terça-feira, 17 de maio de 2011

A maldição branca

No dia 1º de janeiro de 2004, a liberdade cumpriu dois séculos de vida no mundo. Ninguém reparou, ou quase ninguém. Poucos dias depois, o país do aniversário, o Haiti, passou a ocupar algum espaço nos meios de comunicação; não pelo aniversário da liberdade universal, mas sim porque ali se desencadeou um banho de sangue que acabou despachando o presidente Aristide.
O Haití foi o primeiro país a abolir a escravatura. No entanto as enciclopédias mais difundidas e quase todos os textos escolares atribuem à Inglaterra essa honra histórica. É verdade que um belo dia o império que havia sido campeão mundial do tráfico negreiro mudou de opinião; mas a abolição britânica ocurreu em 1807, três anos depois da revolução haitiana, e foi tão pouco convincente que em 1832 a Inglaterra teve que voltar a proibir a escravatura.
Nada de novo no aviltamento do Haití. Há séculos que é desprezado e castigado. Thomas Jefferson, prócer da liberdade e proprietário de escravos, advertia que do Haití vinha um mau exemplo; e dizia que era preciso "confinar a peste a essa ilha". O país ouviu-o. Os Estados Unidos demoraram sessenta anos a outorgar reconhecimento diplomático à mais livre das nações. Entretanto, no Brasil, chamava-se haitianismo à desordem e à violência. Os donos dos braços negros salvaram-se do haitianismo até 1888. Nesse ano, o Brasil aboliu a escravatura. Foi o último país do mundo.
O Haití voltou a ser um país invisível, até à próxima carnificina.
Enquanto esteve nas pantalhas e nas páginas, no princípio de 2010, os media transmitiram confusão e violência e confirmaram que os haitianos nasceram para fazer bem o mal e para fazer mal o bem. Desde a revolução para cá, o Haití apenas foi capaz de oferecer tragédias. Era uma colonia próspera e feliz e agora é a nação mais pobre do hemisfério ocidental. As revoluções, concluíram alguns especialistas, conduzem ao abismo. E alguns disseram, e outros sugeriram, que a tendência haitiana ao fratricídio provém da herança selvagem que vem de África. O mandato ancestral. A maldição negra, que empurra para o crime e o caos.
Da maldição branca não se falou.
A revolução francesa aboliu a escravidão, mas Napoleão ressuscitou-a:
- Qual foi o regime mais próspero para as colonias?
- O anterior
- Pois então restabeleça-se
E, para reimplantar a escravidão no Haití, enviou mais de cinquenta navios cheios de soldados. Os negros amotinados venceram a França e conquistaram a independência nacional e a libertação dos escravos. Em 1804, herdaram uma terra arrasada pelas devastadoras plantações de cana de açucar e um país queimado pela guerra feroz. E herdaram "a dívida francesa". A França cobrou caro a humilhação infligida a Napoleão Bonaparte. Acabado de nascer, o Haití teve que comprometer-se a pagar uma indemnização gigantesca, pelo mal que fez ao libertar-se. Essa expiação do pecado da liberdade custou-lhe 150 milhões de francos ouro. O novo país nasceu estrangulado por essa corda atada ao pescoço: uma fortuna que actualmente equivaleria a 21.700 milhões de dólares ou a 44 orçamentos totais do Haití dos nossos dias. Muito mais de um século levou a pagar a dívida, que os juros da usura iam multiplicando. Em 1938 chegou, finalmente, a redenção final. Nessa altura já o Haití pertencia aos bancos dos Estados Unidos.
Em troca dessa maquia a França reconheceu oficialmente a nova nação. Nenhum outro país a reconheceu. O Haití nascera condenado à solidão.
Nem sequer Simón Bolivar a reconheceu, ainda que tudo lhe devesse. Barcos, armas e soldados foram-lhe oferecidos pelo Haití em 1816, quando Bolívar chegou à ilha, derrotado, e pediu apoio e ajuda. O Haití deu-lhe tudo, com a única condição de que libertasse os escravos, uma ideia que até então não lhe tinha ocorrido.
Depois, o senhor triunfou na sua guerra de independência e expressou a sua gratidão enviando a Port-au-Price uma espada de presente. De reconhecimento, nem falar.
Na realidade as colónias espanholas que tinham passado a ser países independentes continuavam a ter escravos mesmo que algumas tivessem, aliás, leis que o proibiam. Bolivar ditou a sua em 1821, mas a realidade não se deu por satisfeita, Trinta anos depois, em 1851, a Colômbia aboliu a escravatura; e a Venezuela em 1854.
Em 1915, os marines desembarcaram no Haití. Ficaram dezanove anos. A primeira coisa que fizeram foi ocupar a alfândega e a repartição de cobrança de impostos. O exército de ocupação reteve o salário do presidente haitiano até este se resignar a assinar a liquidação do Banco da Nação, que se converteu em sucursal do City Bank de Nova Iorque. O presidente e todos os outros negros estavam proibidos de entrar nos hotéis, restaurantes e clubes exclusivos do poder estrangeiro. Os ocupantes não se atreveram a restabelecer a escravatura, mas impuseram o trabalho forçado nas obras públicas. E mataram muito. Não foi fácil apagar os focos de resistência. O chefe guerrilheiro, Charlemagne Péralte, cruxificado contra uma porta, foi exibido, como aviso, na praça pública.
A missão civilizadora terminou em 1934. Os ocupantes retiraram-se deixando em seu lugar uma Guarda Nacional, fabricada por eles, para exterminar qualquer possível assomo de democracia. Fizeram o mesmo na Nicarágua e na Repúlica Dominicana. Algum tempo depois Duvalier foi haitiano de Somoza e Trujillo.
E assim, de ditadura em ditadura, de promessa em traição, foram-se somando as desventuras e os anos.
Aristide, o padre rebelde, chegou à prsidência em 1991. Durou poucos meses. O governo dos Estados Unidos ajudou a derrubá-lo, levou-o, submeteu-o a tratamento e uma vez reciclado devolveu-o, nos braços dos marines, à presidência. E de novo ajudou a derrubá-lo, neste ano de 2004, e de novo houve mortandade. E de novo voltaram os marines, que regressam sempre, como a gripe.
Porém os peritos internacionais são muito mais devastadores que as tropas invasoras. País sumbetido às ordens do Banco Mundial e do Fundo Monetário, o Haití obedecia às suas ordens sem tugir. Pagaram-lhe negando-lhe o pão e o sal. Congelaram-lhe os créditos, apesar de ter desmantelado o Estado e ter liquidado todas as taxas aduaneiras e subsídios que protegiam a indústria nacional. Os agricultores de arroz, que eram a maioria converteram-se em mendigos ou balseros. Muitos foram e continuam a ir parar ao fundo do mar das Caraíbas, porém esses náufragos não são cubanos e raras vezes aparecem nos diários.
Agora o Haití importa todo o arroz dos Estados Unidos, de onde os peritos internacionais, que são gente bastante distraída, se esqueceram de proibir as taxas aduaneiras e os subsídios que protegem a produção nacional.
Na fronteira onde termina a República Dominicana e começa o Haití, há um grande cartaz que avisa: O mau passo.
Do outro lado está o inferno negro. Sangue e fome, miséria, peste.
Nesse inferno tão temido, todos são escultores. Os haitianos têm o costume de recolher latas e ferros velhos e com antiga mestria, recortando e martelando, as suas mãos criam as maravilhas que se oferecem nos mercados populares.
O Haití é um país atirado ao vasadouro, por eterno castigo da sua dignidade. Ali jaz como se fosse sucata. À espera das mãos da sua gente.

O Bolsa família de Dilma


Uma das mais importantes decisões do governo Dilma Rousseff está prestes a se concretizar e poucas pessoas estão sabendo. Até o fim de maio, depois de meses de estudos e reuniões (que contaram com a participação ativa da presidenta), o Programa Brasil sem Miséria deverá ser lançado.
A meta é ambiciosa: de agora até 2014, acabar com a miséria absoluta no Brasil, mudando radicalmente a vida de 16,2 milhões de pessoas, sua população-alvo. Em nossa história, nenhum governo havia se colocado em um desafio desse porte.
Pena que algo tão relevante fique em segundo plano nas discussões políticas e nas atenções da mídia. Obcecados com o tema do “retorno da inflação”, ninguém se interessa por outra coisa. Ficamos presos à velha agenda: “Gastos públicos descontrolados”, “fatores de instabilidade” e “limites ao crescimento”.
Enquanto isso, um programa totalmente novo está em gestação. Se der certo, o Brasil sem Miséria vai ajudar a resolver um problema que sempre consideramos insolúvel e revolucionar a nossa sociedade.
É algo que Dilma anunciou na campanha como um de seus principais compromissos, mas que passou quase despercebido. No meio de tantas coisas sem pé nem cabeça que estavam sendo prometidas, é até compreensível que isso tivesse acontecido.
Depois da eleição, uma das tarefas nas quais ela mais se empenhou foi na finalização do programa. A versão que será em breve anunciada tem sua marca pessoal.
Aliás, na hora de escolher o slogan do governo, ela optou pela frase “País Rico É País sem Pobreza”, no lugar do que Lula preferia, “Brasil: um País de Todos”. Ou seja, o novo programa é bem mais que apenas outro na área social.
A ideia é simples de enunciar, mas a concretização é complicada. Como disseram suas responsáveis diretas, a ministra do Desenvolvimento Social e a secretária extraordinária para a Erradicação da Pobreza, em entrevista recente, a premissa do programa é que, para erradicar a miséria, é preciso dirigir aos segmentos mais vulneráveis da população ações que assegurem: 1. A complementação de renda. 2. A ampliação do acesso a serviços sociais básicos. 3. A melhora da “inclusão produtiva”.
Como se pode ver, é muito mais que o Bolsa Família, mas dele decorre. Sem a experiência adquirida nos últimos anos, seria impensável um programa como esse, que exige integração de vários órgãos do governo federal, articulação com estados e municípios e capacidade de administrar ações em grande escala. Além disso, é mais complexo, pois implica desenhar soluções específicas para cada segmento, comunidade ou até família, em vez de lhes destinar um benefício padronizado, por mais relevante que seja.
Com ele, tomara desapareçam duas coisas aborrecidas de nosso debate político. De um lado, a reivindicação de paternidade do Bolsa Família que Fernando Henrique e algumas lideranças tucanas repetem a toda hora. De outro, as opiniões preconceituosas contra programas do gênero, típicas de certas classes médias, para quem transferir renda é uma esperteza que subordina beneficiários e perpetua a pobreza. Daí a dizer que Lula é produto do Bolsa Família é um passo.
O curioso na pendência a respeito de quem inventou o Bolsa Família é que o Bolsa Escola, criado no governo FHC, tem sua origem em algo que nasceu dentro de uma administração petista, a do Distrito Federal, quando Cristovam Buarque foi governador. O que foi implantado em Campinas à época em que o tucano Magalhães Teixeira era prefeito tinha pouco a ver com desempenho ou frequência- -escolar, pré-requisitos do Bolsa Escola.
Discussões como essa perdem sentido ante o novo. Onde estaria seu DNA peessedebista se o Bolsa Escola era algo tão mais limitado e menor? Como insistir no discurso do “Fui eu que fiz?”
Aos críticos do maquiavelismo petista, o Brasil sem Miséria responde com sua concepção inovadora e disposição de fazer. Quem levou o Bolsa Família a ser o que é tem crédito para se propor um desafio dessa envergadura.
Mas o importante mesmo é a perspectiva que se abre de que a miséria seja enfrentada para valer. Essa é uma dívida que o País precisa pagar.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Aniversário de dona Ivone


Com imensa alegria participei sábado (14 de maio de 2011) da festa de aniversário da amiga e companheira dona Ivone. Numa confraternização simples e bonita pude estar presente junto com sua querida família e demais amigos e amigas. Eu não consegui descobrir a idade dela, pois ela não quis revelar...

Dona Ivone é uma companheira de luta em prol dos menos favorecidos, Engajada nas pastorais sociais e da Promoção Humana é para todos nós um alegre testemunho de vida e compromisso cristão.


Nosso agradecimento a Deus mãe pela vida e doação de dona Ivone. Que ela continue firme e forte, com muita saúde e alegria em sua vida e sua missão.

Obrigado dona Ivone pela pessoa maravilhosa que nos é!

sábado, 14 de maio de 2011

O Bom Pastor

Aviso: Se você recebe este texto também por e-mail, lembro que está escrito na cor branca. Leia direto em meu blog o conetúdo: www.dilvano.blogspot.com


É, neste domingo, 15/05/2011, o Domingo de Jesus bom Pastor, isto é, do Pastor Verdadeiro. É o dia de rezar para que na Igreja se multipliquem, em número e qualidade, os bons Pastores a serviço do único Pastor, Jesus nosso Senhor.

Em consonância com a linguagem biblica tradicional, João representa a Igreja como um rebanho de ovelhas reunidas pelo Bom Pastor. Desta representação emergem duas características fundamentais: o vínculo com Jesus e a liberdade do fiel no seio do rebanho. É bastante interessante notar que tais características não só coexistem sem qualquer tensão, mas são mutuamente complementares. Por isso, este vínculo é acentuado sobremaneira de tal forma que a figura não deixa entrever qualquer instituição estabelecida, e o Espírito, que faz a Igreja viver, nem sequer é mencionado. Com efeito, não pode haver Igreja sem relação pessoal e constantemente renovada com Jesus Cristo e, por meio dele, com o próprio Deus.

A fé é o único princípio de organização da Igreja. Certamente a instituição não é negada, mas não pode ser senão a vida de todos em comum com o Cristo, como o revela claramente a alegoria da vinha e do agricultor (Jo 15). A figura destacada do Bom Pastor ressalta, com precisão de contornos, que a liberdade do fiel se funda no seu vínculo com Ele. Com efeito, o Bom Pastor não caminha atrás do rebanho constringindo-o com o seu báculo, mas Ele vai à frente das ovelhas para que elas venham em seu seguimento, na liberdade. Ele não é o redil fechado, mas sim a porta aberta das ovelhas por onde elas entram e saem e encontram pastagem (cf. Jo 10,9). Em contrapartida, é a fé, como ato supremo da liberdade do fiel, que determina a fidelidade no seguimento e consuma, assim, este vínculo fundamental. Isto, evidentemente, não implica a supressão dos sacramentos, mas estes só assumem sua verdadeira significação se são a expressão deste elo essencial.

Há pessoas que se apresentam como representantes de Jesus no desempenho de uma tarefa específica. É o caso do padre. É o caso dos pais, mães, professores, governantes... Nestes encargos sejam eficientes para colaborar com o rebanho do Senhor. Cada um procure ser presença de Jesus Bom Pastor!
Um bom final de semana e boa participação na Eucaristia!


Dillvano, OSFS.


* Meu abraço salesiano à Ir. Cristina, FMA, amiga e fiel leitora deste blog, ao amigo e companheiro Mario Dutra, Diretor do Jornal de Viamão e Carlos  Oliveira, também amigo e companheiro e colunista do já citado nobre Jornal.

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Envio para qualquer lugar do Brasil

sábado, 7 de maio de 2011

Encontro com as mulheres

Nesta tarde, à convite da Pastoral da Promoção Humana, mais uma vez desenvolvi um trabalho (me pediram uma palestra) com o grupo de mulheres. Comecei minha abordagem tratando da dignidade da mulher à luz do livro de Gênesis 1, 27, depois trabalhei outras dimensões à luz das palavras abaixo.




Ser mãe (e pai), num contexto de mudanças


Com a saída da mulher para o mercado de trabalho, muita coisa mudou. Não se sabe até que ponto a família ganhou com essa mudança, principalmente os filhos, que passaram a ter uma formação totalmente diferente de alguns anos atrás, quando a mulher até era a “dona da casa”, também conhecida como “a rainha do lar”.

A família é a base para a formação do caráter das pessoas. Em qualquer época, situação e cultura, ela sempre foi de fundamental importância para que os indivíduos encontrassem seu ponto de equilíbrio e definissem os seus papéis dentro da sociedade. A maneira com que uma pessoa se comporta, suas atitudes e a maneira de se relacionar com os outros depende diretamente do meio familiar no qual foi criada.

Ao longo dos anos, porém, a família vem mudando, ou melhor, as pessoas que dela fazem parte vêm desempenhando papéis diferentes daqueles que nossos pais desempenhavam quando nos criavam.

Trabalho em equipe


O tempo que era totalmente dedicado à administração do lar e à educação dos filhos ficou bastante reduzido, sobrando pouca disponibilidade para o diálogo, tão necessário. Neste ponto também o pai deve, na conjuntura atual, estar mais presente, dividindo com a mãe a complexa tarefa de orientar seus filhos. Ainda mais no mundo de hoje, quando os jovens sofrem tantos apelos da mídia e da sociedade consumista e modista em que vivem.

O papel da mulher como mãe continua o mesmo, de orientação e de criação de seus filhos. Mas a este somam-se tantos outros provenientes da sua posição profissional. Para conseguir dar conta de tantas atribuições e acompanhar essa mudança de papel dentro da sociedade, é necessário que seus companheiros (e também os seus filhos homens) evoluam no sentido de dividir tarefas e entender a importância do trabalho em equipe (por parte de todos os componentes da família, é claro).

Os homens de hoje não podem esperar que as mulheres se comportem como as suas mães, em relação ao convívio com seus pais. As mulheres, por sua vez, não podem criar seus filhos (principalmente os homens) como suas mães faziam.

Os filhos, que agora já não têm mais os cuidados maternos 24 horas por dia, devem preparar-se para uma vida mais independente, aprendendo a se virar desde cedo, mesmo porque, se tiverem irmãs, também mulheres modernas, estas não vão querer dar mole pra marmanjo.

Essa mudança de paradigmas não é fácil para nenhum dos dois (pai e mãe), mas com boa vontade e disposição pode-se encontrar a maneira certa de se conviver de acordo com as novas exigências. Muita coisa já mudou, mas muito ainda precisa mudar. Alguns homens (pais e filhos) já entenderam que é preciso cooperar com as tarefas domésticas, porém a maioria ainda se faz de desentendido ou ainda traz consigo aquela idéia bastante antiga de que só às mulheres competem esses afazeres e o cuidado com os filhos.

Educação diferente


Ao longo dos anos essa situação deve modificar-se e um grande número do gênero masculino deixe o machismo de lado e colabore de forma significativa com suas companheiras e suas mães. As mulheres também podem colaborar na medida em que começarem a educar seus filhos homens de forma diferente e não perpetuando convicções bastante antigas como as que vimos anteriormente. Elas não podem aceitar o que ainda vem acontecendo, em grande escala, nos dias atuais, quando estas têm jornada dupla de trabalho.

E os homens, por acaso, também não deveriam ser donos de suas casas e se sentirem igualmente responsáveis pela manutenção da mesma? Sim, porque quando a mulher não trabalhava fora, cabia ao homem apenas a manutenção no que diz respeito à parte financeira, pois as mães tinham todo o dia disponível para cuidar dos outros aspectos. Agora, quando elas têm as mesmas 24 horas para dividir entre tantas outras ocupações, cabe, como atitude mais plausível, a divisão de tarefas igualmente entre os membros da família, independente do gênero ao qual pertencem.


Ao final, foi entregue a cada mãe uma mensagem sobre esta data e um chocolate, como singela homenagem. 


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Mãe...


Você que me deu o bem mais precioso. “A vida”
Me esperou com tanto carinho.
Me ensinou os primeiros passos.

As primeiras palavras.
As lembranças mais antigas que tenho em você,
È a sua mão segurando a minha para me dar proteção.

Sua voz doce, cantando cantigas de ninar, me fazendo dormir e sonhar.
Um sonho sereno, tranqüilo, sabendo que você estaria ali a me proteger.

Você que lutou, sorriu, chorou.
Mas não deixou a amargura tomar conta de seu coração.
Você que me ensinou a ser homem/mulher, mas continuar com meus sonhos de criança.
A ser forte, sem ser amargo.

Abrir meus caminhos, tomando sempre cuidado com as plantinhas ao redor.

Com você aprendi a ser “gente”
Que respeita “gente”.

Aprendi a ter fé, aprendi a aceitar os defeitos das pessoas.
Aprendi que o amor tem que ser incondicional.

Minhas melhores lembranças, são as que você cria todos os dias...
No amor que sinto em tudo o que você faz.

No brilho do seu olhar.

Mãe, que Deus a proteja sempre, te ilumine, te de forças para continuar sua batalha.
E que eu possa sempre sentir e ter esse amor maior em todos os momentos de minha vida.

Obrigado mãe!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Edelweiss

Poesia de Ir. Cristina, FMA


Eu procurei-te
Delicada Edelweiss
Quando percebi o parto do sol
Procurei-te doce candura minha
Na delicadeza do instante
Com os olhos límpidos e a alma em paz

Quando o vento se faz gelado
E a gente chega a sentir frio de sentido
Explodes de beleza
Mesmo que o sol esqueça a hora do parto
Abre-te realeza minha
Perfuma em beleza a gélida manhã

Faz frio ao teu redor
E eu penso que tudo perdeu vida
Mas encontro-te beleza minha
Nas poucas cores da neblina da manhã
Na doçura do meu sentir
Embora o tempo escorra de meus dedos
Eu ainda aprecio a beleza da flor
A beleza do instante
O beijo do silêncio
Aprecio o olhar límpido da pureza
O trocadilho da saudade
Quando a gente se sente distante estando perto
E muito perto mesmo que um mar imenso nos separe.

Adorável Edelweiss
Beleza que se esconde no alto da montanha
Onde te refugias quando o frio é intenso?
Como estrelas no céu, és brilho e resistência
Por décadas brilhas em mim
Existes tão forte e tão suave
Tão firme e tão doce
É preciso coragem para alcançar-te
Terna exuberância de minha alma
Preciosa minha
Edelweiss





quarta-feira, 4 de maio de 2011

Palestra sobre Juventude com Pe. Libânio (João Batista)

Oi pessoal! 
A correria tem me impossibilitado um pouco de atualizar de modo mais seguido este meu blog. Ufa!  Mas vejam, quero partilhar com vocês sobre a palestra muito legal a qual participei com muitos outros colegas da Teologia.  Além da riqueza da experiência e do conteúdo abordado por este nosso grande Teólogo, foi um momento muito alegre pelo reencontro de pessoas queridas que há muito tempo eu não encontrava, como o Pe. Sandrini (meu nobre professor de Filosofia), sr. Claudio da Rede de Comunidades Santa Cecília, um dos padres que marcou minha infância por seu testemunho alegre e brincalhão, Pe. Renato dos Santos (salesiano). Pe. José Flach e, claro, outras pessoas que vejo de modo mais seguido e que não vou citar nomes porque seria imensa a lista.  Abaixo transcrevo texto da assessoria de Comunicação da Faculdade Dom Bosco sobre o evento. Abraços!
Para onde vai a juventude?

03/05/2011
por Assessoria de Comunicação
Esse foi o tema da palestra ministrada pelo Padre João Batista Libânio, no dia 03 de maio, na Faculdade Dom Bosco de Porto Alegre. Padre Libânio é sacerdote jesuíta, teólogo e autor de diversas obras no campo da Teologia, Juventude e outros temas contemporâneos.

O Diretor da Faculdade, P. Marcos Sandrini, fez a abertura do encontro. Após, os estudantes do curso Técnico em Impressão Gráfica do Centro Profissional Gráfico Salesiano (CPG-S) realizaram a apresentação de uma peça teatral que abordava os jovens, as suas atitudes e escolhas.

P. Libânio iniciou a sua fala dizendo que "o jovem, cada vez mais, se sente diferente no mundo, porque seu corpo cresceu muito rápido". Explicou a diferente da dimensão explorativa e projetiva, traçando um comparativo entre os jovens de hoje e da geração anterior e o que cada uma significava dentro do seu contexto.

"A dimensão explorativa é muito forte no jovem. Então, a natureza colocou no jovem a dimensão projetiva, que acaba controlando, reduzindo a dimensão explorativa. Viu como a natureza é sábia?", indagou o palestrante.

De acordo com o P. Libânio, "o uso do computador tira o uso da dimensão projetiva e traz o imediatismo". Essa afirmação introduziu uma discussão sobre os relacionamentos, tanto afetivos quanto de amizades. "Há uma troca da felicidade sólida, permanente, pela felicidade de momento, que não se prolonga. Os jovens valorizam muito mais o presente, o agora".

Explicou o significado da palavra namoro: "dentro dela existe a palavra amor, que quer, faz e é eternidade". Ele ainda questionou as relações pela Internet que hoje são fácies de ter e de terminar, ou seja, efêmeras. Para ele, "a ideia de que a felicidade é algo que construo está desaparecendo".

Ao final da explanação, os participantes, que lotaram o auditório da Faculdade, puderam fazer perguntas. No meio de uma das respostas, P. Libânio esclareceu: "quando falo de juventude, não falo da questão biológica apenas. Há muito homem de 40 anos com atitudes juvenis".

No encerramento, todos cantaram a música "Juventude, o mesmo rosto", de Jorge Trevisol. E, após o canto, um jovem, em nome de todos os presentes, proferiu algumas palavras de agradecimento ao P. Libânio. 

sábado, 16 de abril de 2011

Montado num jumentinho, o messias pobre e desarmado

CEBI

 - Mesters, Mercedes Lopes e Orofino

Quinta-feira, 14 de abril de 2011 - 13h35min
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(extraído do livro Travessia: quero misericórdia e não sacrifício, de Carlos Mesters, Mercedes Lopes e Francisco Orofino. Pedidos: vendas@cebi.org.br )

Introdução
Jesus termina a viagem e chega em Jesuralém, onde se darão os acontecimentos mais importantes da sua vida. Ao entrar na cidade, ele realiza três gestos simbólicos que revelam sua identidade messiânica:
1 . Entra montado num jumentinho que, conforme as profecias, era a característica do rei justo, pobre e desarmado (Mt 21,1-11).
2. Entra no Templo, expulsa os vendedores e denuncia a hipocrisia do comércio dos animais para os sacrifícios (Mt 21,12-17).

Conheça o livro!
3. Amaldiçoa a figueira para expressar sua crítica contra o povo de Israel, por ele não ter produzido frutos de justiça (Mt 21,18-22). Quando Jesus entra em Jerusalém, a cidade fica agitada e se pergunta: "Quem é este?" (Mt 21,10). A multidão respondia: "E o profeta Jesus de Nazaré, da Galiléia" (Mt 21 , 11).
A palavra usada por Mateus para descrever a reação da cidade era usada também para descrever os tremores de terra. Esta reação da cidade e da multidão nos dá urna chave para entender o que estava acontecendo nas comunidades para as quais Mateus escrevia o seu evangelho. Os fariseus e os chefes da sinagoga se agitavam, reagiam contra os seguidores de Jesus e se recusavam a aceitá-lo como Messias. No entanto, a multidão, as pessoas simples o identificavam como o profeta anunciado por Moisés (Dt 18,15.18), em total continuidade com a história e as esperanças de Israel.
Comentando o texto
1 . Mateus 21,1-5: O messias pobre e desarmado.
A cena da entrada de Jesus em Jerusalém revela a sua identidade como Messias pobre e desarmado. Jesus mesmo toma as providências para entrar na cidade montado num jumentinhho, o transporte dos pobres daquela época. Ao narrar este episódio, Mateus se inspira na tradição profética. Para dar à cena o sentido do cumprimento da profecia, ele cita literalmente o texto de Zacarias 9,9: "Dizei à Filha de Sião: eis que o teu rei vem a ti. Ele é manso e está montado num jumento, num jumentinho, cria de um animal de carga!"
2. Mateus 21,6-7: Acolher Jesus tal como ele se revela e se apresenta
Os discípulos são encarregados de preparar o animal para a entrada de Jesus na cidade. Eles vão e fazem exatamente como Jesus mandou. Por trás desta narração tem um recado para as comunidades: verdadeiro discípulo é aquele que aceita Jesus do jeito que ele é e quer ser, e não do jeito que elas gostariam que ele fosse. Se Jesus se fez Messias pobre e desarmado, não podem fazer dele um messias glorioso e poderoso.
3. Mateus 21,8-9: Eles queriam um grande rei
A multidão reage entusiasmada, estendendo seus mantos no chão para Jesus passar, e grita: "Hosana ao Filho de Davi !" Eles reconhecem em Jesus o Messias, o descendente do rei Davi. "Eles queriam um grande rei, que fosse forte e dominador!" Jesus não apreciava muito este título de "Filho de Davi" e chegou a questio¬ná-lo (Mt 22,41-46). Pelo seu jeito de entrar na cidade sentado num jumentinho, ele estava dizendo que a sua maneira de ser rei era diferente.
4. Mateus 21,10-11: Quem é este?
A entrada de Jesus em Jerusalém questiona o povo da cidade. Ela fica abalada, agitada e se pergunta: "Afinal, quem é este que a multidão acolhe como rei messiâ¬nico? Por que ele vem como um pobre?"
Alargando o texto
1. As várias imagens de Messias
A causa do desencontro entre Jesus e o povo tinha a ver com a esperança messiânica. Havia entre os judeus uma grande variedade de expectativas. De acordo com as diferentes interpretações das profecias, havia gente que esperava um Messias Rei (Mt 27,11). Outros, um Messias Santo ou Sacerdote (Mc 1,24). Outros, um Messias Guerrilheiro subversivo (Lc 23,5; Mc 15,6; 13,6-8). Outros, um Messias Doutor (Jo 4,25). Outros, um Messias Juiz (Lc 3,5-9; Mc 1,8;). Outros, um Messias Profeta (Mt 21,11). Ao que parece, ninguém esperava o Messias Servo, anunciado pelo profeta Isaías (Is 42,1 ; 49,3; 52, 13). Eles não se lembraram de valorizar a esperança messiâ¬nica como serviço do povo de Deus à humanidade. Cada um, conforme os seus próprios interesses e conforme a sua classe social, aguardava o Messias, livrinho na mão, querendo encaixá-lo na sua própria esperança. Por isso, o título Messias, dependendo da pessoa ou da posição social, podia significar coisas bem diferentes. Havia muita mistura de idéias!
2. Os ramos na festa da entrada de Jesus
Hoje celebramos a entrada de Jesus em Jerusalém com ramos. A origem desta aclamação vem da Festa das Tendas, que era realizada no outono, depois da colheita (Dt 16, 13; Lv 23,34). Ela lembrava o tempo em que o povo israelita fazia sua caminhada pelo deserto (Lv 23,43), morando em tendas. Por isso, durante uma semana, eles recolhiam ramagens e formavam tendas por toda parte (Ne 8, 14-17). O povo agitava os ramos e dizia: "Bendito o que vem em nome do Senhor" . E os sacerdotes respondiam: "Da casa de Javé nós vos abençoamos" (Sl 118,25-27). A Festa das Tendas era um momento de alegria e de louvro, que mantinha a identidade do povo e lhe dava resistência.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Brinco Dourado

Poesia de Ir. Cristina, FMA.


Quando o silêncio irrompeu altivo
E o recinto esvaziado foi
Encontrei no canto da sala recolhido e sóbrio
O velho intacto brinco dourado
Uma antiga jóia guardada
Presente de minha avó amada
Que eu esfumacei da lembrança

A antiga jóia não mais polida
Repousava solitária no empoeirado porta-jóias da emoção
No canto escuro da consciência
No aposento escondido do esquecido.
Ao passar distraída
Quebrei a tampa da caixa antes perdida
E me feri com os estilhaços amados

Banhada em sangue vertido
A querida jóia esquecida
Emergiu do silêncio, escapou do caos.

Recupero a beleza escondida
Dessa jóia querida
Que são os sonhos da vida
E mesmo que a mantenha escondida
Com a alma em cacos dividida
A antiga jóia não mais polida
Brilha ainda que empalidecida
Brilham os sonhos que guardei no porta-jóias
Que guardei desde menina.

Comblin, o profeta da ironia afetuosa - Marcelo Barros


CEBI

Quinta-feira, 31 de março de 2011 - 11h03min

Hoje saí da UTI de um hospital de Olinda, no qual me abriram o peito e me recauchutaram o coração fragilizado, com duas pontes de safena. No reencontro com a vida, ainda no leito de uma enfermaria, fico sabendo da partida do padre José Comblin, meu velho professor de Teologia e amigo de tantos anos e companheiro de lutas e esperanças.
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A um teólogo de fama mundial e de projeção pastoral como foi o padre Comblin, não faltarão testemunhos de muitos irmãos e irmãs que com ele conviveram e trabalharam por tantos anos. Eu fui apenas um dos seus alunos em todo o curso de Teologia e nem pertenci ao grupo mais ligado a ele na Teologia da Enxada ou mesmo no instituto de vida missionária que ele animava. Entretanto, fui marcado por sua figura e sua doutrina e tenho algumas experiências próprias que podem ser úteis que agora sejam recordadas. Há pouco mais de uma semana, escrevi um pequeno artigo (Eu me acuso II - sobre a profecia de Comblin) , defendendo a atualidade e a pertinência de sua profecia eclesial e popular. Ele me respondeu com uma breve mensagem de agradecimento e depois me mandou um texto maior explicando suas críticas ao estilo atual do poder na Igreja Católica.
Conheci o padre Comblin quando ele ainda era muito jovem, em 1964. Dom Hélder Câmara, então novo arcebispo de Olinda e Recife, trouxera uma equipe célebre de professores de Teologia. Entre eles estava o padre Comblin que, durante seus primeiros anos no Nordeste, ficou hospedado no mosteiro dos beneditinos. Naqueles anos, justamente, eu entrei no Mosteiro com a ânsia de renovação que motivava minha geração. Apesar de ser o tempo em que o Concílio Vaticano II propunha para a Igreja um novo Pentecostes, a maioria dos monges se apegava às velhas tradições. Apesar de ser muito discreto e viver outras preocupações pastorais, Comblin não deixava de ser irônico e quase sarcástico. E aquilo me atraía. No meu tempo de noviciado, li em francês "O Cristo no Apocalipse" onde se vê um Comblin exegeta e pouco conhecido. Li também, já em português "A Ressurreição", um belo livro da Herder no qual ele, antes do Vaticano II, sustentava que o fato teológico mais marcante para o século XX tinha sido a revalorização teológica e espiritual do mistério pascal e da ressurreição de Jesus.
Um escrito interno levou Comblin ao exílio
Quando comecei a fazer Teologia no Seminário de Camaragibe, ele era o coordenador do curso. Na minha juventude, eu o achava contraditório. De um lado, ele ensinava uma teologia profunda, mas tradicional (não tradicionalista) e eu compreendia pouco isso. Esperava dele intuições inventivas e estas não apareciam, ao menos para mim. Sei que, neste tempo, ele produziu obras impressionantes como Théologie de la Paix, Théologie de la Ville e um estudo sobre Catolicismo Popular no Brasil. Mas, na época, não tive acesso a estas obras. Suas aulas eram dadas em um tom monocórdio, só interrompidas aqui e ali pelas risadas de alunos que festejavam as ironias do Comblin, aparentemente demolidoras, mas no fundo construtivas. Mais tarde, em 1968, o Instituto de Teologia do Recife nomeia uma equipe de três professores e três alunos para elaborar uma proposta de nova temática e nova metodologia teológica. O coordenador da equipe era Comblin e eu fazia parte dos três alunos que tinham de discutir com ele as propostas dos alunos. Eu tinha a sensação de que ele mal nos escutava, mas me surpreendi quando, depois de muitos debates ácidos, ele assumiu nossas propostas e estas foram, em sua maioria, implementadas. No mesmo ano, um escrito interno com o qual Comblin preparava a conferência episcopal de Medellin e propunha uma revolução social, extravasou para a imprensa. Ele que tinha ido a Europa foi proibido pela ditadura militar de voltar ao Brasil. Quando lhe perguntaram quem poderia, até o final do ano, coordenar o seu curso de Teologia dos Sacramentos, (estávamos em agosto), tive a surpresa e o orgulho de saber que ele escolhera o meu nome. Eu era apenas um dos alunos da classe do terceiro ano. A partir daí, sim, eu o assumi como um mestre de vida e procurava ler e estudar tudo que ele escrevia. A partir de então, descobri como ele inovava sua doutrina. Seu livro em dois volumes "Teologia da Revolução" foi meu batismo nos caminhos do que depois chamaríamos teologia da libertação. Nos anos 70, ele estava fora do Brasil e tivemos poucos contatos.
Mais aberto à medida que seus anos avançaram
Nos anos 80, o reencontrei mais velho e o achei mais aberto e comunicativo, sempre muito atento aos amigos. Um homem fiel às amizades e às relações. Era um intelectual de erudição raríssima, capaz de dissertar sobre Teologia, Política, Bíblia, Economia e muitos outros assuntos com uma competência incrível, ao mesmo tempo que punha em prática sua visão de uma teologia popular e seu carinho por um instituto para formar padres, missionários/as e religiosos /as que viessem do campo e não precisassem sair do meio rural.
Algumas discussões com ele nortearam-me a vida. Por exemplo, a tentativa de libertar a Teologia cristã de sua base helenista (filosófica grega) ainda muito forte em nossa Igreja. Também, me impressionavam sempre a sua capacidade de criticar livremente a estrutura monárquica e absolutista do Vaticano. Mesmo um interesse imenso por uma vida religiosa mais popular e mais inserida, menos centrada nas estruturas das congregações. Nos últimos anos em que vivi no mosteiro de Goiás, sempre passou a Páscoa conosco. No Brasil, temos a graça de contar com teólogos e teólogas dos mais abertos e criativos do mundo, mas a contribuição própria do padre Comblin tem sido sempre a de uma liberdade interior de dizer o que pensa e ser um profeta crítico e irônico sempre capaz de lera história e as estruturas eclesiásticas a partir dos empobrecidos e das grandes causas da América Latina. Em 2006, com Dom Tomás Balduíno e com ele, fomos observadores internacionais das eleições presidenciais da Venezuela e, bem mais do que outros companheiros, eu o vi muito aberto ao bolivarianismo. Quem o conheceu de perto sabe que sua ironia era profunda, mas não era de ruptura e sim de afeição.
Como poucas pessoas, é o caso de Dom Helder Câmara, Comblin conseguiu ser cada dia mais aberto e crítico à medida que seus anos avançaram. Que sua herança teológica e profética seja por nós mantida e continuada.

Monge beneditino, membro do CEBI, Marcelo Barros é autor de:

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Nutricionista

Preciosos leitores, preciosas leitoras:

Vocês já sabem que o que encontro de bom, não só textos, notícias, poesias, mas também outras indicações importantes, eu publico aqui.




Gostaria de recomendar e indicar o blog e o trabalho, se for o caso, dessa talentosa jovem Julhana. No blog dela você encontrará várias dicas saudáveis, como como o contato dela para trabalhos.

Eis o endereço: www.julhana-pohlmann.blogspot.com

Abração!

BBB ignora recomendações do Ministério Público

BBB é um grande desserviço, critica MPF (*)


Terra Magazine - A CNBB fez um apelo ao Ministério Público, pedindo "uma atenção mais acurada no acompanhamento e adequadas providências em relação à programação televisiva". A entidade vai responder ao pedido da CNBB?
Aurélio Rios - Primeiro, concordamos inteiramente com a CNBB no sentido de que ao Ministério Público cabe o acompanhamento destes conteúdos programáticos, especialmente, dentro da ideia de que isso fere direitos humanos, sobretudo, das crianças e dos adolescentes. A PFDC está de acordo com o conteúdo da nota. Nós temos, sim, este papel de fiscalizar, como estamos fazendo. Mandamos uma recomendação específica para a Rede Globo.

TM - Esta recomendação foi aquela encaminhada em dezembro passado, na qual a procuradoria pedia para que fossem respeitados na 11ª edição Big Brother Brasil os direitos constitucionais. A emissora tinha prazo de 30 dias para responder. A recomendação foi respondida?
AR - A emissora não respondeu e estamos reiterando o ofício, pedindo, inclusive, providências a respeito disso. O primeiro deles é que fosse observada a autorregulamentação dirigida às próprias emissoras, especialmente, em relação a esse reality show chamado Big Brother Brasil. Achamos que é um grande desserviço e serve muito à deseducação. Não estimula a criação, o princípio de solidariedade, os valores éticos da pessoa e da família.

TM - Na edição anterior do Big Brother, foram mais de 400 denúncias contra a atração. O Ministério Público pretende tomar alguma providência em relação à edição atual?
AR - Na verdade, já estamos tomando várias providências. Há várias iniciativas de procuradores da República em todos os Estados. O que nós, na PFDC, estamos fazendo é centralizando as informações, de modo que possamos ter uma atuação mais integrada. Obviamente, não só em relação à emissora TV Globo, como em relação a todas as outras, porque os reality shows, infelizmente, se disseminaram nas emissoras de canal aberto. Isso tem sido uma preocupação de todos os procuradores da República que atuam na defesa dos direitos humanos, especialmente, na defesa da criança e do adolescente.

TM - Como o Ministério Público interpretou o fato de a TV Globo não ter respondido à recomendação?
AR - Na nossa opinião, o prazo já foi vencido. Vamos pedir justificativa sobre porque não foi respondido e sobre porque não foi tomada nenhuma providência. No caso de uma recomendação, não há uma penalidade, mas eu entrei com um mandado de segurança para que as crianças e adolescentes do Acre, de Rondônia, do Amapá, do Amazonas pudessem também ter respeitada sua faixa etária. Especialmente no horário de verão, programas que são próprios para a transmissão às 22h estavam passando às 19h nesses Estados. Um horário em que, muitas vezes, os pais não estão em casa e não têm como desligar a televisão.
Este mandado de segurança foi deferido por unanimidade pelos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Então, já há uma ordem em relação ao Ministério da Justiça para que seja obedecida a classificação indicativa, independentemente do fuso horário, porque programas como esse Big Brother não são indicados para menores de 14 anos.

TM - O MPF tem fiscalizado a atual edição do BBB? Observaram se há ou não a ocorrência dos mesmos problemas verificados nas edições anteriores?
AR - Qualitativamente, não mudou nada. Estamos confirmando uma dificuldade de entendimento em relação às emissoras, especialmente, as de canal aberto. Isso terá alguma consequência. Temos um grupo específico que tem trabalhado com a questão da classificação indicativa. Há também uma preocupação com os conteúdos programáticos, o que não significa censura prévia, qualquer intervenção dentro do meio, mas apenas uma forma de ressalvar os direitos das crianças e dos adolescentes e das famílias, dos pais que estão realmente atormentados com sua falta de defesa com relação a esse baixíssimo nível no conteúdo apresentado.
Tanto não estamos com nenhum viés de censura prévia que achamos que esses programas deveriam passar, mas depois da meia-noite, e não na hora que passam e sem respeitar o fuso horário. Obviamente, o melhor dos mundos seria as próprias emissoras fizessem as correções de conteúdo. São realmente programas de baixíssimo nível e sem nenhum conteúdo pedagógico.
Compreendo que, dentro da liberdade de expressão, não é tudo que achamos necessário, moralmente aceitável que deva ser divulgado pela televisão. Compreendo que até coisas que nos pareçam asquerosas ou inaceitáveis possam passar, mas isso em horários bastante restritos. Acho que o grau de apelação é incompatível com a classificação indicativa. Achamos que, inclusive, essa classificação deveria aumentar de escala.

TM Qual deveria, na opinião do senhor, ser a classificação indicativa do BBB?
AR - Na minha opinião, apenas a minha opinião, não deveria ser para 14 anos, mas para 18 anos. Vamos lutar para que haja, por parte das emissoras, mudança de conteúdo. Se não houver mudança, vamos lutar para que a classificação indicativa seja realmente destinada apenas a maiores de 18 anos e, em qualquer situação, que seja respeitado o fuso horário quando houver uma classificação indicativa.

(*) Entrevista do subprocurador-geral da República, Aurélio Rios, responsável pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) à jornalista Ana Cláudia Barro do site Terra Magazine

FONTE: http://midiacidada.blogspot.com/2011/02/bbb-ignora-recomendacoes-do-ministerio.html

terça-feira, 29 de março de 2011

Se você quer ser melhor...



Se você quer ser uma pessoa melhor comece pelas pequenas coisas do quotidiano. São Francisco de Sales por diversas vezes em seus escritos nos ensina isso. Você pode dizer que nunca poderá ser uma pessoa perfeita, eu concordo. Mas é possível ser uma pessoa melhor. É possível chegar perto da perfeição. Um exercício salesiano para isso é o de todos os dias fazer exame de consciência e, “pegando-se nas mãos”, perceber comportamentos e palavras que não foram legais durante o dia. A espiritualidade salesiana sugere dois momentos para o exame de consciência: ao meio dia e à noite, antes de dormir. Fazendo isso sempre e com o compromisso de não repetir mais os comportamentos e palavras que causaram mal estar pessoal ou a terceiros, aos poucos poderá perceber em você o quanto tem progredido no seu interior e quantos frutos aparecerão em seu exterior: nas relações interpessoais. Vale repetir que se comece pelas pequenas coisas. Vou dar um exemplo de um episódio da vida de São Francisco de Sales que pode ajudar: Certa vez este santo estava num quartel e certo soldado soube da presença dele lá. Como tinha ouvido falar da fama de santidade de Francisco de Sales, foi até ele. Assim que entrou no lugar onde estava Francisco, o soldado fechou a porta batendo forte a mesma. Ele indagou Francisco: “Como faço para ser uma pessoa melhor?” Francisco de Sales respondeu: “Comece por não bater mais a porta”. Ou seja, em nossa maneira de ser e agir nos detalhes, usando de delicadeza nas coisas simples da vida, podemos alcançar um grau maior de perfeição. Muitas vezes ocorre de pensarmos que seremos pessoas melhores começando nas grandes coisas. Ledo engano: devemos começar pelas pequenas coisas da vida. O contrário de virtude é o vício. Procure cultivar virtudes. Elas vão deixar você uma pessoa melhor, mais querida com as demais. Por exemplo, as virtudes da paciência, do bom senso, da alegria, da simpatia, da bondade, da mansidão, do bom atendimento e assim por diante.
Para encerrar nosso assunto, gostaria de salientar que a dimensão da humildade é extremamente importante nesse processo. O orgulho, e a arrogância, poder ser grandes barreiras que nos impedem de sermos pessoas melhores e, assim, mais felizes e com uma maior qualidade de vida. Comece hoje e recomece quantas vezes forem necessárias! Você pode. Você merece!
*Convite: Você tem interesse em conhecer melhor a espiritualidade salesiana? Nos envie um e-mail para: espiritualidadesalesiana@hotmail.com Assim que tivermos um certo número de pessoas interessadas, podemos marcar um encontro e formarmos um grupo para nos encontrarmos uma vez por mês para juntos crescermos no amor a Deus, às pessoas e à natureza. Envie agora seu e-mail. A espiritualidade salesiana é uma espiritualidade do quotidiano.
** Meu Abraço salesiano vai para: As coordenadoras de catequese das comunidades da área de Cachoeirinha, onde assessorei um curso dia 26 de março. E também para o povo da Comunidade Santa Rosa de Lima no Jari, aqui de Viamão, onde exerço parte de minha missão de consagrado.
Deus seja bendito!
Até a próxima edição!

(Publiquei aqui de modo antecipado este meu texto que sairá na edição 16 do Jornal de Viamão. Para ler a coluna da edição 15, eis o site: http://www.jornaldeviamao.com.br/edicaoimpressa/ -Ler na página 10).

segunda-feira, 28 de março de 2011

Falece José Comblin

* Reproduzo aqui nota publicada no site da ESTEF (http://www.estef.edu.br/site/noticias/ver/falece-jose-comblin)



José Comblin morreu nesta madrugada, em Salvador, na Bahia, aos 88 anos.
Ele nasceu no dia 22 de março de 1923, na Bélgica. Desde 1958 trabalhava no Brasil, especialmente em Pernambuco, na Paraíba e na Bahia.Padre Comblin estava em tratamento médico na capital baiana. Foi encontrado morto, sentado, em seu quarto, quando era esperado para a oração da manhã e não apareceu na capela. Ele tinha problemas cardíacos e usava marcapasso. Apesar da doença, parecia bem disposto e estava trabalhando.Ele veio para o Brasil em 1958, atendendo a apelo do papa Pio XII, que no documento Fidei donum (O Dom da Fé) pedia missionários voluntários para regiões com falta de sacerdotes.Depois de trabalhar em Campinas e, em seguida, passar uma temporada no Chile, foi para Pernambuco, em 1964, quando d. Helder Câmara foi nomeado arcebispo de Olinda e Recife. Perseguido pelo regime militar, foi detido e deportado, em 1972, ao desembarcar no aeroporto de volta de uma viagem à Europa.
José Comblin participou do primeiro grupo da Teologia da Libertação. Esteve na raiz das equipes de formação de seminaristas no campo em Pernambuco e na Paraíba (1969), do seminário rural de Talca, no Chile (1978) e, depois, na Paraíba, em Serra Redonda (1981). Estas iniciativas deram origem à chamada Teologia da enxada.Além disso, esteve na origem da criação dos Missionários do Campo (1981), das Missionárias do Meio Popular (1986), dos Missionários formados em Juazeiro da Bahia (1989), na Paraíba (1994) e em Tocantins (1997).
É autor de inúmeros livros, dentre eles A ideologia da segurança nacional: o poder militar na América Latina (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978).