quarta-feira, 4 de maio de 2011

Palestra sobre Juventude com Pe. Libânio (João Batista)

Oi pessoal! 
A correria tem me impossibilitado um pouco de atualizar de modo mais seguido este meu blog. Ufa!  Mas vejam, quero partilhar com vocês sobre a palestra muito legal a qual participei com muitos outros colegas da Teologia.  Além da riqueza da experiência e do conteúdo abordado por este nosso grande Teólogo, foi um momento muito alegre pelo reencontro de pessoas queridas que há muito tempo eu não encontrava, como o Pe. Sandrini (meu nobre professor de Filosofia), sr. Claudio da Rede de Comunidades Santa Cecília, um dos padres que marcou minha infância por seu testemunho alegre e brincalhão, Pe. Renato dos Santos (salesiano). Pe. José Flach e, claro, outras pessoas que vejo de modo mais seguido e que não vou citar nomes porque seria imensa a lista.  Abaixo transcrevo texto da assessoria de Comunicação da Faculdade Dom Bosco sobre o evento. Abraços!
Para onde vai a juventude?

03/05/2011
por Assessoria de Comunicação
Esse foi o tema da palestra ministrada pelo Padre João Batista Libânio, no dia 03 de maio, na Faculdade Dom Bosco de Porto Alegre. Padre Libânio é sacerdote jesuíta, teólogo e autor de diversas obras no campo da Teologia, Juventude e outros temas contemporâneos.

O Diretor da Faculdade, P. Marcos Sandrini, fez a abertura do encontro. Após, os estudantes do curso Técnico em Impressão Gráfica do Centro Profissional Gráfico Salesiano (CPG-S) realizaram a apresentação de uma peça teatral que abordava os jovens, as suas atitudes e escolhas.

P. Libânio iniciou a sua fala dizendo que "o jovem, cada vez mais, se sente diferente no mundo, porque seu corpo cresceu muito rápido". Explicou a diferente da dimensão explorativa e projetiva, traçando um comparativo entre os jovens de hoje e da geração anterior e o que cada uma significava dentro do seu contexto.

"A dimensão explorativa é muito forte no jovem. Então, a natureza colocou no jovem a dimensão projetiva, que acaba controlando, reduzindo a dimensão explorativa. Viu como a natureza é sábia?", indagou o palestrante.

De acordo com o P. Libânio, "o uso do computador tira o uso da dimensão projetiva e traz o imediatismo". Essa afirmação introduziu uma discussão sobre os relacionamentos, tanto afetivos quanto de amizades. "Há uma troca da felicidade sólida, permanente, pela felicidade de momento, que não se prolonga. Os jovens valorizam muito mais o presente, o agora".

Explicou o significado da palavra namoro: "dentro dela existe a palavra amor, que quer, faz e é eternidade". Ele ainda questionou as relações pela Internet que hoje são fácies de ter e de terminar, ou seja, efêmeras. Para ele, "a ideia de que a felicidade é algo que construo está desaparecendo".

Ao final da explanação, os participantes, que lotaram o auditório da Faculdade, puderam fazer perguntas. No meio de uma das respostas, P. Libânio esclareceu: "quando falo de juventude, não falo da questão biológica apenas. Há muito homem de 40 anos com atitudes juvenis".

No encerramento, todos cantaram a música "Juventude, o mesmo rosto", de Jorge Trevisol. E, após o canto, um jovem, em nome de todos os presentes, proferiu algumas palavras de agradecimento ao P. Libânio. 

sábado, 16 de abril de 2011

Montado num jumentinho, o messias pobre e desarmado

CEBI

 - Mesters, Mercedes Lopes e Orofino

Quinta-feira, 14 de abril de 2011 - 13h35min
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(extraído do livro Travessia: quero misericórdia e não sacrifício, de Carlos Mesters, Mercedes Lopes e Francisco Orofino. Pedidos: vendas@cebi.org.br )

Introdução
Jesus termina a viagem e chega em Jesuralém, onde se darão os acontecimentos mais importantes da sua vida. Ao entrar na cidade, ele realiza três gestos simbólicos que revelam sua identidade messiânica:
1 . Entra montado num jumentinho que, conforme as profecias, era a característica do rei justo, pobre e desarmado (Mt 21,1-11).
2. Entra no Templo, expulsa os vendedores e denuncia a hipocrisia do comércio dos animais para os sacrifícios (Mt 21,12-17).

Conheça o livro!
3. Amaldiçoa a figueira para expressar sua crítica contra o povo de Israel, por ele não ter produzido frutos de justiça (Mt 21,18-22). Quando Jesus entra em Jerusalém, a cidade fica agitada e se pergunta: "Quem é este?" (Mt 21,10). A multidão respondia: "E o profeta Jesus de Nazaré, da Galiléia" (Mt 21 , 11).
A palavra usada por Mateus para descrever a reação da cidade era usada também para descrever os tremores de terra. Esta reação da cidade e da multidão nos dá urna chave para entender o que estava acontecendo nas comunidades para as quais Mateus escrevia o seu evangelho. Os fariseus e os chefes da sinagoga se agitavam, reagiam contra os seguidores de Jesus e se recusavam a aceitá-lo como Messias. No entanto, a multidão, as pessoas simples o identificavam como o profeta anunciado por Moisés (Dt 18,15.18), em total continuidade com a história e as esperanças de Israel.
Comentando o texto
1 . Mateus 21,1-5: O messias pobre e desarmado.
A cena da entrada de Jesus em Jerusalém revela a sua identidade como Messias pobre e desarmado. Jesus mesmo toma as providências para entrar na cidade montado num jumentinhho, o transporte dos pobres daquela época. Ao narrar este episódio, Mateus se inspira na tradição profética. Para dar à cena o sentido do cumprimento da profecia, ele cita literalmente o texto de Zacarias 9,9: "Dizei à Filha de Sião: eis que o teu rei vem a ti. Ele é manso e está montado num jumento, num jumentinho, cria de um animal de carga!"
2. Mateus 21,6-7: Acolher Jesus tal como ele se revela e se apresenta
Os discípulos são encarregados de preparar o animal para a entrada de Jesus na cidade. Eles vão e fazem exatamente como Jesus mandou. Por trás desta narração tem um recado para as comunidades: verdadeiro discípulo é aquele que aceita Jesus do jeito que ele é e quer ser, e não do jeito que elas gostariam que ele fosse. Se Jesus se fez Messias pobre e desarmado, não podem fazer dele um messias glorioso e poderoso.
3. Mateus 21,8-9: Eles queriam um grande rei
A multidão reage entusiasmada, estendendo seus mantos no chão para Jesus passar, e grita: "Hosana ao Filho de Davi !" Eles reconhecem em Jesus o Messias, o descendente do rei Davi. "Eles queriam um grande rei, que fosse forte e dominador!" Jesus não apreciava muito este título de "Filho de Davi" e chegou a questio¬ná-lo (Mt 22,41-46). Pelo seu jeito de entrar na cidade sentado num jumentinho, ele estava dizendo que a sua maneira de ser rei era diferente.
4. Mateus 21,10-11: Quem é este?
A entrada de Jesus em Jerusalém questiona o povo da cidade. Ela fica abalada, agitada e se pergunta: "Afinal, quem é este que a multidão acolhe como rei messiâ¬nico? Por que ele vem como um pobre?"
Alargando o texto
1. As várias imagens de Messias
A causa do desencontro entre Jesus e o povo tinha a ver com a esperança messiânica. Havia entre os judeus uma grande variedade de expectativas. De acordo com as diferentes interpretações das profecias, havia gente que esperava um Messias Rei (Mt 27,11). Outros, um Messias Santo ou Sacerdote (Mc 1,24). Outros, um Messias Guerrilheiro subversivo (Lc 23,5; Mc 15,6; 13,6-8). Outros, um Messias Doutor (Jo 4,25). Outros, um Messias Juiz (Lc 3,5-9; Mc 1,8;). Outros, um Messias Profeta (Mt 21,11). Ao que parece, ninguém esperava o Messias Servo, anunciado pelo profeta Isaías (Is 42,1 ; 49,3; 52, 13). Eles não se lembraram de valorizar a esperança messiâ¬nica como serviço do povo de Deus à humanidade. Cada um, conforme os seus próprios interesses e conforme a sua classe social, aguardava o Messias, livrinho na mão, querendo encaixá-lo na sua própria esperança. Por isso, o título Messias, dependendo da pessoa ou da posição social, podia significar coisas bem diferentes. Havia muita mistura de idéias!
2. Os ramos na festa da entrada de Jesus
Hoje celebramos a entrada de Jesus em Jerusalém com ramos. A origem desta aclamação vem da Festa das Tendas, que era realizada no outono, depois da colheita (Dt 16, 13; Lv 23,34). Ela lembrava o tempo em que o povo israelita fazia sua caminhada pelo deserto (Lv 23,43), morando em tendas. Por isso, durante uma semana, eles recolhiam ramagens e formavam tendas por toda parte (Ne 8, 14-17). O povo agitava os ramos e dizia: "Bendito o que vem em nome do Senhor" . E os sacerdotes respondiam: "Da casa de Javé nós vos abençoamos" (Sl 118,25-27). A Festa das Tendas era um momento de alegria e de louvro, que mantinha a identidade do povo e lhe dava resistência.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Brinco Dourado

Poesia de Ir. Cristina, FMA.


Quando o silêncio irrompeu altivo
E o recinto esvaziado foi
Encontrei no canto da sala recolhido e sóbrio
O velho intacto brinco dourado
Uma antiga jóia guardada
Presente de minha avó amada
Que eu esfumacei da lembrança

A antiga jóia não mais polida
Repousava solitária no empoeirado porta-jóias da emoção
No canto escuro da consciência
No aposento escondido do esquecido.
Ao passar distraída
Quebrei a tampa da caixa antes perdida
E me feri com os estilhaços amados

Banhada em sangue vertido
A querida jóia esquecida
Emergiu do silêncio, escapou do caos.

Recupero a beleza escondida
Dessa jóia querida
Que são os sonhos da vida
E mesmo que a mantenha escondida
Com a alma em cacos dividida
A antiga jóia não mais polida
Brilha ainda que empalidecida
Brilham os sonhos que guardei no porta-jóias
Que guardei desde menina.

Comblin, o profeta da ironia afetuosa - Marcelo Barros


CEBI

Quinta-feira, 31 de março de 2011 - 11h03min

Hoje saí da UTI de um hospital de Olinda, no qual me abriram o peito e me recauchutaram o coração fragilizado, com duas pontes de safena. No reencontro com a vida, ainda no leito de uma enfermaria, fico sabendo da partida do padre José Comblin, meu velho professor de Teologia e amigo de tantos anos e companheiro de lutas e esperanças.
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A um teólogo de fama mundial e de projeção pastoral como foi o padre Comblin, não faltarão testemunhos de muitos irmãos e irmãs que com ele conviveram e trabalharam por tantos anos. Eu fui apenas um dos seus alunos em todo o curso de Teologia e nem pertenci ao grupo mais ligado a ele na Teologia da Enxada ou mesmo no instituto de vida missionária que ele animava. Entretanto, fui marcado por sua figura e sua doutrina e tenho algumas experiências próprias que podem ser úteis que agora sejam recordadas. Há pouco mais de uma semana, escrevi um pequeno artigo (Eu me acuso II - sobre a profecia de Comblin) , defendendo a atualidade e a pertinência de sua profecia eclesial e popular. Ele me respondeu com uma breve mensagem de agradecimento e depois me mandou um texto maior explicando suas críticas ao estilo atual do poder na Igreja Católica.
Conheci o padre Comblin quando ele ainda era muito jovem, em 1964. Dom Hélder Câmara, então novo arcebispo de Olinda e Recife, trouxera uma equipe célebre de professores de Teologia. Entre eles estava o padre Comblin que, durante seus primeiros anos no Nordeste, ficou hospedado no mosteiro dos beneditinos. Naqueles anos, justamente, eu entrei no Mosteiro com a ânsia de renovação que motivava minha geração. Apesar de ser o tempo em que o Concílio Vaticano II propunha para a Igreja um novo Pentecostes, a maioria dos monges se apegava às velhas tradições. Apesar de ser muito discreto e viver outras preocupações pastorais, Comblin não deixava de ser irônico e quase sarcástico. E aquilo me atraía. No meu tempo de noviciado, li em francês "O Cristo no Apocalipse" onde se vê um Comblin exegeta e pouco conhecido. Li também, já em português "A Ressurreição", um belo livro da Herder no qual ele, antes do Vaticano II, sustentava que o fato teológico mais marcante para o século XX tinha sido a revalorização teológica e espiritual do mistério pascal e da ressurreição de Jesus.
Um escrito interno levou Comblin ao exílio
Quando comecei a fazer Teologia no Seminário de Camaragibe, ele era o coordenador do curso. Na minha juventude, eu o achava contraditório. De um lado, ele ensinava uma teologia profunda, mas tradicional (não tradicionalista) e eu compreendia pouco isso. Esperava dele intuições inventivas e estas não apareciam, ao menos para mim. Sei que, neste tempo, ele produziu obras impressionantes como Théologie de la Paix, Théologie de la Ville e um estudo sobre Catolicismo Popular no Brasil. Mas, na época, não tive acesso a estas obras. Suas aulas eram dadas em um tom monocórdio, só interrompidas aqui e ali pelas risadas de alunos que festejavam as ironias do Comblin, aparentemente demolidoras, mas no fundo construtivas. Mais tarde, em 1968, o Instituto de Teologia do Recife nomeia uma equipe de três professores e três alunos para elaborar uma proposta de nova temática e nova metodologia teológica. O coordenador da equipe era Comblin e eu fazia parte dos três alunos que tinham de discutir com ele as propostas dos alunos. Eu tinha a sensação de que ele mal nos escutava, mas me surpreendi quando, depois de muitos debates ácidos, ele assumiu nossas propostas e estas foram, em sua maioria, implementadas. No mesmo ano, um escrito interno com o qual Comblin preparava a conferência episcopal de Medellin e propunha uma revolução social, extravasou para a imprensa. Ele que tinha ido a Europa foi proibido pela ditadura militar de voltar ao Brasil. Quando lhe perguntaram quem poderia, até o final do ano, coordenar o seu curso de Teologia dos Sacramentos, (estávamos em agosto), tive a surpresa e o orgulho de saber que ele escolhera o meu nome. Eu era apenas um dos alunos da classe do terceiro ano. A partir daí, sim, eu o assumi como um mestre de vida e procurava ler e estudar tudo que ele escrevia. A partir de então, descobri como ele inovava sua doutrina. Seu livro em dois volumes "Teologia da Revolução" foi meu batismo nos caminhos do que depois chamaríamos teologia da libertação. Nos anos 70, ele estava fora do Brasil e tivemos poucos contatos.
Mais aberto à medida que seus anos avançaram
Nos anos 80, o reencontrei mais velho e o achei mais aberto e comunicativo, sempre muito atento aos amigos. Um homem fiel às amizades e às relações. Era um intelectual de erudição raríssima, capaz de dissertar sobre Teologia, Política, Bíblia, Economia e muitos outros assuntos com uma competência incrível, ao mesmo tempo que punha em prática sua visão de uma teologia popular e seu carinho por um instituto para formar padres, missionários/as e religiosos /as que viessem do campo e não precisassem sair do meio rural.
Algumas discussões com ele nortearam-me a vida. Por exemplo, a tentativa de libertar a Teologia cristã de sua base helenista (filosófica grega) ainda muito forte em nossa Igreja. Também, me impressionavam sempre a sua capacidade de criticar livremente a estrutura monárquica e absolutista do Vaticano. Mesmo um interesse imenso por uma vida religiosa mais popular e mais inserida, menos centrada nas estruturas das congregações. Nos últimos anos em que vivi no mosteiro de Goiás, sempre passou a Páscoa conosco. No Brasil, temos a graça de contar com teólogos e teólogas dos mais abertos e criativos do mundo, mas a contribuição própria do padre Comblin tem sido sempre a de uma liberdade interior de dizer o que pensa e ser um profeta crítico e irônico sempre capaz de lera história e as estruturas eclesiásticas a partir dos empobrecidos e das grandes causas da América Latina. Em 2006, com Dom Tomás Balduíno e com ele, fomos observadores internacionais das eleições presidenciais da Venezuela e, bem mais do que outros companheiros, eu o vi muito aberto ao bolivarianismo. Quem o conheceu de perto sabe que sua ironia era profunda, mas não era de ruptura e sim de afeição.
Como poucas pessoas, é o caso de Dom Helder Câmara, Comblin conseguiu ser cada dia mais aberto e crítico à medida que seus anos avançaram. Que sua herança teológica e profética seja por nós mantida e continuada.

Monge beneditino, membro do CEBI, Marcelo Barros é autor de:

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Nutricionista

Preciosos leitores, preciosas leitoras:

Vocês já sabem que o que encontro de bom, não só textos, notícias, poesias, mas também outras indicações importantes, eu publico aqui.




Gostaria de recomendar e indicar o blog e o trabalho, se for o caso, dessa talentosa jovem Julhana. No blog dela você encontrará várias dicas saudáveis, como como o contato dela para trabalhos.

Eis o endereço: www.julhana-pohlmann.blogspot.com

Abração!

BBB ignora recomendações do Ministério Público

BBB é um grande desserviço, critica MPF (*)


Terra Magazine - A CNBB fez um apelo ao Ministério Público, pedindo "uma atenção mais acurada no acompanhamento e adequadas providências em relação à programação televisiva". A entidade vai responder ao pedido da CNBB?
Aurélio Rios - Primeiro, concordamos inteiramente com a CNBB no sentido de que ao Ministério Público cabe o acompanhamento destes conteúdos programáticos, especialmente, dentro da ideia de que isso fere direitos humanos, sobretudo, das crianças e dos adolescentes. A PFDC está de acordo com o conteúdo da nota. Nós temos, sim, este papel de fiscalizar, como estamos fazendo. Mandamos uma recomendação específica para a Rede Globo.

TM - Esta recomendação foi aquela encaminhada em dezembro passado, na qual a procuradoria pedia para que fossem respeitados na 11ª edição Big Brother Brasil os direitos constitucionais. A emissora tinha prazo de 30 dias para responder. A recomendação foi respondida?
AR - A emissora não respondeu e estamos reiterando o ofício, pedindo, inclusive, providências a respeito disso. O primeiro deles é que fosse observada a autorregulamentação dirigida às próprias emissoras, especialmente, em relação a esse reality show chamado Big Brother Brasil. Achamos que é um grande desserviço e serve muito à deseducação. Não estimula a criação, o princípio de solidariedade, os valores éticos da pessoa e da família.

TM - Na edição anterior do Big Brother, foram mais de 400 denúncias contra a atração. O Ministério Público pretende tomar alguma providência em relação à edição atual?
AR - Na verdade, já estamos tomando várias providências. Há várias iniciativas de procuradores da República em todos os Estados. O que nós, na PFDC, estamos fazendo é centralizando as informações, de modo que possamos ter uma atuação mais integrada. Obviamente, não só em relação à emissora TV Globo, como em relação a todas as outras, porque os reality shows, infelizmente, se disseminaram nas emissoras de canal aberto. Isso tem sido uma preocupação de todos os procuradores da República que atuam na defesa dos direitos humanos, especialmente, na defesa da criança e do adolescente.

TM - Como o Ministério Público interpretou o fato de a TV Globo não ter respondido à recomendação?
AR - Na nossa opinião, o prazo já foi vencido. Vamos pedir justificativa sobre porque não foi respondido e sobre porque não foi tomada nenhuma providência. No caso de uma recomendação, não há uma penalidade, mas eu entrei com um mandado de segurança para que as crianças e adolescentes do Acre, de Rondônia, do Amapá, do Amazonas pudessem também ter respeitada sua faixa etária. Especialmente no horário de verão, programas que são próprios para a transmissão às 22h estavam passando às 19h nesses Estados. Um horário em que, muitas vezes, os pais não estão em casa e não têm como desligar a televisão.
Este mandado de segurança foi deferido por unanimidade pelos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Então, já há uma ordem em relação ao Ministério da Justiça para que seja obedecida a classificação indicativa, independentemente do fuso horário, porque programas como esse Big Brother não são indicados para menores de 14 anos.

TM - O MPF tem fiscalizado a atual edição do BBB? Observaram se há ou não a ocorrência dos mesmos problemas verificados nas edições anteriores?
AR - Qualitativamente, não mudou nada. Estamos confirmando uma dificuldade de entendimento em relação às emissoras, especialmente, as de canal aberto. Isso terá alguma consequência. Temos um grupo específico que tem trabalhado com a questão da classificação indicativa. Há também uma preocupação com os conteúdos programáticos, o que não significa censura prévia, qualquer intervenção dentro do meio, mas apenas uma forma de ressalvar os direitos das crianças e dos adolescentes e das famílias, dos pais que estão realmente atormentados com sua falta de defesa com relação a esse baixíssimo nível no conteúdo apresentado.
Tanto não estamos com nenhum viés de censura prévia que achamos que esses programas deveriam passar, mas depois da meia-noite, e não na hora que passam e sem respeitar o fuso horário. Obviamente, o melhor dos mundos seria as próprias emissoras fizessem as correções de conteúdo. São realmente programas de baixíssimo nível e sem nenhum conteúdo pedagógico.
Compreendo que, dentro da liberdade de expressão, não é tudo que achamos necessário, moralmente aceitável que deva ser divulgado pela televisão. Compreendo que até coisas que nos pareçam asquerosas ou inaceitáveis possam passar, mas isso em horários bastante restritos. Acho que o grau de apelação é incompatível com a classificação indicativa. Achamos que, inclusive, essa classificação deveria aumentar de escala.

TM Qual deveria, na opinião do senhor, ser a classificação indicativa do BBB?
AR - Na minha opinião, apenas a minha opinião, não deveria ser para 14 anos, mas para 18 anos. Vamos lutar para que haja, por parte das emissoras, mudança de conteúdo. Se não houver mudança, vamos lutar para que a classificação indicativa seja realmente destinada apenas a maiores de 18 anos e, em qualquer situação, que seja respeitado o fuso horário quando houver uma classificação indicativa.

(*) Entrevista do subprocurador-geral da República, Aurélio Rios, responsável pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) à jornalista Ana Cláudia Barro do site Terra Magazine

FONTE: http://midiacidada.blogspot.com/2011/02/bbb-ignora-recomendacoes-do-ministerio.html

terça-feira, 29 de março de 2011

Se você quer ser melhor...



Se você quer ser uma pessoa melhor comece pelas pequenas coisas do quotidiano. São Francisco de Sales por diversas vezes em seus escritos nos ensina isso. Você pode dizer que nunca poderá ser uma pessoa perfeita, eu concordo. Mas é possível ser uma pessoa melhor. É possível chegar perto da perfeição. Um exercício salesiano para isso é o de todos os dias fazer exame de consciência e, “pegando-se nas mãos”, perceber comportamentos e palavras que não foram legais durante o dia. A espiritualidade salesiana sugere dois momentos para o exame de consciência: ao meio dia e à noite, antes de dormir. Fazendo isso sempre e com o compromisso de não repetir mais os comportamentos e palavras que causaram mal estar pessoal ou a terceiros, aos poucos poderá perceber em você o quanto tem progredido no seu interior e quantos frutos aparecerão em seu exterior: nas relações interpessoais. Vale repetir que se comece pelas pequenas coisas. Vou dar um exemplo de um episódio da vida de São Francisco de Sales que pode ajudar: Certa vez este santo estava num quartel e certo soldado soube da presença dele lá. Como tinha ouvido falar da fama de santidade de Francisco de Sales, foi até ele. Assim que entrou no lugar onde estava Francisco, o soldado fechou a porta batendo forte a mesma. Ele indagou Francisco: “Como faço para ser uma pessoa melhor?” Francisco de Sales respondeu: “Comece por não bater mais a porta”. Ou seja, em nossa maneira de ser e agir nos detalhes, usando de delicadeza nas coisas simples da vida, podemos alcançar um grau maior de perfeição. Muitas vezes ocorre de pensarmos que seremos pessoas melhores começando nas grandes coisas. Ledo engano: devemos começar pelas pequenas coisas da vida. O contrário de virtude é o vício. Procure cultivar virtudes. Elas vão deixar você uma pessoa melhor, mais querida com as demais. Por exemplo, as virtudes da paciência, do bom senso, da alegria, da simpatia, da bondade, da mansidão, do bom atendimento e assim por diante.
Para encerrar nosso assunto, gostaria de salientar que a dimensão da humildade é extremamente importante nesse processo. O orgulho, e a arrogância, poder ser grandes barreiras que nos impedem de sermos pessoas melhores e, assim, mais felizes e com uma maior qualidade de vida. Comece hoje e recomece quantas vezes forem necessárias! Você pode. Você merece!
*Convite: Você tem interesse em conhecer melhor a espiritualidade salesiana? Nos envie um e-mail para: espiritualidadesalesiana@hotmail.com Assim que tivermos um certo número de pessoas interessadas, podemos marcar um encontro e formarmos um grupo para nos encontrarmos uma vez por mês para juntos crescermos no amor a Deus, às pessoas e à natureza. Envie agora seu e-mail. A espiritualidade salesiana é uma espiritualidade do quotidiano.
** Meu Abraço salesiano vai para: As coordenadoras de catequese das comunidades da área de Cachoeirinha, onde assessorei um curso dia 26 de março. E também para o povo da Comunidade Santa Rosa de Lima no Jari, aqui de Viamão, onde exerço parte de minha missão de consagrado.
Deus seja bendito!
Até a próxima edição!

(Publiquei aqui de modo antecipado este meu texto que sairá na edição 16 do Jornal de Viamão. Para ler a coluna da edição 15, eis o site: http://www.jornaldeviamao.com.br/edicaoimpressa/ -Ler na página 10).

segunda-feira, 28 de março de 2011

Falece José Comblin

* Reproduzo aqui nota publicada no site da ESTEF (http://www.estef.edu.br/site/noticias/ver/falece-jose-comblin)



José Comblin morreu nesta madrugada, em Salvador, na Bahia, aos 88 anos.
Ele nasceu no dia 22 de março de 1923, na Bélgica. Desde 1958 trabalhava no Brasil, especialmente em Pernambuco, na Paraíba e na Bahia.Padre Comblin estava em tratamento médico na capital baiana. Foi encontrado morto, sentado, em seu quarto, quando era esperado para a oração da manhã e não apareceu na capela. Ele tinha problemas cardíacos e usava marcapasso. Apesar da doença, parecia bem disposto e estava trabalhando.Ele veio para o Brasil em 1958, atendendo a apelo do papa Pio XII, que no documento Fidei donum (O Dom da Fé) pedia missionários voluntários para regiões com falta de sacerdotes.Depois de trabalhar em Campinas e, em seguida, passar uma temporada no Chile, foi para Pernambuco, em 1964, quando d. Helder Câmara foi nomeado arcebispo de Olinda e Recife. Perseguido pelo regime militar, foi detido e deportado, em 1972, ao desembarcar no aeroporto de volta de uma viagem à Europa.
José Comblin participou do primeiro grupo da Teologia da Libertação. Esteve na raiz das equipes de formação de seminaristas no campo em Pernambuco e na Paraíba (1969), do seminário rural de Talca, no Chile (1978) e, depois, na Paraíba, em Serra Redonda (1981). Estas iniciativas deram origem à chamada Teologia da enxada.Além disso, esteve na origem da criação dos Missionários do Campo (1981), das Missionárias do Meio Popular (1986), dos Missionários formados em Juazeiro da Bahia (1989), na Paraíba (1994) e em Tocantins (1997).
É autor de inúmeros livros, dentre eles A ideologia da segurança nacional: o poder militar na América Latina (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978).

domingo, 27 de março de 2011

Encontro de formação em Cachoeirinha

No sábado dia 26 de março de 2011 estive assessorando um encontro de formação para as/os coordenadores de grupos de catequese da área de Cachoerinha RS. O encontro ocorreu na Igreja São Vicente de Paulo. Foi um momento muito legal. Gostei muito do grupo. Num tempo chuvoso, propício para ficar em casa, essas pessoas generosas e apaixonadas pelo Reino consagraram a tarde para se qualificarem um pouquinho mais para servir melhor o Reino no ministério da coordenação da Catequese em suas comunidades.

O tema foi: "A missão da coordenação da Catequese". Conversamos um pouco sobre isso focando Jesus como modelo de líder e apoiado nos documentos da CNBB que tratam sobre a temática. Ajudado também por textos entregues e por mensagens em power point e um vídeo motivacional, creio que o objetivo do encontro foi atingido.

Uma dimensão bastante salientada foi a do cultivo de uma vida íntima com Deus através da oração e da leitura da Bíblia. "Ningém pode falar de Deus, sem antes falar COM Deus". A virtude da humildade, dos serviço e do perdão, também foram pontos fortes do encontro.

Deixo aqui esse registro como forma de homenagem e gratidão as estas pessoas maravilhosas e solidárias para com as necessidades de nosso povo.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Sugestão de blog

Navegando pelo mundo dos blogs, encontrei este muito bom a qual indico à vocês: http://dnonato.blogspot.com
Abraços!

quarta-feira, 23 de março de 2011

Algumas palavras de São Francisco de Sales sobre a quaresma





"A quaresma é o outono da vida espiritual, durante o qual colhemos os frutos para todo o ano. Enriqueçam-se com esses tesouros preciosos que ninguém lhes pode roubar nem fazer com que estraguem. Estou acostumado a dizer que não aproveitamos bem a quaresma se não nos empenharmos ao máximo. Passemos esta, pois, como se fosse a última, e tiraremos um bom proveito. Assistam aos sermões. Palavras santas, pois, são pérolas que a misericórdia divina nos proporciona." (S. Francisco de Sales - Cartas 329; O.C. XIII, p. 144)

terça-feira, 22 de março de 2011

Talento do vicariato de Gravataí (PJ): Paula Neves

Pessoal, ao longo da minha caminhada de religioso consagrado minhas áreas de trabalho foram diversas. Não me envolvi com a PJ. Mas admiro e sempre vou apoiar. Olha, navegando pelos sites relacionados encontrei um talento que não conhecia e não conheço pessoalmente, mas vi pelos vídeos e agora apresento aos meu leitores e leitoras. Postem seus cometários. Talento é para ser mostrado.
Parabéns Paula. Está colocando à serviço os dons recebidos!

Poema do amigo aprendiz

Relembro o belo poema de Pe. Zezinho, SCJ sobre amizade... Abraços!



Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...

sábado, 19 de março de 2011

Quaresma e Campanha da Fraternidade 2011 (II)



Quaresma é o tempo litúrgico que precede a Páscoa do Senhor. Sim, este tempo bonito da liturgia nos leva, sobretudo, a fixar o olhar na Páscoa do Senhor. Páscoa é tempo de vida, de alegria, de ressurreição.

Durante a quaresma a Igreja nos exorta a vivermos mais intensamente a vida cristã. Para isso, nos é proposto alguns exercícios quaresmais tal como a oração, o jejum, a penitência, mas, sobretudo a virtude da caridade fraterna. E a cada ano a Igreja pensa num tema bem específico para vivenciarmos. Tema sempre relacionado à nossa vida. É o tema da CF. Neste ano o tema é: Fraternidade e a vida no Planeta. E o lema: “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22).

Desde a criação do mundo a natureza vem sendo ferida pela ação humana. Quando Deus criou o universo, ele o criou com muito amor pensando em nós. São tantos detalhes importantes presentes neste imenso universo que nós nem nos apercebemos. Mas tudo foi criado harmonicamente. E nós fomos por Deus colocado neste jardim esplêndido que é o planeta terra para que aí, num relacionamento harmônico com tudo e com todos os que nos circundam, pudéssemos viver bem felizes. E na medida em que vivemos em harmonia com Deus, com o próximo, conosco mesmos e com a natureza à nossa volta, estamos em condições de experimentarmos profundamente a felicidade de Deus. Em todas as páginas da Bíblia encontramos algum vestígio deste princípio. A Bíblia toda fala deste gigante universo e de tudo o que há nele: o céu, a terra, o sol, a chuva, o frio, o calor, a geada, a neve, o relâmpago, os trovões, as florestas, os animais, as aves, as águas, os peixes, o dia e a noite, as montanhas e as planícies, o mar, as pedras e os rios. O próprio Jesus ao falar sobre as realidades transcendentes fala da oliveira, da videira, da figueira, do trigo, das pérolas, da mostarda, dos pássaros e das flores. Enfim, usa da paisagem natural à sua volta para dizer sobre as coisas do céu. Então, só podemos ser perfeitamente felizes se tivermos um afável relacionamento com a vida no planeta.

A CF deste ano vem nos chamar gravemente a atenção para este ponto nevrálgico: o aquecimento global e as mudanças climáticas. Estes são, na verdade, sinais de alerta a nos dizer que não estamos cuidando bem deste jardim de Deus, onde tudo, funcionado perfeitamente, colabora para a nossa qualidade de vida, para a nossa felicidade.

Juntamente com os exercícios quaresmais, queremos que o tema da CF nos ajude a atingir o objetivo geral desta Campanha: “contribuir para a conscientização das comunidades cristãs e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas, e motivá-las a participar dos debates e ações que visam a enfrentar o problema e preservar as condições de vida no planeta”.

Sim, queridos irmãos e irmãs, o tema que vamos rezar nesta quaresma é um assunto vital. Tornemo-nos missionários deste anúncio. Com nosso testemunho e palavras ajudemos na divulgação desta verdade: “A temperatura futura do planeta terra, se quisermos que seja favorável ao desenvolvimento normal da vida humana, vai depender de nosso modo de produzir e consumir, enfim, do modo de nos relacionar com a terra”. “se nos tornamos inimigos da cama não podemos dormir; se nos tornamos inimigos da terra não podemos viver” (Dom Celso).

Que Maria, a Mãe de Jesus, que transformava em vida toda Palavra de Deus que meditava e guardava em seu coração, nos acompanhe neste caminho quaresmal para que nós também, acolhendo a Palavra de Deus em nossas celebrações e o Tema: “Fraternidade e a vida no Planeta”, nos empenhemos em busca da vida e de sua justa manutenção e não nos cansemos de cultivar e de cuidar deste nosso planeta, o jardim que Deus, Pai amoroso, nos deu para nele vivermos em paz e que hoje requer o socorro dos autênticos filhos de Deus.

quarta-feira, 16 de março de 2011

O Ministério Público Federal apoia CNBB





O Ministério Público Federal apoiou a nota divulgada na última quinta-feira (17) pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em que a entidade condenava o "baixo nível moral" dos reality shows.



O subprocurador-geral da República, Aurélio Rios, que está respondendo interinamente pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), informou a Terra Magazines que "há várias iniciativas de procuradores da República em todos os Estados" em relação ao Big Brother Brasil, um dos principais alvos das críticas.
- Achamos que (a atração) é um grande desserviço e serve muito à deseducação. Não estimula a criação, o princípio de solidariedade, os valores éticos da pessoa e da família - afirma o procurador, que acha inapropriada a classificação indicativa do reality show.
- Na minha opinião, apenas a minha opinião, não deveria ser para 14, mas para 18 anos.


Na nota, a CNBB exortou "a todos no sentido de se buscar um esforço comum pela superação desse mal na sociedade, sempre no respeito à legítima liberdade de expressão, que não assegura a ninguém o direito de agressão impune aos valores morais que sustentam a Sociedade". A entidade fez ainda um apelo ao Ministério Público, pedindo "uma atenção mais acurada no acompanhamento e adequadas providências em relação à programação televisiva".


Em dezembro de 2010, a PDFC encaminhou à diretoria da Rede Globo de Televisão recomendação para que fossem respeitados, na 11ª edição Big Brother Brasil, os direitos constitucionais.
O documento, uma espécie de alerta, foi motivado por reclamações direcionadas a outras edições do reality show. Para se ter uma ideia, só BBB10 foi alvo de 400 denúncias, como homofobia, incitação à violência, apelo sexual, inadequação no horário de exibição e violação da dignidade da pessoa humana.
Na recomendação, a PFDC pedia que a TV Globo adotasse "medidas preventivas necessárias para evitar a veiculação de práticas de violações de direitos humanos, tais como tratamento desumano ou degradante, preconceito, racismo e homofobia".
De acordo com Rios, a emissora, que tinha prazo de 30 dias para responder à solicitação, ainda não se manifestou.
-Vamos pedir justificativa sobre porque não foi respondido e sobre porque não foi tomada nenhuma providência.
Confira a entrevista.


Terra Magazine - A CNBB fez um apelo ao Ministério Público, pedindo "uma atenção mais acurada no acompanhamento e adequadas providências em relação à programação televisiva". A entidade vai responder ao pedido da CNBB?


Aurélio Rios - Primeiro, concordamos inteiramente com a CNBB no sentido de que ao Ministério Público cabe o acompanhamento destes conteúdos programáticos, especialmente, dentro da ideia de que isso fere direitos humanos, sobretudo, das crianças e dos adolescentes. A PFDC está de acordo com o conteúdo da nota. Nós temos, sim, este papel de fiscalizar, como estamos fazendo. Mandamos uma recomendação específica para a Rede Globo.
Esta recomendação foi aquela encaminhada em dezembro passado, na qual a procuradoria pedia para que fossem respeitados na 11ª edição Big Brother Brasil os direitos constitucionais.

A emissora tinha prazo de 30 dias para resonder.
A recomendação foi respondida?

A emissora não respondeu e estamos reiterando o ofício, pedindo, inclusive, providências a respeito disso. O primeiro deles é que fosse observada a autorregulamentação dirigida às próprias emissoras, especialmente, em relação a esse reality show chamado Big Brother Brasil. Achamos que é um grande desserviço e serve muito à deseducação. Não estimula a criação, o princípio de solidariedade, os valores éticos da pessoa e da família.

Na edição anterior do Big Brother, foram mais de 400 denúncias contra a atração. O Ministério Público pretende tomar alguma providência em relação à edição atual?

Na verdade, já estamos tomando várias providências. Há várias iniciativas de procuradores da República em todos os Estados. O que nós, na PFDC, estamos fazendo é centralizando as informações, de modo que possamos ter uma atuação mais integrada. Obviamente, não só em relação à emissora TV Globo, como em relação a todas as outras, porque os reality shows, infelizmente, se disseminaram nas emissoras de canal aberto. Isso tem sido uma preocupação de todos os procuradores da República que atuam na defesa dos direitos humanos, especialmente, na defesa da criança e do adolescente.

Como o Ministério Público interpretou o fato de a TV Globo não ter respondido à recomendação?

Na nossa opinião, o prazo já foi vencido. Vamos pedir justificativa sobre porque não foi respondido e sobre porque não foi tomada nenhuma providência. No caso de uma recomendação, não há uma penalidade, mas eu entrei com um mandado de segurança para que as crianças e adolescentes do Acre, de Rondônia, do Amapá, do Amazonas pudessem também ter respeitada sua faixa etária. Especialmente no horário de verão, programas que são próprios para a transmissão às 22h estavam passando às 19h nesses Estados. Um horário em que, muitas vezes, os pais não estão em casa e não têm como desligar a televisão.

Este mandado de segurança foi deferido por unanimidade pelos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Então, já há uma ordem em relação ao Ministério da Justiça para que seja obedecida a classificação indicativa, independentemente do fuso horário, porque programas como esse Big Brother não são indicados para menores de 14 anos.

O MPF tem fiscalizado a atual edição do BBB? Observaram se há ou não a ocorrência dos mesmo problemas verificados nas edições anteriores?

Qualitativamente, não mudou nada. Estamos confirmando uma dificuldade de entendimento em relação às emissoras, especialmente, as de canal aberto. Isso terá alguma consequência. Temos um grupo específico que tem trabalhado com a questão da classificação indicativa.

Há também uma preocupação com os conteúdos programáticos, o que não significa censura prévia, qualquer intervenção dentro do meio, mas apenas uma forma de ressalvar os direitos das crianças e dos adolescentes e das famílias, dos pais que estão realmente atormentados com sua falta de defesa com relação a esse baixíssimo nível no conteúdo apresentado.

Ministério Público Federal apoia nota da CNBB em relação a reality shows.

Tanto não estamos com nenhum viés de censura prévia que achamos que esses programas deveriam passar, mas depois da meia-noite, e não na hora que passam e sem respeitar o fuso horário. Obviamente, o melhor dos mundos seria as próprias emissoras fizessem as correções de conteúdo.São realmente programas de baixíssimo nível e sem nenhum conteúdo pedagógico.
Compreendo que, dentro da liberdade de expressão, não é tudo que achamos necessário, moralmente aceitável que deva ser divulgado pela televisão. Compreendo que até coisas que nos pareçam asquerosas ou inaceitáveis possam passar, mas isso em horários bastante restritos. Acho que o grau de apelação é incompatível com a classificação indicativa. Achamos que, inclusive, essa classificação deveria aumentar de escala.

Qual deveria, na opinião do senhor, ser a classificação indicativa do BBB?

Na minha opinião, apenas a minha opinião, não deveria ser para 14 anos, mas para 18 anos. Vamos lutar para que haja, por parte das emissoras, mudança de conteúdo. Se não houver mudança, vamos lutar para que a classificação indicativa seja realmente destinada apenas a maiores de 18 anos e, em qualquer situação, que seja respeitado o fuso horário quando houver uma classificação indicativa.

http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/21546-...o-a-reality-shows

terça-feira, 15 de março de 2011

Segredos da Solidão Habitada

Nova poesia de Ir. Cristina, fma




Enquanto se cala o beijo amargo do silêncio
E o turbilhão do sentimento adormece
A mesa farta se esvazia por completo
E sobra apenas um resto de verdade

É no cálido momento do sem instante preciso
Que a boca cala e os olhos quase cerram-se
Que o resto que sobrou da verdade
Escapa como filetes de água entre os dedos
E mesmo a consciência mais pura é capaz de acusar-se

Aqui, no raro instante da consciência indivisa
Não há nem anjos e nem demônios
Só a limpidez dos olhos marejados pela ferida aberta
E um resto de compaixão

Ainda que a alma mais pura
pudesse rasgar o véu e abrir o livro lacrado
Ainda que o fogo adormecesse e só sobrassem cinzas
Ainda que como água ela escorresse dos meus dedos
Ainda sim eu procuraria minha própria verdade.

Uma remota vez, quase perdida no inconsciente
Ouvi um sábio falar
Que deveria sentir o mundo não apenas com o coração
Mas com todas as vísceras
E é assim que eu sinto....e isso talvez me defina

Contorço-me entre passagens de larvas em brasa
E gélidos caminhos de vento e frio
Na corda bamba das vicissitudes
Eu, equilibrista de mim mesma,
Levanto as pálpebras por vezes cansadas
E contemplo a profundidade do silêncio

Na tranquila calmaria
De quem enfim pode ter-se nas mãos
E então olhar-se fundo nos olhos
Capaz agora sou de definir-me:
Dinamismo, fogo, amor e paixão por viver!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Preconceito Linguístico


Essencial para quem trabalha com língua portuguesa. Obra de militância e combate, Preconceito lingüístico chega agora numa versão inteiramente revista e ampliada. Incorporando as discussões e propostas mais recentes das ciências da linguagem e da educação, Marcos Bagno reitera seu discurso em favor de uma educação lingüística voltada para a inclusão social e pelo reconhecimento e valorização da diversidade cultural...

domingo, 13 de março de 2011

ORAÇÃO DO SACERDOTE NUMA TARDE DE DOMINGO


(Texto de Michel Quoist)

Esta tarde, Senhor, estou sozinho.
Na Igreja, pouco a pouco, os ruídos se calaram, Foi-se embora toda a gente,
E eu voltei para casa,
Passo a passo,
Sozinho.
Cruzei com gente que voltava de um passeio.
Passei pelo cinema: vomitava uma pequena multidão.
Vaguei ao longo dos terraços de cafés onde, cansados, os passeadores, tudo faziam
para esticar um pouco mais a alegria de viver de um Domingo de festa.
Esbarrei nos guris que jogavam bola na calçada, Os garotos, Senhor,
Os filhos dos outros, que nunca serão os meus. E aqui estou, Senhor,
Sozinho.
O silêncio me dói
O silêncio me oprime.
Tenho 35 anos, Senhor,
Um corpo feito como os outros corpos, Braços moços para o trabalho,
Um coração reservado para o amor, Mas tudo isto Te dei.
É verdade que de tudo precisavas, Tudo te dei, mas é duro, Senhor.
É duro dar o próprio corpo: ele queria dar-se a outros. É duro amar toda a gente e não possuir ninguém.
É duro apertar uma mão sem poder retê-Ia.
É duro fazer que brote uma afeição, para dá-Ia a Ti.
É duro nada ser para si mesmo, afim de ser tudo para eles. É duro ser com os outros, entre os outros e ser um outro. É duro dar sem cessar, sem procurar receber.
É duro ir ao encontro dos outr0s, sem que jamais alguém venha ao nosso encontro. É duro sofrer os pecados dos outros, sem poder recusar acolhê-Ios e carregá-Ios.
É duro receber os segredos, sem poder compartilha-Ios.
É duro arrastar os outros sem cessar e nunca poder, um instante sequer, deixar-se
arrastar pelos outros.
É duro sustentar os fracos sem poder apoiar-se sobre um forte. É duro estar sozinho.
Sozinho diante de todos ..
Sozinho diante do mundo
Sozinho diante do sofrimento,
Do pecado,
Da morte
Não estás só, meu filho, Estou contigo,
Eu sou tu,
Eu precisava, na verdade, de uma humanidade a mais para eontinuar Minha
Encarnação e Minha Redenção.
Desde toda a eternidade,
Eu te escolhi.
Eu preciso de ti.
Preciso de tuas mãos para continuar a abençoar.
Preciso de teus lábios para continuar a falar.
Preciso de teu corpo para continuar a sofrer.
Preciso de teu coração para continuar a amar.
Preciso de ti para continuar a salvar.
Fica comigo, meu filho.
Senhor, eis me aqui:
Eis meu corpo, Eis meu coração, Eis minha alma.
Faz-me bastante,grande para atingir o mundo. Bastante forte para carregá-lo ..
Faz que eu seja um ponto de encontro, sim, mas ponto de passagem.
Caminho que não prende para si próprio, porque nele não há 'nada de humano a encontrar, nada que não conduza a Ti.
Esta tarde, Senhor, enquanto tudo em volta silencia, dentro do meu coração sinto morder duramente a solidão.
Enquanto meu coração vive longamente sua formas de prazer,
Enquanto os homens devoram a minha alma e eu me sinto impotente para saciá-I os, Enquanto sobre meus ombros pesa o mundo inteiro, com todo o seu peso de miséria e de pecado,
Eu te repito o meu FIAT (SIM).
Não às gargalhadas, mas lentamente, lucidamente, humildemente, Sozinho, Senhor, sob Teu olhar,
Na paz da tarde.

O amor da sua vida




Você deu flores que ela deixou a seco.
Você levou para conhecer a sua mãe e ela foi de blusa transparente.
Você gosta de rock e ela de chorinho.
Você gosta de praia e ela tem alergia a sol.
Você abomina o Natal e ela detesta o Ano Novo. Nem no ódio vocês combinam.
Então? Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado, e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca sua nuca, você derrete feito manteiga.
Ele toca gaita de boca, adora animais e escreve poemas.
Por que você ama este cara? Não pergunte pra mim.
Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes de Woody Allen, dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco.
Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettuccine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo.
Com um currículo desses, criatura, por que diabo está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa.
Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = 2 apaixonados.
Não funciona assim. Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem.
Caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece a razão.
O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Costuma ser despertado mais pelas flechas do cupido do que por uma ficha limpa.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano (o amor é lindo…). Isso são só referências.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC.
Ama-se justamente pelo que o amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família tá assim ó.
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é.
(Cirilo Veloso - colega poeta)

sábado, 12 de março de 2011

Campanha da Fraternidade 2011




Tema: Fraternidade e a Vida no Planeta
Lema: "A criação geme em dores de parto" (Rm 8, 22)

OBJETIVO GERAL

Contribuir para o aprofundamento do debate e busca de caminhos de superação dos problemas ambientais provocados pelo aquecimento global e seus impactos sobre as condições da vida no planeta.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1. Viabilizar meios para a formação da consciência ambiental em relação ao problema do aquecimento global e identificar responsabilidades e implicações éticas.

2. Promover a discussão sobre os problemas ambientais com foco no aquecimento global.

3. Mostrar a gravidade e a urgência dos problemas ambientais provocados pelo aquecimento global e articular a realidade local e regional com o contexto nacional e planetário.

4. Trocar experiências e propor caminhos para a superação dos problemas ambientais relacionados ao aquecimento global.

ESTRATÉGIAS

1. Denunciar situações e apontar responsabilidades no que diz respeito aos problemas ambientais decorrentes do aquecimento global.

2. Propor atitudes, comportamentos e práticas fundamentados em valores que tenham a vida como referência no relacionamento com o meio ambiente.

3. Mobilizar pessoas, comunidades, Igrejas, religiões e sociedade para assumirem o protagonismo na construção de alternativas para a superação dos problemas socioambientais decorrentes do aquecimento global.
Fonte: CNBB