato? Pense nisso. Contate conosco. Pode ser pelo meu e-mail/MSN: dilvano_wb@hotmail.com
** Meu Abraço salesiano vai para...
- Todos meus colegas Oblatos de São Francisco de Sales;
-Às  Irmãs Filhas de Maria Auxiliadora, FMA (salesianas) presentes aqui no sul do Brasil;
- Aos amigos e amigas que sempre rezam por nós e que pedem nossas orações.
Deus seja bendito!
Até o próxima texto!

* Este texto é publicado simultaneamente em minha coluna no Jornal de Viamão nas edições on-line e impressa.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ainda Espero o Verão Chegar

No calor da simplicidade, exclusiva para este blog: 
Poesia de Ir. Cristina, FMA


Tem dias que o orvalho escorre mudo no vidro
E a gente pensa que nunca mais haverá frio
E se poderá levantar a cabeça e sentir o cheiro do verde
O calor do sol no rosto pálido
O gosto doce do encanto livre

Eu ainda sonho com os dias de sol
Com a brisa envolvente do mar
E os noturnos passeios solitários de verão



Eu ainda sonho com as roupas leves e despojadas
O brilho do sol “madrugadeiro”
Com a maresia companheira
E o segredo da infância

Já se foram muitos verões
E ainda encontro a mesma companhia
O mesmo espaço apertado de silêncio
A mesma doçura cotidiana
O mesmo contentamento do coração que bate forte
A mesma saudade do mar...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Semana da Juventude de Viamão - 24 a 31 de julho de 2011

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEja0HFHPqUy0o95-vg_074Vbqb2fYoW_J1fgctmTTqrZyvHnaPiZpnn8S6YP85mcoXmSyORftdtta2UR9Appeh-BGo5MvfVDBpThT9PhCfvu7McdMtrzM6ThKrtlN638kFVLgQkYgQN3lQ/s200/bandeira+PJ.jpg
Já estamos preparando a Semana da Juventude de Viamão 2011!  E já estão sabendo das datas e do tema? Não?! Abaixo já explico.
Primeiro eu gostaria de dizer: peço o apoio de todas as pessoas ,  dos setores e instituições da sociedade de Viamão, inclusive em ajuda financeira em prol dessa Semana da juventude. Enviem-me e-mail demonstrando interesse e orientarei a melhor forma de ajudar!

E, alô juventude! Vamos agendar a data e programação de nosso núcleo? Ou seja, Núcleo Santa Isabel e Santa Cruz (Vila Santa Cecília) Anotem aí: 24 a 31 de julho. Vai iniciar com a celebração eucarística (missa) na Praça Santa Isabel, ás 17h.

E olha só o tema da Semana da Juventude de Viamão: O encontro pessoal com Cristo. Muito legal, né? Vai ser uma semana muito marcante em nossas vidas. Estamos (os orientadores: Dilvano, OSFS e Padre. Paulo, CP e os assessores: Taís Góes e Lucas Espíndola) preparando tudo com muito carinho para vocês!
Olhem só as sub-temáticas para os encontros da semana:

24 – domingo:  Inicia com a missa ás 17h na Praça da Santa Isabel (Abertura da semana).

25 – Segunda: Tomé: Estamos aqui por quê?
26 – Terça: Zaqueu: Quem sou eu?
27 – Quarta: Samaritana: Quem é Jesus?
28 – Quinta: Escolha dos Doze: somos chamados para...
29- Sexta: Saulo/Paulo:  Homem-mulher novo(a), juventude renovada
30- Sábado: O jovem rico: Para seguir Jesus, o que devo fazer?

Do dia 25 até o dia 30, como vocês notaram, teremos encontros todas as noites e o horário de início será  ás 19h30. Já agendem. Combinado?

31 - domingo: Encerramento da Semana com Missa de na Praça Santa Isabel – 17h
Pessoal, por enquanto é isso. Fiquem atent@s às novidades no BLOG: juvencontro.blogspot.com
Podem enviar materiais que vocês acharem bom publicar no blog: textos, avisos, fotos e etc...

E vejam que notícia para 2013! CNBB: Juventude será mais uma vez abordada como tema da Campanha da Fraternidade 2013. Isso mesmo: Fraternidade e Juventude. Este será o tema da Campanha da Fraternidade de 2013. A escolha foi feita dia 15 de julho, pelo Conselho Episcopal Pastoral.


Meu abraço salesiano dessa semana vai para...
Leandro, nobre e competente cabeleireiro da Av. Liberdade – Santa Isabel, fiel leitor desta coluna;
Zoé, querida amiga e pra sua neta Juliana por seu aniversário de 15 anos neste mês de junho;
Ir. Ires Dalle (Scalabriniana),  por seus 60 anos de vida Religiosa Consagrada;
Ao amigo e companheiro José Salustiano da Comunidade Santa Rosa de Lima - Jari;
A todos os acadêmicos da ESTEF, por mais um semestre que vencemos juntos;
Ao vereador Romer  (PSOL) pela amizade, acolhida e janta carinhosa em sua casa.
Abraços à tod@s!
Até semana que vem!
*Quer patrocinar esta coluna? Contatos no meu e-mal: dilvano_wb@hotmail.com

sábado, 18 de junho de 2011

Futebol e religião

Parece mentira, mas foi verdade. E como já existe uma distância do fato,  escreverei sobre. No dia 1°/Abr/2010, o elenco do Santos,  foi a uma instituição que abriga trinta e quatro pessoas. O objetivo era distribuir ovos de Páscoa para crianças e adolescentes, a maioria com paralisia cerebral.
Ocorreu que boa parte dos atletas não saiu do ônibus que os levou.
Entre estes, Robinho (26a), Neymar (18a), Ganso (21a), Fábio Costa (32a), Durval (29a), Léo  (24a), Marquinhos (28a) e André (19a), todos ídolos muito aguardados.
O motivo teria sido religioso. A instituição era o Lar Espírita Mensageiros da Luz, de Santos-SP, cujo lema é “Assistência à Paralisia Cerebral”.
Visivelmente constrangido, o técnico Dorival Jr. tentou convencer o grupo a participar da ação de caridade. Posteriormente, o Santos informou que os jogadores não entraram no local simplesmente porque não quiseram.   Dentro da instituição, os outros jogadores participaram da doação dos 600 ovos, entre eles, Felipe (22a), Edu Dracena (29a), Arouca (23a), Pará (24a) e Wesley (22a), que conversaram e brincaram com as crianças.

No Brasil, futebol é religião

Os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa.
Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso, cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar  nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.
A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, e mesmo em certos tabus e códigos morais de cada tradição de fé.  A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e cada uma das tradições de fé.

Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno; ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo; ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião. Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião. Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.
O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância. A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai.
E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixem de existir enquanto outros e se tornem iguais aos membros do seu grupo, ou pelo extermínio através do assassinato “em nome de Deus”, ou melhor, em nome de um deus, com “d” minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.
Mas, quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz.
Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, faz com que os discordantes no mundo das crenças se dêem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.

Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina,  ou pelo menos deveria ensinar, você colabora para que ela cumpra seu papel de libertação e não de alienação. Aí você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia mental.
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Meu abraço salesiano dessa semana ...
- Ao Sr. Antonio Guarapari, com gratidão pela ajuda recebida num passado não muito distante;
- O especial casal de amigos: Volnei e Romildes Bonatto, e o filho Guilherme;
- Daniela Flores, Everton e Elen, amigos de toda hora;
- Ir. Cristina Schorck, FMA, amiga e poeta.
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Abraços e até semana que vem!

TESE DE MESTRADO NA USP POR UM PSICÓLOGO


'O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE'

'Fingi ser gari por  1 mês e vivi como um ser invisível'

Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da
'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas
enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado
sob esse critério, vira mera sombra social.

Plínio Delphino, Diário de São Paulo.
O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou
um mês como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo.
Ali,constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres
invisíveis; sem nome'.
Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição
de sua vida:

'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode
significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o
pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano.
'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz.
No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço.
Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro.
Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.
Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central.
Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo
andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu.
Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angústia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.
E depois de um mês trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.
E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está
inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais.
Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa.
Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.
Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe.
Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo
nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.

*Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida!