quarta-feira, 16 de março de 2011

O Ministério Público Federal apoia CNBB





O Ministério Público Federal apoiou a nota divulgada na última quinta-feira (17) pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em que a entidade condenava o "baixo nível moral" dos reality shows.



O subprocurador-geral da República, Aurélio Rios, que está respondendo interinamente pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), informou a Terra Magazines que "há várias iniciativas de procuradores da República em todos os Estados" em relação ao Big Brother Brasil, um dos principais alvos das críticas.
- Achamos que (a atração) é um grande desserviço e serve muito à deseducação. Não estimula a criação, o princípio de solidariedade, os valores éticos da pessoa e da família - afirma o procurador, que acha inapropriada a classificação indicativa do reality show.
- Na minha opinião, apenas a minha opinião, não deveria ser para 14, mas para 18 anos.


Na nota, a CNBB exortou "a todos no sentido de se buscar um esforço comum pela superação desse mal na sociedade, sempre no respeito à legítima liberdade de expressão, que não assegura a ninguém o direito de agressão impune aos valores morais que sustentam a Sociedade". A entidade fez ainda um apelo ao Ministério Público, pedindo "uma atenção mais acurada no acompanhamento e adequadas providências em relação à programação televisiva".


Em dezembro de 2010, a PDFC encaminhou à diretoria da Rede Globo de Televisão recomendação para que fossem respeitados, na 11ª edição Big Brother Brasil, os direitos constitucionais.
O documento, uma espécie de alerta, foi motivado por reclamações direcionadas a outras edições do reality show. Para se ter uma ideia, só BBB10 foi alvo de 400 denúncias, como homofobia, incitação à violência, apelo sexual, inadequação no horário de exibição e violação da dignidade da pessoa humana.
Na recomendação, a PFDC pedia que a TV Globo adotasse "medidas preventivas necessárias para evitar a veiculação de práticas de violações de direitos humanos, tais como tratamento desumano ou degradante, preconceito, racismo e homofobia".
De acordo com Rios, a emissora, que tinha prazo de 30 dias para responder à solicitação, ainda não se manifestou.
-Vamos pedir justificativa sobre porque não foi respondido e sobre porque não foi tomada nenhuma providência.
Confira a entrevista.


Terra Magazine - A CNBB fez um apelo ao Ministério Público, pedindo "uma atenção mais acurada no acompanhamento e adequadas providências em relação à programação televisiva". A entidade vai responder ao pedido da CNBB?


Aurélio Rios - Primeiro, concordamos inteiramente com a CNBB no sentido de que ao Ministério Público cabe o acompanhamento destes conteúdos programáticos, especialmente, dentro da ideia de que isso fere direitos humanos, sobretudo, das crianças e dos adolescentes. A PFDC está de acordo com o conteúdo da nota. Nós temos, sim, este papel de fiscalizar, como estamos fazendo. Mandamos uma recomendação específica para a Rede Globo.
Esta recomendação foi aquela encaminhada em dezembro passado, na qual a procuradoria pedia para que fossem respeitados na 11ª edição Big Brother Brasil os direitos constitucionais.

A emissora tinha prazo de 30 dias para resonder.
A recomendação foi respondida?

A emissora não respondeu e estamos reiterando o ofício, pedindo, inclusive, providências a respeito disso. O primeiro deles é que fosse observada a autorregulamentação dirigida às próprias emissoras, especialmente, em relação a esse reality show chamado Big Brother Brasil. Achamos que é um grande desserviço e serve muito à deseducação. Não estimula a criação, o princípio de solidariedade, os valores éticos da pessoa e da família.

Na edição anterior do Big Brother, foram mais de 400 denúncias contra a atração. O Ministério Público pretende tomar alguma providência em relação à edição atual?

Na verdade, já estamos tomando várias providências. Há várias iniciativas de procuradores da República em todos os Estados. O que nós, na PFDC, estamos fazendo é centralizando as informações, de modo que possamos ter uma atuação mais integrada. Obviamente, não só em relação à emissora TV Globo, como em relação a todas as outras, porque os reality shows, infelizmente, se disseminaram nas emissoras de canal aberto. Isso tem sido uma preocupação de todos os procuradores da República que atuam na defesa dos direitos humanos, especialmente, na defesa da criança e do adolescente.

Como o Ministério Público interpretou o fato de a TV Globo não ter respondido à recomendação?

Na nossa opinião, o prazo já foi vencido. Vamos pedir justificativa sobre porque não foi respondido e sobre porque não foi tomada nenhuma providência. No caso de uma recomendação, não há uma penalidade, mas eu entrei com um mandado de segurança para que as crianças e adolescentes do Acre, de Rondônia, do Amapá, do Amazonas pudessem também ter respeitada sua faixa etária. Especialmente no horário de verão, programas que são próprios para a transmissão às 22h estavam passando às 19h nesses Estados. Um horário em que, muitas vezes, os pais não estão em casa e não têm como desligar a televisão.

Este mandado de segurança foi deferido por unanimidade pelos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Então, já há uma ordem em relação ao Ministério da Justiça para que seja obedecida a classificação indicativa, independentemente do fuso horário, porque programas como esse Big Brother não são indicados para menores de 14 anos.

O MPF tem fiscalizado a atual edição do BBB? Observaram se há ou não a ocorrência dos mesmo problemas verificados nas edições anteriores?

Qualitativamente, não mudou nada. Estamos confirmando uma dificuldade de entendimento em relação às emissoras, especialmente, as de canal aberto. Isso terá alguma consequência. Temos um grupo específico que tem trabalhado com a questão da classificação indicativa.

Há também uma preocupação com os conteúdos programáticos, o que não significa censura prévia, qualquer intervenção dentro do meio, mas apenas uma forma de ressalvar os direitos das crianças e dos adolescentes e das famílias, dos pais que estão realmente atormentados com sua falta de defesa com relação a esse baixíssimo nível no conteúdo apresentado.

Ministério Público Federal apoia nota da CNBB em relação a reality shows.

Tanto não estamos com nenhum viés de censura prévia que achamos que esses programas deveriam passar, mas depois da meia-noite, e não na hora que passam e sem respeitar o fuso horário. Obviamente, o melhor dos mundos seria as próprias emissoras fizessem as correções de conteúdo.São realmente programas de baixíssimo nível e sem nenhum conteúdo pedagógico.
Compreendo que, dentro da liberdade de expressão, não é tudo que achamos necessário, moralmente aceitável que deva ser divulgado pela televisão. Compreendo que até coisas que nos pareçam asquerosas ou inaceitáveis possam passar, mas isso em horários bastante restritos. Acho que o grau de apelação é incompatível com a classificação indicativa. Achamos que, inclusive, essa classificação deveria aumentar de escala.

Qual deveria, na opinião do senhor, ser a classificação indicativa do BBB?

Na minha opinião, apenas a minha opinião, não deveria ser para 14 anos, mas para 18 anos. Vamos lutar para que haja, por parte das emissoras, mudança de conteúdo. Se não houver mudança, vamos lutar para que a classificação indicativa seja realmente destinada apenas a maiores de 18 anos e, em qualquer situação, que seja respeitado o fuso horário quando houver uma classificação indicativa.

http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/21546-...o-a-reality-shows

terça-feira, 15 de março de 2011

Segredos da Solidão Habitada

Nova poesia de Ir. Cristina, fma




Enquanto se cala o beijo amargo do silêncio
E o turbilhão do sentimento adormece
A mesa farta se esvazia por completo
E sobra apenas um resto de verdade

É no cálido momento do sem instante preciso
Que a boca cala e os olhos quase cerram-se
Que o resto que sobrou da verdade
Escapa como filetes de água entre os dedos
E mesmo a consciência mais pura é capaz de acusar-se

Aqui, no raro instante da consciência indivisa
Não há nem anjos e nem demônios
Só a limpidez dos olhos marejados pela ferida aberta
E um resto de compaixão

Ainda que a alma mais pura
pudesse rasgar o véu e abrir o livro lacrado
Ainda que o fogo adormecesse e só sobrassem cinzas
Ainda que como água ela escorresse dos meus dedos
Ainda sim eu procuraria minha própria verdade.

Uma remota vez, quase perdida no inconsciente
Ouvi um sábio falar
Que deveria sentir o mundo não apenas com o coração
Mas com todas as vísceras
E é assim que eu sinto....e isso talvez me defina

Contorço-me entre passagens de larvas em brasa
E gélidos caminhos de vento e frio
Na corda bamba das vicissitudes
Eu, equilibrista de mim mesma,
Levanto as pálpebras por vezes cansadas
E contemplo a profundidade do silêncio

Na tranquila calmaria
De quem enfim pode ter-se nas mãos
E então olhar-se fundo nos olhos
Capaz agora sou de definir-me:
Dinamismo, fogo, amor e paixão por viver!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Preconceito Linguístico


Essencial para quem trabalha com língua portuguesa. Obra de militância e combate, Preconceito lingüístico chega agora numa versão inteiramente revista e ampliada. Incorporando as discussões e propostas mais recentes das ciências da linguagem e da educação, Marcos Bagno reitera seu discurso em favor de uma educação lingüística voltada para a inclusão social e pelo reconhecimento e valorização da diversidade cultural...

domingo, 13 de março de 2011

ORAÇÃO DO SACERDOTE NUMA TARDE DE DOMINGO


(Texto de Michel Quoist)

Esta tarde, Senhor, estou sozinho.
Na Igreja, pouco a pouco, os ruídos se calaram, Foi-se embora toda a gente,
E eu voltei para casa,
Passo a passo,
Sozinho.
Cruzei com gente que voltava de um passeio.
Passei pelo cinema: vomitava uma pequena multidão.
Vaguei ao longo dos terraços de cafés onde, cansados, os passeadores, tudo faziam
para esticar um pouco mais a alegria de viver de um Domingo de festa.
Esbarrei nos guris que jogavam bola na calçada, Os garotos, Senhor,
Os filhos dos outros, que nunca serão os meus. E aqui estou, Senhor,
Sozinho.
O silêncio me dói
O silêncio me oprime.
Tenho 35 anos, Senhor,
Um corpo feito como os outros corpos, Braços moços para o trabalho,
Um coração reservado para o amor, Mas tudo isto Te dei.
É verdade que de tudo precisavas, Tudo te dei, mas é duro, Senhor.
É duro dar o próprio corpo: ele queria dar-se a outros. É duro amar toda a gente e não possuir ninguém.
É duro apertar uma mão sem poder retê-Ia.
É duro fazer que brote uma afeição, para dá-Ia a Ti.
É duro nada ser para si mesmo, afim de ser tudo para eles. É duro ser com os outros, entre os outros e ser um outro. É duro dar sem cessar, sem procurar receber.
É duro ir ao encontro dos outr0s, sem que jamais alguém venha ao nosso encontro. É duro sofrer os pecados dos outros, sem poder recusar acolhê-Ios e carregá-Ios.
É duro receber os segredos, sem poder compartilha-Ios.
É duro arrastar os outros sem cessar e nunca poder, um instante sequer, deixar-se
arrastar pelos outros.
É duro sustentar os fracos sem poder apoiar-se sobre um forte. É duro estar sozinho.
Sozinho diante de todos ..
Sozinho diante do mundo
Sozinho diante do sofrimento,
Do pecado,
Da morte
Não estás só, meu filho, Estou contigo,
Eu sou tu,
Eu precisava, na verdade, de uma humanidade a mais para eontinuar Minha
Encarnação e Minha Redenção.
Desde toda a eternidade,
Eu te escolhi.
Eu preciso de ti.
Preciso de tuas mãos para continuar a abençoar.
Preciso de teus lábios para continuar a falar.
Preciso de teu corpo para continuar a sofrer.
Preciso de teu coração para continuar a amar.
Preciso de ti para continuar a salvar.
Fica comigo, meu filho.
Senhor, eis me aqui:
Eis meu corpo, Eis meu coração, Eis minha alma.
Faz-me bastante,grande para atingir o mundo. Bastante forte para carregá-lo ..
Faz que eu seja um ponto de encontro, sim, mas ponto de passagem.
Caminho que não prende para si próprio, porque nele não há 'nada de humano a encontrar, nada que não conduza a Ti.
Esta tarde, Senhor, enquanto tudo em volta silencia, dentro do meu coração sinto morder duramente a solidão.
Enquanto meu coração vive longamente sua formas de prazer,
Enquanto os homens devoram a minha alma e eu me sinto impotente para saciá-I os, Enquanto sobre meus ombros pesa o mundo inteiro, com todo o seu peso de miséria e de pecado,
Eu te repito o meu FIAT (SIM).
Não às gargalhadas, mas lentamente, lucidamente, humildemente, Sozinho, Senhor, sob Teu olhar,
Na paz da tarde.

O amor da sua vida




Você deu flores que ela deixou a seco.
Você levou para conhecer a sua mãe e ela foi de blusa transparente.
Você gosta de rock e ela de chorinho.
Você gosta de praia e ela tem alergia a sol.
Você abomina o Natal e ela detesta o Ano Novo. Nem no ódio vocês combinam.
Então? Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado, e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca sua nuca, você derrete feito manteiga.
Ele toca gaita de boca, adora animais e escreve poemas.
Por que você ama este cara? Não pergunte pra mim.
Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes de Woody Allen, dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco.
Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettuccine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo.
Com um currículo desses, criatura, por que diabo está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa.
Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = 2 apaixonados.
Não funciona assim. Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem.
Caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece a razão.
O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Costuma ser despertado mais pelas flechas do cupido do que por uma ficha limpa.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano (o amor é lindo…). Isso são só referências.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC.
Ama-se justamente pelo que o amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família tá assim ó.
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é.
(Cirilo Veloso - colega poeta)

sábado, 12 de março de 2011

Campanha da Fraternidade 2011




Tema: Fraternidade e a Vida no Planeta
Lema: "A criação geme em dores de parto" (Rm 8, 22)

OBJETIVO GERAL

Contribuir para o aprofundamento do debate e busca de caminhos de superação dos problemas ambientais provocados pelo aquecimento global e seus impactos sobre as condições da vida no planeta.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1. Viabilizar meios para a formação da consciência ambiental em relação ao problema do aquecimento global e identificar responsabilidades e implicações éticas.

2. Promover a discussão sobre os problemas ambientais com foco no aquecimento global.

3. Mostrar a gravidade e a urgência dos problemas ambientais provocados pelo aquecimento global e articular a realidade local e regional com o contexto nacional e planetário.

4. Trocar experiências e propor caminhos para a superação dos problemas ambientais relacionados ao aquecimento global.

ESTRATÉGIAS

1. Denunciar situações e apontar responsabilidades no que diz respeito aos problemas ambientais decorrentes do aquecimento global.

2. Propor atitudes, comportamentos e práticas fundamentados em valores que tenham a vida como referência no relacionamento com o meio ambiente.

3. Mobilizar pessoas, comunidades, Igrejas, religiões e sociedade para assumirem o protagonismo na construção de alternativas para a superação dos problemas socioambientais decorrentes do aquecimento global.
Fonte: CNBB

Carta do Cacique Seatlle ao Presidente dos Estados Unidos




Cacique Seattle:

“O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. Como se pode comprar ou vender o céu ou o calor da terra? Tal idéia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode, então, comprá-los de nós? Toda essa terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e nas crenças do meu povo.
Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Porque ele é
um estranho que vem de noite e rouba a terra e tudo quanto necessita. A terra não é sua
irmã, nem sua amiga e, depois de exauri-la, vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu
pai, sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece os antepassados
e o direito dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos.
Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim
por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende...
Nós não podemos encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem o lugar onde se
possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o zunir das asas dos insetos.
Os nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem
sob o peso da vergonha. E, depois da derrota, passam o tempo em ócio e envenenam o
seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes... O homem branco talvez
venha um dia a descobrir que o nosso Deus é o mesmo Deus. Ele quer bem da mesma
maneira ao homem branco como ao vermelho. A terra é amada por Ele. Causar dano à
terra é demonstrar desprezo pelo seu Criador. O homem branco também vai
desaparecer, talvez mais depressa que as outras raças. Continua sugando a sua própria
cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios desejos”.
(Alguns trechos de uma carta, bem maior, escrita em 1855).

O programa de vida de consagração dos/das religiosos/as à luz da bíblia



O significado bíblico do verbo hebraico “qâdash” e do verbo grego “haghiázô” é passado para o português principalmente através dos verbos latinos “sanctificare” e “consecrare”. O termo “santo e consagrado”, derivado do latim, tem um sentido que corresponde ao hebraico “qâdoch” e ao grego “hághios”.
A primeira vista poderia parecer abusiva à atribuição das formas: consagrado ou vida consagrada a um determinado grupo de fieis, dado que, segundo a Bíblia, todos na Igreja têm o direito-dever de viver como santos ou consagrados, conduzindo uma vida santa ou uma vida consagrada. Todavia, examinando com a devida atenção a questão da linguagem e dos conceitos bíblicos, se podem constatar as improcedências de tal raciocínio.
Na Bíblia, a santidade ou a consagração tem uma grande variedade de expressões e de aspectos. Este não é um conceito monolítico ou monocromático, para atribuir ou para negar, as coisas ou as pessoas, mas sempre em modo unívoco.
No sentido mais original e radical, ou seja, em sentido absoluto, o termo “santo” deve ser aplicado unicamente a Deus, que já no Antigo Testamento Ele se revela como o “Santo, Santo, Santo” (Is 6,3). Deus é santo por si mesmo e é também o princípio de toda santidade e de toda consagração. As pessoas humanas e as criaturas são santas ou consagradas pela ação santificadora de Deus, ou seja, pela irradiação da Sua santidade.
Na revelação do Novo Testamento, o hino “Santo, Santo, Santo” com o qual os serafins louvam a Deus, adquire um sentido trinitário e torna-se “Padre Santo, Cristo Santo e Espírito Santo”. O triságio se faz trinitário e cristológico. Deus Pai, por meio de Cristo e no Espírito Santo é a causa e a fonte de toda santidade e de toda consagração.
A santidade das criaturas é sempre derivada. Esta é o efeito da irradiação do Deus Santo (cf. Ex 3,5). A irradiação da santidade de Deus sobre as pessoas humanas e sobre as coisas é variada e multíplice. Esta depende, em última instância, da autônoma vontade de cada um.
Segundo a Bíblia, é legitimo falar de terra santa, de cidade santa, de templo ou lugar santo e de santo dos santos (Ex 26,34). Cada uma destas realidades pode ser chamada “santa”, mas ao seu modo, com as suas características e com seus limites. O uso e o escopo de tal apelativo devem ser valorizados à luz do contexto. O uso genérico e comum do termo, aplicável a todas as partes (pontos, cidades e lugares) do território da Palestina e Israel, não tira a legitimidade de um uso especifico da palavra (cidade santa ou lugar santo).
Também quando é aplicado às pessoas, o conceito oferece a variedade e a gradualidade da analogia. Na revelação do Antigo Testamento, todo o povo de Deus era “santo” e todos os israelitas tinham o direito-dever de ser santos (cf. Lv 20,26), mas não todos deviam ser “santos” ou “consagrados” no sentido, por exemplo, dos nazireus (cf. Nm 6), de Jeremias (Jr 1,5), ou de Isaias (Is 61,1). Quando Moisés foi injustamente criticado em nome de um senso monolítico da santidade (Nm 16,3: “Basta… Toda a comunidade, todos são santos”), o Senhor tomou a sua defesa, fazendo saber que Moisés, por especial vocação, era “santo” ou “escolhido” em modo particular (cf. Nm 16,5. 28; Ecle 45, 4).
Mesmo em nome da revelação do Novo Testamento se pode impor um uso monolítico do termo. Para Paulo, por exemplo, cada mulher cristã tem o direito-dever de ser “santa”, mas não no sentido especial de “santa no corpo e no espírito” (1Cor 7,34), próprio daqueles que, em uma vida de castidade consagrada, se empenham de ter como único esposo Cristo Senhor.
Para mostrar o elemento divino e o elemento humano da consagração dos seres humanos, se usa uma dupla formula teológica: “consagração passiva” e “consagração ativa”. A consagração passiva é aquela na qual a pessoa humana é sujeito passivo, enquanto Deus é o sujeito agente: a pessoa humana é consagrada a Deus, ou seja, Deus consagra a pessoa humana. A consagração ativa é aquela na qual o sujeito agente é a pessoa humana, que se consagra a Deus. A consagração é um mistério: é o resultado da iniciativa divina e da colaboração humana. A prioridade, do ponto de vista bíblico e teológico, corresponde sempre a Deus.
A consagração passiva tem sempre um caráter prioritário de Deus. Pode ser expressa com outras formas significativas: a pessoa humana é escolhida, eleita, separada, ungida, compreendida por Deus. Mais freqüente é o uso de outras formas similares para a consagração ativa: a pessoa humana se empenha totalmente, se esvazia, se doa, se entrega, se oferece, faz oblação de si mesma a Deus.
Cristo, o Verbo de Deus Encarnado, o homem perfeito, além do Filho do Pai, é o consagrado por excelência, tanto no sentido passivo, como no sentido ativo da expressão. Cristo foi consagrado no supremo dos modos por Deus Pai (cf. Jo 10,36; At 10,38), e Ele, acolhendo tal consagração, se consagrou no supremo dos modos ao mesmo Deus Pai (cf. Jo 17,19). Escolhendo, na docilidade ao Pai, a forma de vida consagrada, revelou os valores mais genuínos da consagração religiosa total.
Por iniciativa do Pai, Cristo, consagrou os apóstolos, escolhendo-os para uma forma de vida especial (Jo 15,16). Acolhendo a consagração de Cristo, estes se consagraram a Ele, deixando tudo para viver com Ele, como Ele e para Ele.
Desta prospectiva bíblica se pode ter uma visão harmônica da identidade e da missão da consagração religiosa total na Igreja. É principalmente sobre a base da existência e das características da figura bíblica de Jesus de Nazaré e da figura bíblica dos apóstolos que se apóia a doutrina dos orientamentos da Tradição, do Concilio e do Magistério pós-conciliar sobre a consagração religiosa total, e em particular, sobre a dimensão cristológica. A figura de Jesus, supremo consagrado, e a figura dos apóstolos, chamados com especial vocação e consagrados com peculiar titulo, é um ponto de referência indispensável para poder determinar o lugar da consagração religiosa total na Igreja e no mundo. Os consagrados religiosos professam uma forma de vida que manifesta uma particular semelhança, e exprime uma especial participação à forma de vida consagrada de Jesus e dos apóstolos, que, deixando tudo, o seguiram.
Os consagrados religiosos não são toda a Igreja e nem mesmo constituem uma Igreja a parte: é uma parte especial da Igreja, são os fieis que, no interno da comunhão da Igreja santa ou da Igreja dos consagrados, vivem em família o dom e o compromisso de uma peculiar consagração, que possui um caráter eminentemente cristológico. Os consagrados religiosos têm uma identidade própria na Igreja-Sacramento: são a epifania do Cristo Consagrado, enquanto, segundo cada carisma, eles mostram ao mundo o rosto de Cristo obediente, casto, pobre e totalmente dedicado ao Pai e às coisas do Pai.

oi

Boa noite!

Saudação especial!

Minha saudação aos poetas e poetisas que me informam estar acompanhado meu blog e trabalho!

Muito grato!

sexta-feira, 11 de março de 2011

A pior casa

Para refletir...

Há muitos anos um mestre de obras trabalhava para uma firma de construções. Estava perto de se aposentar. Um dia recebeu ordem para construir uma casa bonita, seguindo o projeto que achasse melhor, no lugar que também mais lhe agradasse e sem limites com os gastos. Logo deu início aos trabalhos. Pensou que podia aproveitar da grande confiança nele depositada. Por isso, decidiu usar materiais de péssima qualidade e trabalhadores incompetentes com salários mais baixos para conter os gastos. Ele ficaria com o dinheiro poupado na obra. Quando a casa ficou pronta, houve uma pequena festa, e o mestre de obras entregou ao presidente da firma a chave da porta principal. O presidente, sorrindo, devolveu-lhe a chave e disse, apertando-lhe a mão: - Querido amigo, esta casa é o nosso presente como sinal de gratidão e estima pelos anos que trabalhou conosco. Assim o mestre ficou com a pior casa que havia construído em toda a sua vida.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Ética e Imprensa e a Ética da Imprensa


Ao contrário do que se imagina, o debate em torno do tema ética jornalística é intenso tanto na Europa como nas Américas. E verdade que com o avanço da democracia no Brasil, multiplicam-se as visões sobre conceitos pouco palpáveis como liberdade de imprensa, imparcialidade e informações fidedignas.

Acertadamente exige-se responsabilidade do jornalista, porém deve-se lutar por uma atuação mais presente da sociedade. Em 1956, o pensador Theodore Peterson resumiu em 7 (sete) pontos as suas críticas ao que chamou de "deficiências mais evidentes da imprensa":

1. tem concentrado um enorme poder para os seus próprios fins. Seus donos têm divulgado apenas suas opiniões, especialmente em assuntos econômicos e políticos, em detrimento de opiniões contrárias;

2. tem sido subserviente às grandes empresas e, às vezes, tem permitido que os anunciantes controlem a linha editorial;

3. tem sido resistente à mudança social;

4. tem dado mais atenção ao superficial e ao sensacionalista do que ao realmente significativo na sua cobertura dos acontecimentos;

5. tem colocado em perigo a moral pública;

6. tem invadido a privacidade das pessoas;

7. está controlada por uma classe sócio-econômica vagamente definida como "classe empresarial", que dificulta o ingresso de novas pessoas no negócio, colocando assim em perigo o livre e aberto mercado das idéias (1).

Para coibir estas imperfeições, os meios de comunicação têm apelado para normas de redação, códigos de ética, constituição de críticos internos (onde cintilam figuras como os ombudsmen), e a criação de conselhos de imprensa.

Aos ouvintes, telespectadores e leitores tem-se destinado a seção de cartas e departamentos de atendimento aos consumidores. É pouco. Até mesmo os conselhos de imprensa estão deficientes e também não funcionaram onde nasceram: nos Estados Unidos. Em 73, foi criado lá o Conselho Nacional de Imprensa e, em 22 de março de 84, os seus membros decidiram fechar as portas. Razões específicas e internas.

A iniciativa poderia servir como estímulo ao diálogo entre os próprios jornalistas e um canal a ser usado com a sociedade. A rigor os jornalistas pregam o direito a crítica no quintal dos outros. Quando se trata de dissecar as suas próprias feridas, brota o sentido de corpo e urge a raiz autoritária, tão entranhada em nossa gente. Soma-se a isso o medo da própria sociedade em questionar a média. Os norte-americanos nos impuseram a imagem "inquestionável" do 4° poder. Bobagem!

Diariamente a imprensa e a média eletrônica erram. Esta verdade é indiscutível. O que está em foco hoje, no entanto, são agressões a conceitos éticos nem sempre definidos, mas captados. A ética pode morrer na filosofia, provavelmente não na matemática. Ética, em jornalismo, é moral. Moral na sociedade e mutável. Certa vez, um velho homem da imprensa já cansado de tanto blá-blá-blá sobre esse assunto provocou a platéia: "É preciso haver alguém em uma organização para dizer aos outros como fazer um trabalho honesto e responsável?"

Posturas e Condutas

O jornalismo precisa fugir da falsa noção de notícia transmitida ao público. Hodding Carter (2) resumiu o caráter essencial da profissão como uma busca constante de notícias, mas com responsabilidade, independência, verdade, exatidão, imparcialidade e honestidade.

Poderíamos acrescentar mais um elemento, o direito à resposta. O lamento daqueles que se sentem vítimas da imprensa é não obter o mesmo espaço concedido a acusação. Freqüentemente, eles têm razão. Compete aos jornalistas manterem a eqüidistância. Conciliar a necessidade de noticiar com a verdade dos fatos. Parece cada vez mais absurdo transmitir uma notícia sem se ouvir os vários agentes envolvidos. A história dos dois lados é outra balela. Sempre existem muitos lados. Notícia não interessa a um único setor. Notícia é movimento, incomoda e molesta. Neste caso, não vale a máxima irrespondível: o que é verdade? E, sim, quantas verdades estão envolvidas nisso? Você despreza a ver são do fato?

Os aliados venceram a Segunda Guerra e lançaram sobre os erros fados a sua verdade. Hoje, os japoneses ameaçam se insubordinar através de outro campo de luta. Diz o parlamentar Shintaro Ishihara (3): "O chip de um megabyte usado nos bancos de memória de um computador tem um milhão de circuitos em uma base de sílica, que tem um terço do tamanho da unha do meu dedo mindinho. Esse componente vital só é fabricado no Japão. A indústria japonesa controla o mercado de maneira quase total. Os Estados Unidos têm know-how, mas faltam-lhe os engenheiros e os técnicos para produzir os chips. Sem um sistema integrado de criação e manufatura, o conhecimento, por preciso que seja, de nada serve". Nada como um dia depois do outro.

Voltemos para a discussão que envolve o indivíduo. Todos nós já ouvimos falar de difamação, calúnia e injúria. Difamação (revelar as falhas verdadeiras do próximo sem provas suficientes) e calúnia ou injúria (forjar uma falsa acusação contra o próximo, de modo a prejudicar sua reputação) (4). Na discussão política, estes limites são embaralhados pelos próprios envolvidos, e a imprensa é mais vítima do que promotora da discórdia. Esta constatação não pode impedir a análise crítica do papel do jornalista.

A imagem primitiva do "consiga a reportagem e publique-a" está sendo substituída por "muito bem, apure melhor, cheque todos os dados e publique-a". Ou seja, apesar da arrogância injustificada dos profissionais da informação, cresce a necessidade de parâmetros. Há um preconceito já sedimentado contra o sensacionalismo e a ação de sensacionalistas. O número de aulas sobre ética tem aumentado no pais. As universidades criaram cadeiras voltadas para o debate do cotidiano jornalístico. A discussão surge à margem de sindicatos e da própria Associação Brasileira de Imprensa. As entidades de classe são dirigidas por abnegados, ainda incapazes de mobilizar a categoria. É incrível a falta de prestígio destas representações quando o assunto é política salarial.

Já se disse que o jornalista é o especialista em generalidades. Hoje, o profissional está se aperfeiçoando. Em breve, em mais quantidade, teremos talentos conhecedores dos meandros da medicina como se médicos fossem. Esta segmentação não impedirá polêmicas como a capa da Revista Veja, que trouxe, em close, o rosto do cantor Cazuza, portador do vírus da AIDS, nos seus últimos dias. No futuro, como no presente, vozes ressentidas se voltarão contra a média agressora. Nesta hora se reacenderão opiniões sobre a ética jornalística.

Os repórteres devem saber combinar a denúncia com o dever de informar corretamente. Pode-se revelar uma notícia sem o ranço da denúncia barata. O charme do jornalismo investigativo é apurar, apurar e apurar. Neste caso, o público tem o direito de saber o que e público. "Interesse do governante não é sinônimo do governo. E interesse do governo não é sinônimo de interesse público. Não raramente, são antônimos". Outra preocupação ética: "O fato de que uma mentira está em boca alheia não elimina a responsabilidade de quem a veicula. Assim, o jornal pode considerar legítimo publicar a declaração que supõe mentirosa, mas tem o dever de informar ao leitor sobre razões de reserva ou descrença em face da afirmação".(5)

Medicina e Mídia-Conclusões

Além do exposto, vale a regra de que o exercício da ética jornalística dependerá da consciência de quem transmite as notícias ao público. O controle desta relação deve ser exercido por regras definidas e pela sociedade civil. Levando-se em conta que uma transmissão ao vivo é um bom momento para se testar a liberdade de imprensa de um veículo.

Daqui para adiante, a tecnologia se desenvolverá como uma força auxiliar do talento do jornalista. A informática já está nas redações. Parece absurdo ainda se utilizar a máquina de escrever manual. É impossível que a diferença entre ricos e pobres diminua com o entrelaçamento dos sistemas de redes eletrônicas. As informações secretas serão cada vez mais democratizadas. Os limites entre o público e o privado serão encurtados. A remuneração da mão-de-obra já é uma discussão ética. Como apostar no desenvolvimento com a perpetuação da miséria? E o mercado universal? Os jovens profissionais já disputam vagas sabendo que hoje deve-se dominar pelo menos dois idiomas. A rede de televisão norte-americana (CNN) é a primeira a comprovar a tese de que o jornalismo já é global, via satélite e com equipamentos portáteis de eficiente uso. Notícia é um negócio, notícia é um negócio valioso.

Diante deste quadro, a medicina está intimada a mergulhar na tecnologia como ponto de partida na cura de doenças. A diferença é que a sociedade precisa saber rápido destes avanços. As campanhas de vacinação, de controle de acidentes de trânsito, de orientação de cura de epidemias são alguns exemplos da importância da aproximação com os meios de comunicação. Os profissionais da área de saúde não podem se escusar de disputar cada segundo que a mídia oferecer. As grandes indústrias farmacêuticas já descobriram como combinar campanhas publicitárias com a fabricação de medicamentos em escala (e).

A propaganda de cigarros, por exemplo, é um bom elemento de discussão. Ela costuma ser ética? É pouco provável que ela venha a ser banida dos meios de comunicação, mas já esta sendo controlada. O melhor combate é a ocupação do espaço da informação. A imprensa conscientiza, a publicidade tenta convencer. Os médicos podem ser os poderosos instrumentos desta contra-informação. Os programas de rádio e TV e as reportagens publicadas em revistas e jornais devem ser cada vez mais fiéis à verdade científica. A saúde da população poderá melhorar, se as comunidades souberem como evitar o mal. A credibilidade do médico não é mais medida pela quantidade de tempo em que fica confinado no consultório. A história obriga-o a ir para os refletores e expor as suas idéias. Nesta hora, ele saberá, a exemplo dos jornalistas, porque o debate em torno da ética é intenso na Europa e nas América.

Bibliografia

1. Theodoro Peterson, Wilbur Schramm e Fred S. Siebert, Four Theories of the Press, (Ed. da Universidade de lilinois, 1936).

2. Hodding Carter Foreword, in Clifford G. Christians, Kim B. Rotzoll e Mark Fackler, "Media Etmics: Cases and Moral Reasoning" (Nova Iorque: Longmam, Inc, 1983).

3. Shintaro Ishihara, The Japan that can say no, Ed. Simon & Schuster, Nova Iorque, 1989.

4. Conceitos do Rev. Edward A. Malloy, C.S.C. in As Responsabilidades do Jornalismo, organização de Robert Schmuhl, Ed. Nórdica, 1984.

5. 0 Globo - Manual de Redação e Estilo, organizado e editado por Luiz Garcia, São Paulo, Ed. Globo, 1992.

6. A Propaganda de Medicamentos e o Mito da Saúde, José Gomes Temporão. RJ Edições Graal, 1986.

7. Manual de Radiojornalismo Jovem Pan, de Maria Elisa Porchat, Ed. Ática, 1989.

O Verdadeiro Jejum

Com a palavra: Trecho do livro de Isaías: Isaías 58, 5-11


Será esse o jejum que escolhi, que apenas um dia o homem se humilhe, incline a cabeça como o junco e se deite sobre pano de saco e cinzas? É isso que vocês chamam jejum, um dia aceitável ao Senhor?
“O jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper todo jugo? Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado, vestir o nu que você encontrou, e não recusar ajuda ao próximo? Aí sim, a sua luz irromperá como a alvorada, e prontamente surgirá a sua cura; a sua retidão irá adiante de você, e a glória do Senhor estará na sua retaguarda. Aí sim, você clamará ao Senhor, e ele responderá; você gritará por socorro, e ele dirá: Aqui estou. “Se você eliminar do seu meio o jugo opressor, o dedo acusador e a falsidade do falar; se com renúncia própria você beneficiar os famintos e satisfizer o anseio dos aflitos, então a sua luz despontará nas trevas, e a sua noite será como o meio-dia. O Senhor o guiará constantemente; satisfará os seus desejos numa terra ressequida pelo sol e fortalecerá os seus ossos. Você será como um jardim bem regado, como uma fonte cujas águas nunca faltam.

Cuidado: o céu pode ser o inferno!

Não faz muito, um amigo me enviou um bonito conto de Paulo Coelho. Transcrevo-o – comentando-o e adaptando-o – para os leitores que não o conhecem.

Um homem caminhava tranquilamente, acompanhado de seu cavalo e de seu cão. Ao passarem perto de uma árvore, aconteceu o pior: caiu um raio e os três morreram na hora.

O pobre homem, porém, não se deu conta de que já tinha deixado este mundo, e prosseguiu o seu caminho com os dois animais. (Às vezes, os mortos demoram certo tempo antes de tomarem consciência da sua nova condição…rsrsrrs).

O sol brilhava intensamente e, colina acima, o caminho se tornava muito longo; os viajantes estavam suados e sedentos. Numa curva do caminho, viram um magnífico pórtico de mármore, que conduzia a uma praça pavimentada, com portais de ouro. O caminhante dirigiu-se ao homem que guardava a entrada e o saudou: «Bom dia! Como se chama este lugar tão bonito?»

«Aqui é o Céu!»

«Que bom termos chegado ao Céu, pois estamos cansados e sedentos!»

«Você pode entrar e beber quanta água queira». E o guardião apontou a fonte.

«Mas o meu cavalo e o meu cão também têm sede...».

«Sinto muito» – respondeu o guarda –, «mas aqui não é permitida a entrada de animais».

Sem nada retrucar, o homem levantou-se com grande desgosto, visto que tinha muita sede, mas não queria beber sozinho. Agradeceu ao guardião e seguiu adiante.

Depois de caminhar um bom pedaço de tempo encosta acima, já exaustos, os três chegaram a outro sítio, cuja entrada era assinalada por uma porta velha, que dava para um caminho de terra ladeado por árvores. À sombra de uma das árvores estava deitado um homem, com a cabeça tapada por um chapéu. Provavelmente dormia.

«Bom dia!», disse o caminhante.

O homem respondeu com um aceno.

«Temos muita sede, o meu cavalo, o meu cão e eu».

«Há uma fonte no meio daquelas rochas», disse o homem apontando o lugar. «Podem beber toda a água que quiserem».


O homem, o cavalo e o cão foram até à fonte e mataram a sua sede. O viandante voltou atrás para agradecer ao homem.
«Podem voltar sempre que quiserem», respondeu este.

«A propósito, como se chama este lugar?», perguntou o caminhante.

«Céu».

«Céu? Mas o guarda do portão de mármore disse que o Céu era lá atrás!».

«Lá não é o Céu, é o Inferno», explicou a sentinela.

O caminhante ficou perplexo e preocupado: «Deveriam proibir-lhes de utilizar esse nome! É uma informação falsa, que deve provocar muitas confusões!». «De modo nenhum», respondeu o vigia. «Na realidade, eles nos fazem um grande favor, porque ficam ali todos os que abandonam os seus amigos».

Com essa conclusão, Paulo Coelho sintoniza com uma recomendação dada pela Bíblia: «Nunca abandones teus amigos!» (Pr 27,10). Com efeito, para ela, «o amigo fiel é refúgio seguro; quem o encontra, encontra um tesouro. O amigo fiel não tem preço: seu valor é incalculável. O amigo fiel é bálsamo que cura. Quem teme ao Senhor terá amigos verdadeiros, pois tal e qual ele é, assim será o seu amigo» (Eclo 6, 14-17).

Muito acertadas e felizes as palavras do autor sagrado: «Tal e qual ele é, assim será o seu amigo». Seus amigos são o espelho do que você é, pensa e vive! Não era isso que afirmavam os antigos ao advertirem: «Dize-me com quem andas e eu te direi quem és?». Os amigos que escolhemos revelam as opções de vida que fazemos...

Há pessoas que vivem se queixando porque ninguém gosta delas, sem amigos que as compreendam e apoiem. Contudo, o que deveriam é se perguntarem: o que faço eu para ser um amigo de verdade?

Mas, o que significa ser amigo de verdade? Ninguém melhor do que Jesus revelou a resposta certa: «Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos. Vós sois meus amigos se fizerdes o que estou pedindo. Já não vos chamo de servos, pois o servo não sabe o que o seu patrão faz. Eu vos chamo de amigos porque vos comuniquei tudo o que recebi de meu Pai» (Jo 15,13-15).

quarta-feira, 9 de março de 2011

Pregação de Frei Raniero Cantalamessa à Bento XVI




O pregador da Casa Pontifícia, frei Raniero Cantalamessa, conduziu a primeira pregação da tradicional série quaresmal, na Capela Redemptoris Mater, no Vaticano. Participaram deste momento o Santo Padre e alguns colaboradores da Cúria Romana.

Para esta primeira pregação de uma série de três, o sacerdote capuchinho preparou uma meditação sobre a distinção entre “lei” e “espírito” e acerca do papel do sacerdote como dispensador dos mistérios de Deus.

Frei Cantalamessa ressaltou que a “vida nova” proposta pelo Cristianismo é graça que vem de Cristo.

“Toda religião humana ou filosofia religiosa começa dizendo ao homem o que ele deve fazer para se salvar... Mas o Cristianismo não começa por dizer ao homem o que ele deve fazer, mas aquilo que Deus fez por ele. Jesus não começou a pregar dizendo: ‘Convertei-vos e crede no Evangelho para que o Reino de Deus venha até vós’; mas começou dizendo: ‘O Reino de Deus está no meio de vós’ – sem que vós o tenhais merecido, gratuitamente! – ‘convertei-vos e crede no Evangelho’. Não antes a conversão e depois a salvação, mas primeiro a salvação, o dom e depois a conversão, o dever”, afirmou Frei Cantalamessa.

“É do dom que brota a salvação e não o contrário”, reforçou ainda o pregador da Casa Pontifícia. “A lei do Espírito não é em sentido estrito aquela promulgada por Jesus no Sermão da Montanha, mas aquela que Ele gravou em nossos corações em Pentecostes”, acrescentou.

“O amor é uma lei, ‘a lei do Espírito’, no sentido que cria no cristão um dinamismo que o impulsiona a fazer tudo aquilo que Deus quer, espontaneamente, porque fez própria a vontade de Deus e ama tudo aquilo que Deus ama. Impulsiona a fazer coisas por atração e não por obrigação: e esta é a grande conquista que o povo cristão deve fazer. O cristianismo é feito para ser vivido por atração, por paixão, não por constrição”, esclareceu.

Nesse âmbito, Frei Cantalamessa prosseguiu seu discurso indicando que o sacerdote tem a tarefa de “ajudar os irmãos a viver a novidade da graça”, a perceber que o cristianismo não é uma doutrina, mas uma Pessoa, descobrindo a beleza infinita de Cristo, as maravilhas do Espírito. Mas uma das dificuldades é que o homem de hoje crê que sua salvação dependa exclusivamente de si:

“Salvar-se ‘por graça’ significa reconhecer a dependência de alguém e isto parece ser a coisa mais difícil. É a explicação que São Bernardo dá sobre o pecado de Satanás: ele preferiu ser a mais infeliz das criaturas por mérito próprio, ao invés de ser a mais feliz por graça de outro; preferiu ser ‘infeliz, mas soberano, ao invés de ser feliz, mas dependente’... A rejeição ao Cristianismo, praticada em alguns níveis de nossa cultura ocidental, quando não é rejeição à Igreja e ao cristãos, é rejeição da graça”, concluiu.

Quaresma e Campanha da Fraternidade 2011



Tema: Fraternidade e a Vida no Planeta.
Lema "A Criação Geme em Dores de parto" (Rm 8,22).

APRESENTAÇÃO

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe a cada ano, através da Campanha da Fraternidade (CF), um itinerário evangelizador fortemente voltado para a conversão pessoal e comunitária, em preparação à Páscoa. Em 2011, a CF atinge um marco importante pela 47ª vez!

Os objetivos gerais da CF são sempre os mesmos e decorrem da missão evangelizadora que a Igreja recebeu de Jesus Cristo: em vista do mandamento do amor fraterno, despertar e nutrir o espírito comunitário no meio do povo e a verdadeira solidariedade na busca do bem comum; educar para a vida fraterna, a partir da justiça e do amor, que são exigências centrais do Evangelho; renovar a consciência sobre a responsabilidade de todos na ação evangelizadora da Igreja, na promoção humana e na edificação de uma sociedade justa e solidária.

Durante esses quarenta e sete anos, a CF passou por três fases distintas: no início, os temas eram mais relacionados com a renovação da Igreja (1964 e 1965) e a renovação pessoal do cristão (1966 a 1972). Na segunda fase (1973 a 1984), a preocupação era mais voltada para a realidade social mediante a denúncia do pecado social e a promoção da justiça (Gaudium ET Spes, Medellín e Puebla). Na terceira fase (de 1985 até o presente), a Igreja no Brasil propõe temas de reflexão e conversão relativos às várias situações sociais e existenciais do povo brasileiro, que requerem maior fraternidade.

Em 2011 estaremos falando sobre meio ambiente, a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas – causas e conseqüências. Tema: Fraternidade e a Vida no Planeta; Lema "A Criação Geme em Dores de parto", (Rm 8,22). Não há como não se dar conta que esta campanha esta ligada a Campanha de 2010, ora o fator econômico não esta relacionado à situação de nosso planeta hoje? Somos todos moradores de uma mesma casa, gostando disso ou não estamos interligados. Não há como simplesmente virar as costas e não se importar, afinal se ocorresse uma catástrofe a nível global para onde iríamos? Aquecimento global, mudanças geológicas nada mais é do que reações as nossas ações. A Campanha da Fraternidade de 2011, de maneira primorosa como sempre, vem justamente nos alertar desta verdade tudo o que fazemos pode prejudicar ou ajudar a salvar nosso planeta nos dá a oportunidade de como uma família sentarmos juntos e elaborarmos ações para salvar a nossa casa.

Em cada catástrofe seja ela terremotos, inundações, podemos sentir o planeta gemer, e a humanidade fazendo o mesmo, este gemido tem uma conotação de tristeza imensa. Ainda estamos em tempo hábil para reverter esta situação podemos transformar estes gemidos de dor em gemidos de amor e de esperança, sim podemos iniciar um período de gestação e após este período em que nos organizaremos com ações que ajudem a preservar o meio ambiente, receberemos de volta um planeta saudável, resgataremos o planeta que nos foi dado por Deus.

Esta campanha não é uma utopia e sim um alerta de que atitudes devem ser tomadas, não por uma minoria, mas por um todo, este planeta é nossa casa, precisamos ser fraternos, gerar ações que nos levem ao bem comum.

E para reforçar nossas expectativas aos Gestos Concretos que com certeza surgirão em nossas Paróquias, Sociedade através da conversão individual e coletiva nesta quaresma, sugerimos para nos estimular ao amor fraterno entre irmãos e irmãs comprometidos com o Meio Ambiente, louvarmos ao Senhor como São Francisco de Assis o fez por todas as criaturas que fazem parte da vida planetária.
Que a oração em que São Francisco louva a Deus pelas criaturas, nos inspire novas atitudes e nos ajude a ser transformados pelo Espírito de Deus de modo a resgatarmos atitudes de quem cultiva e cuida do seu jardim, esta obra maravilhosa, que hoje requer socorro dos autênticos filhos de Deus, e de todos aqueles que empreendem ações sinceras e despojadas em favor do planeta.

CÂNTICO DAS CRIATURAS SÃO FRANCISCO DE ASSIS!

Altíssimo, onipotente e bom Deus, teus são o louvor,
a glória, a honra e toda benção.

Só a Ti, Altíssimo, são devidos, e homem algum
é digno de Te mencionar.

Louvado sejas, meu Senhor, com todas as Tuas criaturas.

Especialmente o irmão Sol, que clareia o dia
e com sua luz nos ilumina.

Ele é belo e radiante, com grande esplendor de Ti,
Altíssimo é a imagem.

Louvado sejas meu Senhor, pela irmã Lua e as Estrelas,
que no céu formastes claras, preciosas e belas.

Louvado sejas meu Senhor, pelo irmão Vento,
pelo ar ou neblina, ou sereno e de todo tempo,
pelo qual às Tuas criaturas dais sustento.

Louvado sejas meu Senhor, pela irmã Água,
que é muito útil, humilde, preciosa e casta.

Louvado sejas meu Senhor, pelo irmão Fogo,
pelo qual iluminas a noite, e ele é belo e alegre, vigoroso e forte.

Louvado sejas meu Senhor, pela nossa irmã a mãe Terra,
que nos sustenta e nos governa, e produz frutos diversos,
e coloridas flores e ervas.

Louvado sejas meu Senhor, pelos que perdoam
por Teu amor e suportam enfermidades e tribulações.

Bem-aventurados os que sustentam a paz, que por Ti,
Altíssimo serão coroados.

Louvado sejas meu Senhor, pela nossa irmã a morte corporal,
da qual homem algum pode escapar.

Ai dos que morrem em pecado mortal!

Felizes os que ela achar conforme a Tua Santíssima vontade,
porque a segunda morte não lhes fará mal.

Louvai e bendizei ao meu Senhor, e daí-lhes graças
e servi-O com grande humildade.

Amém

Tempo de Penitência e conversão

Comentando:

Quaresma, tempo “forte” de oração, jejum e atenção aos necessitados, oferece a todo cristão a possibilidade de se preparar para a Páscoa fazendo um sério discernimento da própria vida, confrontando-se de maneira especial com a Palavra de Deus, que ilumina o itinerário cotidiano dos fiéis. Lembro que no ano de 2010, tive a oportunidade de viver a melhor Quaresma de minha vida, pois estava na Terceira Semana dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio, acompanhado pelo sacerdote jesuíta Paulo Pedreira. Creio que agora tudo é lucro.

A Campanha da Fraternidade de 2011, aborda o tema do aquecimento global e das mudanças climáticas. A considerar as intempéries climáticas que estão sistematicamente assolando as populações, de forma cada vez mais intensa e em quantidade sempre crescente, a temática é plenamente justificável.

Neste clima de Quaresma e Campanha da Fraternidade, mergulhamos no Evangelho de Mateus e atentos aos ensinamentos de Jesus, aprendemos Dele a humildade de como devemos praticar nossos atos de piedade pessoal: A esmola, o jejum e a oração. Atos estes que já eram praticados, conforme relatos do Antigo Testamento, pelo Povo escolhido. Para a prática destes “atos de Piedade”, devemos ter: reta intenção, intimidade com Deus e fuga da ostentação.

A oração pública em que participam todos os fiéis é santa e necessária; mas jamais poderá substituir esta orientação de Jesus; tu, no teu aposento, fechada a porta, ora a teu Pai.

O Concílio Vaticano II, diz que a Liturgia é “a meta para a qual se encaminha a acão da Igreja e a fonte donde promana toda sua força” (Sacrosanctum Concilium, 10.12). Mas, a participação na Sagrada Liturgia não esgota a vida espiritual. Somos chamados a rezar em comum, mas também devemos entrar no nosso quarto para rezar a sós ao Pai. Até São Paulo, diz que devemos orar sem cessar (1Tes 5,17). Jesus, também se retirava para orar, às vezes passava a noite inteira em colóquio com o Pai. Da mesma forma fizeram os seus primeiros discípulos. Até a música profana, nos dá esta orientação, conforme trecho da Canção “Se eu quiser falar com Deus”, de Gilberto Gil.

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz…

“O mundo só admira o sacrifício como espetáculo, porque ignora o valor do sacrifício escondido e silencioso”. (Josemaria Escrivá).

Façamos nesta Quaresma, um aprendizado sobre nossos atos e atitudes: Há reta intenção? Há intimidade com Deus? Há fuga da ostentação?

O Verdadeiro Jejum [Isaías 58, 5-11]


Será esse o jejum que escolhi, que apenas um dia o homem se humilhe, incline a cabeça como o junco e se deite sobre pano de saco e cinzas? É isso que vocês chamam jejum, um dia aceitável ao Senhor?
“O jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper todo jugo? Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado, vestir o nu que você encontrou, e não recusar ajuda ao próximo? Aí sim, a sua luz irromperá como a alvorada, e prontamente surgirá a sua cura; a sua retidão irá adiante de você, e a glória do Senhor estará na sua retaguarda. Aí sim, você clamará ao Senhor, e ele responderá; você gritará por socorro, e ele dirá: Aqui estou. “Se você eliminar do seu meio o jugo opressor, o dedo acusador e a falsidade do falar; se com renúncia própria você beneficiar os famintos e satisfizer o anseio dos aflitos, então a sua luz despontará nas trevas, e a sua noite será como o meio-dia. O Senhor o guiará constantemente; satisfará os seus desejos numa terra ressequida pelo sol e fortalecerá os seus ossos. Você será como um jardim bem regado, como uma fonte cujas águas nunca faltam.
(Isaías 58:5-11)

Boa Quaresma!!!


QUARTA FEIRA DE CINZAS - 09/03/2011
Distribuição das cinzas: Converter ao Evangelho (CD "CF 2011" - faixa: 2)
Abertura: Fala assim meu coração (CD "CF 2011" - faixa: 3)
Aclamação: Glória e louvor (CD "CF 2011" - faixa: 7)
Oferendas: Volta o teu olhar, Senhor (CD "CF 2011" - faixa: 8)
Comunhão: Reconciliai‐vos com Deus (CD "CF 2011" - faixa: 11)

PRIMEIRO DOMINGO - 13/03/2011
Abertura: Fala assim meu coração (CD "CF 2011" - faixa: 3)
Aclamação: Glória e louvor (CD "CF 2011" - faixa: 7)
Oferendas: Volta o teu olhar, Senhor (CD "CF 2011" - faixa: 8)
Comunhão: Nós vivemos de toda a palavra (CD "CF 2011" - faixa: 9)

SEGUNDO DOMINGO - 20/03/2011
Abertura: Fala assim meu coração (CD "CF 2011" - faixa: 3)
Aclamação: Glória e louvor (CD "CF 2011" - faixa: 7)
Oferendas: Volta o teu olhar, Senhor (CD "CF 2011" - faixa: 8)
Comunhão: Este é meu filho muito amado (CD "CF 2011" - faixa: 9)

TERCEIRO DOMINGO - 27/03/2011
Abertura: Lembra, Senhor o teu amor (CD "CF 2011" - faixa: 4)
Aclamação: Glória e louvor (CD "CF 2011" - faixa: 7)
Oferendas: Volta o teu olhar, Senhor (CD "CF 2011" - faixa: 8)
Comunhão: Se conhecesses o dom de Deus (CD "CF 2011" - faixa: 12)

QUARTO DOMINGO - 03/04/2011
Abertura: Lembra, Senhor o teu amor (CD "CF 2011" - faixa: 4)
Aclamação: Glória e louvor (CD "CF 2011" - faixa: 7)
Oferendas: Volta o teu olhar, Senhor (CD "CF 2011" - faixa: 8)
Comunhão: Dizei aos cativos: saí! (CD "CF 2011" - faixa: 13)

QUINTO DOMINGO - 10/04/2011
Abertura: Lembra, Senhor o teu amor (CD "CF 2011" - faixa: 4)
Aclamação: Glória e louvor (CD "CF 2011" - faixa: 7)
Oferendas: Volta o teu olhar, Senhor (CD "CF 2011" - faixa: 8)
Comunhão: Eu vim para que todos tenham vida (CD "CF 2011" - faixa: 14)

DOMINGO DE RAMOS - 17/04/2011
Abertura: Hosana ao Filho de Davi (CD "CF 2011" - faixa: 15)
Procissão: Os filhos dos hebreus (CD "Liturgia XIII"- faixa: 16)
Aclamação: Salve, ó Cristo obediente (CD "Liturgia XIII"- faixa: 17)
Oferendas: Volta o teu olhar, Senhor (CD "CF 2011" - faixa: 8)
Comunhão: Eu vim para que todos tenham vida (CD "CF 2011" - faixa: 14.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Poesia "Cristais", de Ir. Cristina, fma

Prestigiem a nova poesia de Ir. Cristina intitulada "Cristais" em seu espaço nesse blog, que você visualiza à direita.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Quando olho em teus olhos




Quando olho em teus olhos
Teu olhar encontra o meu
É difícil entender que também por mim
Na cruz foi que morreu.

Carinho, compaixão, misericórdia
Ao auge elevou, e mesmo assim...
Violência: bofetões e cusparadas
Por fim, morte, o sistema te ofertou

Teu projeto de vida, de liberdade
Por vezes ainda é esquecido
Olhando em teus olhos
Percebo ainda que tens sofrido

Tens sofrido no povo que ainda sofre
Na luta pelo pão, pelo trabalho
Por terra, educação, liberdade
Por um digno salário.

Fico irritado, por vezes desesperado
Em cada pessoa que sofre, eu vejo
Tu sendo de novo crucificado
E meus braços ainda cruzados

Olhando em teus olhos, nesta cruz
Te suplico nesta oração
Arranca-me, bom Jesus,
De minha acomodação.

Tornai-me por tua graça, imploro
profeta de verdade, na verdade
com humildade agora oro
não esquecer a caridade.

Olhando agora em teus olhos
Meu coração palpita ainda mais forte
A esperança agora me anima:
A vida venceu a morte!

Dilvano, OSFS

Contemplação sobre o fim do dia


Finda mais um dia, Senhor
Eu contemplo a noite
A noite que já à porta bate
Depois do dia precursor


Tento decifrar, entender
Que sentimento é este
Que a noite me traz
Espero que disso eu seja capaz

Angústia com alegria
Um tanto de solidão
Me recolho então
Em profunda nostalgia

Penso Ti, luz sem fim
Eterna chama viçosa
Te trago dentro em mim
Meu ânimo Tu renovas

Mas gosto de pensar na noite
É bom pensar nas trevas
Para lembrar da claridade que és Tu
Claridade, repito, eterna

Oh noite! Com todo seu mistério!
Que na morte me faz pensar
Misteriosa é a morte, sem critérios
Que um dia vai me arrebatar

Finda o dia e chega a noite
Vontade de chorar
Parece um vazio em meu peito
As lágrimas vou derramar

Escorrem as lágrimas, muitas
A dor também vai saindo
Há quanto tempo não choro
Me torno, de novo, um menino

Agora já sinto bater mais leve
Meu fraco coração
Prossigo contemplando em prece
Te elevo minha oração

Te entrego, Senhor, meu dia
Te oferto meu sono
Confiante agora e assim tranqüilo
Em Ti, somente, me abandono.

Dilvano, OSFS

Andando e amando


Andando e amando...
Pois o andar sem amor é andar sem rumo
Amar sem andar não é de fato amar:
O amor nos faz andar.

Pois, amar é partir primeiro
ao encontro dos necessitados,
na busca do perdão que cura,
na escuta atenta e amorosa
na resposta de uma dúvida.

Para quem ama é dado caminhar
Sem perder a precisão
Pois quem com o amor anda
nunca erra a direção.


Amar é antecipar o céu
É para o céu andar
É elevar a mais bela prece
É com gratidão louvar.

Andar e amar talvez sejam
As duas partes da cruz
Por nós com ela Cristo andou
E por seu amor nos trouxe a luz.

A luz venceu as trevas
Saudemos a ressurreição
Andemos em direção a ela
Amando sem distinção.

Nosso glória é elevado
Àquele que andou primeiro
Ao nosso encontro com amor
Se tornando companheiro.

Dilvano, OSFS.

Amor amar


Amor amar
 
 
Quanto tempo se leva
Pra entender o amor e o amar
Agora divago, a pensar num instante
Como posso entender o amor
Sem pensar em Quem dele é a fonte?
 
A partir d'Ele, Autor-Amor,
Passo a compreender então
E o compromisso se desdobra
O amor é caridade, e esta é
O amor expresso em obra.
 
Dai-me fonte divina
Constância no amor e na lida
Inspira nossos poetas e poetisas
E que na poesia do amor, Tua presença
Faça rima em minha vida.
 
(Dilvano, OSFS)






Lamento por morte do escritor Moacyr Scliar

Manifesto, nesse que é um de meus espaços, minha tristeza e lamento pela morte do doutor e escritor Moacyr Scliar. Perdemos um de nossos grandes médicos e escritores.
Aos familiares, amigos e demais fieis leitores e leitoras de Scliar a minha solidariedade e especiais preces. Deus , pela intercessão de nossa querida mãe Maria, os console e que Moacyr goze da vida definitiva junto de Deus, ele que tantas vidas salvou neste mundo terreno.


Vida e obras:


Moacyr Jaime Scliar nasceu em 23 de março de 1937, em Porto Alegre - seus pais, José e Sara Scliar, de origem russa, chegaram ao Brasil em 1904. Scliar formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sendo especialista em Saúde Pública e Doutor em Ciências pela Escola Nacional de Saúde Pública. Casou-se com Judith, com quem teve um filho, Roberto.

Autor de mais de 70 livros e eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL) em 2003, Scliar publicou sua primeira obra, Histórias de um Médico em Formação, em 1962. Recebeu diversos prêmios ao longo de sua carreira, sendo o último, o Jabuti, por Manual da Paixão Solitária, em 2009. Seus livros estão traduzidos em doze idiomas. Entre suas obras mais importantes estão O Ciclo das Águas, A Estranha Nação de Rafael Mendes, O Exército de um Homem Só e O Centauro no Jardim.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

NOTA DA CNBB SOBRE ÉTICA E PROGRAMAS DE TV

Têm chegado à CNBB diversos pedidos de uma manifestação a respeito do baixo nível moral que se verifica em alguns programas das emissoras de televisão, particularmente naqueles denominados Reality Shows, que têm o lucro como seu principal objetivo.
Nós, bispos do Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP), reunidos em Brasília, de 15 a 17 de fevereiro de 2011, compreendendo a gravidade do problema e em atenção a esses pedidos, acolhendo o clamor de pessoas, famílias e organizações, vimos nos manifestar a respeito.
Destacamos primeiramente o papel desempenhado pela TV em nosso País e os importantes serviços por ela prestados à Sociedade. Nesse sentido, muitos programas têm sido objeto de reconhecimento explícito por parte da Igreja com a concessão do Prêmio Clara de Assis para a Televisão, atribuído anualmente.
Lamentamos, entretanto, que esses serviços, prestados com apurada qualidade técnica e inegável valor cultural e moral, sejam ofuscados por alguns programas, entre os quais os chamados reality shows, que atentam contra a dignidade de pessoa humana, tanto de seus participantes, fascinados por um prêmio em dinheiro ou por fugaz celebridade, quanto do público receptor que é a família brasileira.
Cônscios de nossa missão e responsabilidade evangelizadoras, exortamos a todos no sentido de se buscar um esforço comum pela superação desse mal na sociedade, sempre no respeito à legítima liberdade de expressão, que não assegura a ninguém o direito de agressão impune aos valores morais que sustentam a Sociedade.
Dirigimo-nos, antes de tudo, às emissoras de televisão, sugerindo-lhes uma reflexão mais profunda sobre seu papel e seus limites, na vida social, tendo por parâmetro o sentido da concessão que lhes é dada pelo Estado.
Ao Ministério Público pedimos uma atenção mais acurada no acompanhamento e adequadas providências em relação à programação televisiva, identificando os evidentes malefícios que ela traz em desrespeito aos princípios basilares da Constituição Federal (Art. 1º, II e III).
Aos pais, mães e educadores, atentos a sua responsabilidade na formação moral dos filhos e alunos, sugerimos que busquem através do diálogo formar neles o senso crítico indispensável e capaz de protegê-los contra essa exploração abusiva e imoral.
Por fim, dirigimo-nos também aos anunciantes e agentes publicitários, alertando-os sobre o significado da associação de suas marcas a esse processo de degradação dos valores da sociedade.
Rogamos a Deus, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, luz e proteção a todos os profissionais e empresários da comunicação, para que, usando esses maravilhosos meios, possamos juntos construir uma sociedade mais justa e humana.



Brasília, 17 de fevereiro de 2011.



Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana



Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB
Presidente da CNBB



Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

CNBB e Ministério Público afirmam que "Big Brother Brasil" presta desserviço à sociedade

Na última quinta-feira (17) a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota condenando o "baixo nível moral" dos reality shows, considerando que tal categoria de programa é um mal na sociedade e deve ser superado. A nota pedia ao Ministério Público que tivesse "atenção mais acurada no acompanhamento e tomasse providências em relação à programação televisiva".

O MP apoiou a nota da CNBB e reforçou que o programa "Big Brother Brasil" da TV Globo "serve à deseducação, não estimula a criação, o principio da solidariedade e os valores éticos da pessoa e da família". Segundo o subprocurador-geral da República, Aurélio Rios, responsável interino pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), a classificação indicativa do programa é inadequada e deveria mudar de 14 para 18 anos.

A PFDC enviou à diretoria da Rede Globo uma recomendação para o cumprimento de direitos constitucionais, o envio foi feito em dezembro de 2010, após cerca de 400 denúncias sobre a 10º edição do programa, relacionadas à homofobia, apologia à violência, apelo sexual, horário inadequado e violação da dignidade humana. Segundo Rios a emissora tinha 30 dias para responder ao documento, mas até o momento não se manifestou. Em nota a TV Globo afirmou ao Portal Imprensa que "o ofício foi encaminhado dentro do prazo estipulado" e que a emissora "tem grande preocupação com o conteúdo que exibe, tanto que possui um documento de Princípios e Valores no Vídeo que serve de balizador para todas as suas equipes de criação e produção".

Em entrevista ao site Terra Magazine, o subprocurador lembra que é papel do MP acompanhar e fiscalizar os conteúdos de programas de televisão, principalmente se ferir direitos humanos, inclusive de crianças e adolescentes. "A emissora não respondeu e estamos reiterando o ofício, pedindo, inclusive, providências a respeito disso", reiterou Rios.

Questionado se o MP verificou mudanças no "BBB11" Rios responde que nada mudou. "Estamos confirmando uma dificuldade de entendimento em relação às emissoras, especialmente, as de canal aberto. Isso terá alguma conseqüência, pois temos um grupo específico que tem trabalhado com a questão da classificação indicativa". Para Rios não se trata de censura prévia, mas de cumprir a determinação legal de exibir o programa em um horário adequado. "São realmente programas de baixíssimo nível e sem nenhum conteúdo pedagógico", reforçou.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A resposta cristã ao cientificismo ateu

Primeira Pregação do Advento do Frei Raniero Cantalamessa ao Bento XVI no Advento de 2010



"QUANDO OLHO PARA O TEU CÉU, VEJO A LUA E AS ESTRELAS QUE CRIASTE: QUE COISA É O HOMEM?" (Sl 8, 4-5)


1. A tese do cientificismo ateu

As três meditações deste Advento 2010 querem ser uma pequena contribuição à necessidade da Igreja que levou o Santo Padre Bento XVI a instituir o Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização e escolher este tema para a próxima Assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos: Nova evangelizatio ad cristianam fidem tradendam - A nova evangelização para a transmissão da fé cristã.

A intenção é identificar alguns "nós" ou obstáculos que fazem muitos países de antiga tradição cristã "refratários" à mensagem do Evangelho, como diz o Santo Padre no Motu Proprio com o qual estabeleceu o novo Conselho [1]. Os "nós" ou os desafios que eu pretendo levar em consideração e aos quais eu gostaria de tentar dar uma resposta de fé são o cientificismo, o secularismo e o racionalismo. O apóstolo Paulo classifica esses desafios como "as muralhas e fortalezas que se levantam contra o conhecimento de Deus" (cf. 2 Cor 10:4).

Nesta primeira meditação examinemos o cientificismo. Para compreender o que se entende com este termo podemos começar pela descrição feita por João Paulo II:

"Outro perigo a ser considerado é o cientificismo. Esta concepção filosófica recusa-se a admitir, como válidas, formas de conhecimento distintas daquelas que são próprias das ciências positivas, relegando para o âmbito da pura imaginação tanto o conhecimento religioso e teológico, como o saber ético e estético." [2].

Podemos resumir assim a tese principal desta corrente de pensamento:

Primeira tese. A ciência e, particularmente a cosmologia, a física e a biologia, são a única forma objetiva e séria de conhecimento da realidade. "As sociedades modernas, escreveu Monod, estão construídas sobre a ciência. Devem a ela sua riqueza, sua potência e a certeza de que a riqueza e o poder ainda serão maiores e mais acessíveis amanhã ao homem, se ele o quiser [...]. Equipadas com todo o poder, dotadas de toda riqueza que a ciência oferece, nossas sociedades ainda tentam viver e ensinar sistemas de valores, já prejudicados pela mesma ciência subjacente" [3].

Segunda tese. Esta forma de conhecimento é incompatível com a fé que se baseia em pressupostos que não são nem demonstráveis nem refutáveis

Nesta linha, o ateu militante R. Dawkins chega ao ponto de chamar de "analfabetos" os cientistas que se dizem crentes, esquecendo-se de tantos cientistas mais famosos do que ele que já se declararam e continuam declarando-se crentes.

Terceira tese. A ciência já demonstrou a falsidade ou, pelo menos, a inutilidade da hipótese de Deus. É a afirmação que recebeu ampla cobertura dos meios de comunicação do mundo meses atrás, à raiz de uma declaração do astrofísico inglês Stephen Hawking. Este, ao contrário do que já havia escrito anteriormente, sustenta em seu último livro The Grand Design, que o conhecimento advindo da física torna desnecessário acreditar numa divindade criadora do universo: "a criação espontânea é a razão pela qual as coisas existem".

Quarta tese. Quase a totalidade ou a grande maioria dos cientistas são ateus. Esta é a afirmação do ateísmo científico militante, que tem em Richard Dawkins, autor do livro God's Delusion (Deus, um delírio), seu mais ativo propagador.

Todos estes argumentos se revelam falsos, não do ponto de vista do raciocínio a priori ou da argumentação teológica e da fé, mas da própria análise dos resultados da ciência e das opiniões de vários cientistas ilustres do passado e do presente. Um cientista do calibre de Max Planck, o pai da física quântica, diz sobre a ciência aquilo que Agostinho, Tomás de Aquino, Pascal, Kierkegaard e outros já tinham afirmado sobre a razão: "A ciência leva a um ponto, além dele não pode mais dirigir" [4].

Não repetirei a refutação dos argumentos anunciados que já foi feita por cientistas e filósofos competentes. Cito, por exemplo, a crítica pontual de Roberto Timossi, no livro L'illusione dell'ateismo. Perché la scienza non nega Dio (A ilusão do ateísmo. Porque a ciência não nega Deus), que tem apresentação do cardeal Angelo Bagnasco (Edições São Paulo 2009). Limito-me a uma observação elementar. Na semana em que a mídia espalhou a declaração acima, de que a ciência tornou desnecessária a hipótese de um criador, eu me vi na necessidade, na homilia de domingo, de explicar a cristãos muito simples de uma cidade de Reatino onde estava o erro fundamental de cientistas e ateus e porque não deveriam ficar impressionados com a sensação despertada por essa declaração. Fiz isso com um exemplo que pode ser útil repetir aqui em um contexto tão diferente.

"Existem aves noturnas, como a coruja, cujos olhos são feitos para ver no escuro da noite, não de dia. A luz do sol cega. Estes pássaros sabem tudo e se movem com agilidade no mundo noturno, mas não são ninguém no mundo diurno. Vamos adotar, por um momento, o tipo de fábulas nas quais os animais falam uns com os outros. Suponha que uma águia faça amizade com uma família de corujas e converse com elas sobre o sol: como ele ilumina tudo, como, sem ele, tudo iria mergulhar no escuro e no frio, como seu próprio mundo noturno não existiria sem o sol. O que diria a coruja? "Você mente! Nunca vi o seu sol. Nos movemos muito bem e conseguimos alimento sem ele. Seu sol é uma hipótese inútil, não existe".

É exatamente isso que faz o cientista ateu quando diz: "Deus não existe". Julga um mundo que não conhece, aplica suas leis a um objeto que está fora do seu alcance. Para ver Deus é necessário olhar com uma perspectiva diferente, aventurar-se fora da noite. Neste sentido, ainda é válida a antiga afirmação do salmista: "Diz o insensato: Deus não existe".

2. Não ao cientificismo, sim à ciência

A rejeição do cientificismo não deve, naturalmente, levar à rejeição ou à desconfiança na ciência, assim como uma rejeição do racionalismo não nos leva a rejeitar a razão. Fazer o contrário seria um desserviço à fé, antes mesmo que à ciência. A história tem nos ensinado dolorosamente onde nos leva uma atitude como essa.

De uma atitude aberta e construtiva à ciência, nos deu um exemplo luminoso o novo beato John Henry Newman. Nove anos depois da publicação da obra de Darwin sobre a evolução das espécies, quando não poucas pessoas ao redor se mostravam turbadas e perplexas, ele assegurava, exprimindo um juízo que antecipava o juízo atual da Igreja sobre a não incompatibilidade da teoria com a fé católica. Vale a pena escutar novamente trechos centrais da sua carta ao canônico J. Walker, que ainda conservam grande parte de sua validade:

"Essa [a teoria de Darwin] não me assusta [...] Não me parece que se negue a criação pelo fato do Criador, milhões de anos atrás, ter imposto leis à matéria. Não negamos nem delimitamos o Criador por ter criado a ação autônoma que deu origem ao intelecto humano dotado quase de um talento criativo; menos ainda negamos ou delimitamos seu poder se acreditamos que Ele tenha assinado leis à matéria tais como plasmar e construir mediante a instrumentalidade cega através de eras inumeráveis o mundo como o vemos hoje [...]. A teoria do senhor Darwin não deve ser necessariamente ateia, que ela seja verdadeira ou não; pode simplesmente estar surgindo uma ideia mais alargada da Divina Presciência e Capacidade... À primeira vista, não vejo como a ‘evolução casual de seres orgânicos' seja incoerente com o plano divino - É casual para nós, não para Deus" [5].

Sua grande fé permitia que Newman visse com grande serenidade as descobertas científicas presentes ou futuras. "Quando uma enxurrada de fatos, reais ou presumidos, surge enquanto outros já se avizinham, todos os crentes, católicos ou não, se sentem chamados a examinar o significado destes fatos" [6]. Ele via nestas descobertas "uma conexão indireta com as opiniões religiosas". Um exemplo desta conexão, acredito eu, é o próprio fato de que, no mesmo ano em que Darwin elaborava a teoria da evolução das espécies, ele, independentemente, anunciava sua doutrina do "desenvolvimento da doutrina cristã". Referindo-se à analogia, neste ponto, entre a ordem natural e física e a moral, ele escreveu: "Como o Criador descansou no sétimo dia após o trabalho realizado e ainda hoje ele ‘continua agindo', assim ele comunicou de uma vez por todas o Credo no princípio e continua favorecendo seu desenvolvimento e garantindo seu crescimento" [7].

Da atitude nova e positiva da Igreja católica em relação à ciência é expressão concreta a Academia Pontifícia das Ciências, na qual cientistas eminentes de todo o mundo, crentes e não crentes, encontram-se para expor e debater suas ideias sobre problemas de interesse comum para a ciência e para a fé.

3. O homem para o universo ou o universo para o homem?

Mas, repito, não é minha intenção fazer aqui uma crítica geral do cientificismo. O que gostaria de destacar é um aspecto particular de algo que tem um impacto direto e decisivo sobre a evangelização: trata-se da posição que o homem ocupa na visão do cientificismo ateu.

Há agora uma corrida entre os cientistas não crentes, especialmente os biólogos e cosmólogos, que vai mais longe ao afirmar a total marginalização e insignificância do homem no universo e mesmo no grande mar da vida. "A antiga aliança é quebrada - Monod escreveu -; o homem finalmente se sabe sozinho na imensidão do Universo do qual emergiu por acaso. Seu dever, como seu destino, não está escrito em nenhum lugar" [8]. "Sempre pensei - afirma outro - ser insignificante. Conhecendo as dimensões do Universo não chego a compreender quanto o sou verdadeiramente... Somos somente um pouco de lama sobre um planeta que pertence ao sol" [9].

Blaise Pascal refutou de antemão esta tese com um argumento que ainda mantém seu vigor:

"O homem é apenas um caniço, o mais fraco da natureza; mas é um caniço pensante. Não é preciso que o universo inteiro se arme para o aniquilar: um vapor, uma gota de água, bastam para o matar. Mas quando o universo o aniquilasse, o homem seria ainda mais nobre do que o que o mata, porque sabe que morre, e a superioridade que o universo tem sobre ele; o universo não sabe nada disso." [10].

A visão cientificista da realidade, junto com o homem, retira subitamente do centro do universo inclusive Cristo. Ele é reduzido, por usar uma expressão de M. Blondel, a "um acidente histórico, isolado do cosmo como um episódio postiço, um intruso ou um perdido na imensidão hostil e esmagadora do Universo" [11].

Esta visão do homem começa a ter reflexos práticos na cultura e na mentalidade. Explicam-se assim certos excessos do ecologismo que tendem a equiparar os direitos dos animais e até das plantas aos direitos do homem. É sabido que existem animais mais bem cuidados e alimentados que milhões de crianças. A influência é sentida inclusive no campo religioso. Há formas difusas de religiosidade nas quais o contato e a sintonia com a energia do cosmo tomaram o lugar do contato com Deus como caminho de salvação. Aquilo que Paulo dizia de Deus: "Pois nele vivemos, nos movemos e existimos" (At. 17, 28), diz aqui do cosmo material.

De certa forma, trata-se do retorno à era pré-cristã como regime de vida: Deus - universo - homem, à qual a Bíblia e o Cristianismo opuseram o regime: Deus - homem - universo. Uma das acusações mais violentas que o pagão Celso faz aos judeus e cristãos é a de dizer que "há Deus e, logo depois dele, nós, desde que fomos criados por ele à sua semelhança; tudo nos é subordinado: a terra, a água, o ar, as estrelas, tudo existe por nós e está ordenado ao nosso serviço" [12].

Mas há ainda uma profunda diferença: no pensamento antigo, principalmente o grego, o homem, mesmo subordinado ao universo, possui uma ‘dignidade altíssima', como mostrou a obra magistral de Max Pohlenz, "O homem grego" [13]; aqui parece que há prazer em deprimir o homem e tirar dele qualquer pretensão de superioridade sobre o resto da natureza. Mais que "humanismo ateu", pelo menos a partir deste ponto de vista, deveríamos falar, no meu modo de ver, de anti-humanismo, ou mesmo "desumanismo ateu".

Chegamos agora à visão cristã. Celso não estava errado em derivá-la da grande afirmação do Gênesis 1, 26 sobre o homem criado "à imagem e semelhança de Deus [14]. A visão bíblica encontra sua mais esplêndida expressão no Salmo 8:

"Quando olho para o teu céu, obra de tuas mãos,

vejo a lua e as estrelas que criaste:

Que coisa é o homem, para dele te lembrares,

que é o ser humano, para o visitares?

No entanto o fizeste só um pouco menor que um deus,

de glória e de honra o coroaste.

Tu o colocaste à frente das obras de tuas mãos.

Tudo puseste sob os seus pés".

A criação do homem à imagem de Deus possui implicações de certa forma chocantes sobre o conceito de homem que o debate atual nos empurra a trazer à luz. Tudo se baseia na revelação da Trindade trazida por Cristo. O homem é criado à imagem de Deus, o que significa que ele compartilha a essência íntima de Deus que é a relação amorosa entre Pai, Filho e Espírito Santo. É claro que existe uma lacuna ontológica entre Deus e a criatura. No entanto, pela graça, (jamais esqueçam esta afirmação!) esta lacuna é preenchida, de modo que é menos profunda do que entre o homem e o resto da criação.

Somente o homem, de fato, como uma pessoa capaz de relacionar-se, participa da dimensão pessoal e relacional de Deus, é sua imagem. O que significa que, na sua essência, embora a um nível de criatura, é o que, no nível incriado, são o Pai, o Filho e o Espírito Santo, em sua essência. A pessoa criada é "pessoa" propriamente por esse núcleo racional que a torna capaz de acolher o relacionamento que Deus quer estabelecer com ela e, ao mesmo tempo, torna-se um gerador de relações para os outros e o mundo.

4. A força da verdade

Vejamos como se poderia traduzir esta visão cristão da relação homem-universo no campo da evangelização. Primeiro, um prefácio. Resumindo o pensamento do mestre, um discípulo de Dionísio Areopagita enunciou esta grande verdade: "Não se deve refutar a opinião dos outros, nem se deve escrever contra uma opinião ou religião que não parece boa. Se deve escrever só a favor da verdade e não contra os outros" [15].

Não se pode absolutizar este princípio (às vezes pode ser útil e necessário refutar doutrinas falsas), mas é certo que a exposição positiva da verdade é, muitas vezes, mais eficaz que a refutação do erro contrário. É importante, creio, tomar em conta este critério na evangelização e especialmente no confronto com os três obstáculos mencionados anteriormente: cientificismo, secularismo e racionalismo. Na evangelização, é mais eficaz que a polêmica contra eles, a exposição pacífica da visão cristã, contando com a força inerente desta quando acompanhada de profunda convicção e feita, como incutia São Pedro, "com doçura e respeito" (1 Pe 3, 16).

A maior expressão da dignidade e da vocação do homem, segundo a visão cristã, foi cristalizada na doutrina da deificação do homem. Esta doutrina não teve tanta importância na Igreja Ortodoxa quanto na latina. Os Padres gregos, superando todos custos que o uso de pagão tinha acumulado sobre o conceito de deificação (theosis), fizeram dele o centro de sua espiritualidade. A teologia latina tem insistido menos sobre ela. "O propósito da vida para os cristãos gregos - lê-se no Dictionnaire des Spiritualitè - é a divinização, o que para os cristãos do Ocidente é a aquisição da santidade... O Verbo se fez carne, de acordo com os gregos, para devolver ao homem semelhança de Deus perdida em Adão e para divinizá-lo. Para os latinos, ele se fez homem para redimir a humanidade... e para pagar a dívida com a justiça de Deus" [16]. Poderíamos dizer, simplificando ao máximo, que a teologia latina, depois de Agostinho, insiste sobre o que Cristo veio tirar - o pecado -, e a grega insiste mais sobre o que ele veio dar aos homens: a imagem de Deus, o Espírito Santo e a vida divina.

Não se deve forçar demais esta oposição, como às vezes tendem a fazer alguns autores ortodoxos. A espiritualidade latina, por vezes, expressa o mesmo ideal ainda que evite o termo divinização, que, é bom lembrar, é estranho à linguagem bíblica. Na liturgia das horas da noite de Natal, vamos ouvir a vibrante exortação de São Leão Magno, que expressa a mesma visão da vocação cristã: "Reconhece, ó cristão, a tua dignidade. Uma vez constituído participante da natureza divina, não penses em voltar às antigas misérias da tua vida passada. Lembra-te de que cabeça e de que corpo és membro" [17].

Infelizmente, alguns autores ortodoxos mantiveram-se firmes à controvérsia do século XIV, entre Gregório Palamas e Barlaam, e parecem ignorar a rica tradição mística latina. A doutrina de São João da Cruz, por exemplo, de que os cristãos, redimidos por Cristo e tornados filhos no Filho, estão imersos no fluxo das operações trinitárias e participam da vida íntima de Deus não é menos elevada que a da divinização, ainda que se expresse em termos diferentes. Também a doutrina sobre os dons da inteligência e da sabedoria do Espírito Santo, tão cara a São Boaventura e autores medievais, estava animada pelo mesma inspiração mística.

Não pode, contudo, deixar de reconhecer que a espiritualidade ortodoxa tem algo a ensinar sobre este ponto ao resto da cristandade, à teologia protestante ainda mais do que à teologia católica. Se existe realmente alguma coisa verdadeiramente oposta à visão ortodoxa do cristão deficado pela graça é a concepção protestante, particularmente a luterana, da justificação extrínseca e legal de que o homem redimido é, "ao mesmo tempo, justo e pecador", pecador em si mesmo, justo diante de Deus.

Acima de tudo, podemos aprender com a tradição oriental a não reservar esse ideal sublime da vida cristã a uma elite espiritual chamada a percorrer os caminhos da mística, mas oferecê-lo a todos os batizados, torná-lo objeto de catequese para o povo, de formação religiosa nos seminários e noviciados. Se volto a pensar nos meus anos de formação, me lembro de ter visto uma ênfase quase exclusiva na ascese que centrava tudo na correção de vícios e na aquisição da virtude. Quando perguntado pelos discípulos sobre o objetivo final da vida cristã, um santo russo, São Serafim de Sarov, respondeu sem hesitação: "A verdadeira finalidade da vida cristã é a aquisição do Espírito Santo de Deus. Quanto à oração, o jejum, vigílias, esmolas e outras boas obras feitas em nome de Cristo, são apenas meios para adquirir o Espírito Santo" [18].

5. "Tudo foi feito por meio dele"

O Natal é a ocasião ideal para voltar a propor a nós mesmos e aos demais este ideal, patrimônio comum da cristandade. É da encarnação do Verbo que os Padres gregos derivam a própria possibilidade da divinização. São Atanásio não se cansa de repetir: "O Verbo se fez homem para que pudéssemos nos tornar Deus" [19]. "Ele se encarnou e o homem tornou-se Deus, porque se uniu a Deus", escreve por sua vez São Gregório Nazianzeno [20]. Com Cristo, é restaurado ou trazido à luz aquele ser "à imagem de Deus" que é a base da superioridade do homem sobre o restante da criação.

Dizia antes como a marginalização do homem traz consigo automaticamente a marginalização de Cristo do universo e da história. Ainda sobre este ponto de vista o Natal é a antítese mais radical da visão cientificista. Sobre isso, escutaremos proclamar solenemente: "Tudo foi feito por meio dele, e sem ele nada foi feito de tudo o que existe" (Jo. 1,3); "pois é nele que foram criadas todas as coisas, tudo foi criado através dele e para ele" (Col 1,16). A Igreja assumiu essa revelação e nos faz repetir no Credo: "Per quem omnia facta sunt": Por meio dele tudo foi criado.

Ouvindo estas palavras - enquanto todos à nossa volta que não fazem mais que repetir "O mundo se explica sozinho, sem necessidade da hipótese de um criador", ou "somos frutos do acaso e da necessidade" - se dá, sem dúvida, um choque, mas é mais fácil que se produza um conversão e floresça a fé depois de um choque como esse que com uma longa argumentação apologética. A questão crucial é: seremos capazes, nós que aspiramos reevangelizar o mundo, de expandir nossa fé a essa dimensão? Nós realmente acreditamos, de todo o coração, que "todas as coisas foram feitas por meio de Cristo e em vista de Cristo"?

Em seu livro Introdução ao Cristianismo, há muitos anos, Santo Padre, escreveu:

"A segunda parte principal do Credo coloca-nos propriamente diante do elemento cristão fundamental: a crença de que o homem Jesus, um indivíduo executado na Palestina pelo ano 30, é o ‘Cristo' (ungido, escolhido) de Deus, e mais: é o próprio Filho de Deus, centro e opção de toda a história humana... Contudo, o primeiro impacto desta realidade causa escândalo ao pensamento humano: Não nos tornamos com isto vítimas de um tremendo positivismo? Será razoável agarrar-nos à palhinha de um único acontecimento histórico? Poderemos ousar fundamentar a nossa existência inteira, e até a história toda, sobre o que não passa de pobre palha de um acontecimento qualquer a boiar no grande oceano da história?" [21].

Para estas questões, Santo Padre, nós vamos responder sem hesitar, como faz o senhor nesse livro e como não se cansa de repetir hoje, na sua qualidade de Sumo Pontífice: Sim, é possível, é libertador e alegre. Não por nossas forças, mas pelo dom inestimável da fé recebemos e pela qual damos graças infinitas a Deus.


* * *

[1] Bento XVI, Motu Proprio "Ubicunque et semper".

[2] João Paulo II, Parole sull'uomo, Rizzoli, Milano 2002, p. 443; cf. anche Enc. "Fides et ratio", n. 88.

[3] J. Monod, Il caso e la necessità, Mondadori, Milano, 1970, pag. 136-7. [Ed. original francesa: Jacques Monod, Le Hazard et la necessité. Essai sur la philosophie naturelle de la biologie moderne. Seuil, Paris 1970; English trans. Chance and Necessity. An Essay on the Natural Philosophy of Modern Biology, Vintage 1971].

[4] M. Planck, O conhecimento do mundo físico, (cit. por Timossi, op.cit. p. 160).

[5] J.H. Newman, in The Letters and Diaries, vol. XXIV, Oxford 1973, pp. 77 s.

[6] J.H. Newman, Apologia pro vita sua, Brescia 1982, p.277.

[7] J.H. Newman, Lo sviluppo della dottrina cristiana, Bologna 1967.

[8] Monod, op. cit. p. 136.

[9] P. Atkins, citado por Timossi, op. cit. p. 482.

[10] B. Pascal, Pensamentos.

[11] M. Blondel et A. Valensin, Correspondance, Aubier, Paris, 1957, p. 47.

[12] In Origene, Contra Celsum, IV, 23 (SCh 136, p.238; cf. IV, 74 (ib. p. 366).

[13] Cf. M. Pohlenz, O homem grego, Firenze 1962.

[14] In Origene, op. cit., IV, 30 (SCh 136, p. 254).

[15] Scolii a Dionísio Areopagita in PG 4, 536; cf. Dionísio Areopagita, Lettera VI (PG, 3, 1077).

[16] G. Bardy, in Dct. Spir., III, col. 1389 s.

[17] São Leão Magno, Sermo 21, 3: CCL 138, 88 (PL 54, 192-193).

[18] Diálogo com Motovilov, em Irina Gorainoff, Serafino di Sarov, Gribaudi, Turin 1981. p. 156.

[19] S. Atanasio, J. Quasten, Patrologia, II, 22-83; Obras: PG 25-28.

[20] S. Gregorio Nazianzeno, Discursos teológicos, III, 19 (PG 36, 100A).

[21] J. Ratzinger, Introdução ao Cristianismo, Herder, São Paulo, 1970. Versão brasileira do Pe. José Wisniewski Filho, S.V.D., do original alemão Einführung in das Christentum

Diálogo (Dom Hélder Câmara)

"Meus queridos amigos, há temas aos quais é preciso voltar sempre.

Um deles é a dificuldade e a necessidade importantíssima de AUTÊNTICO DIÁLOGO.

Recordemos uma verdade verdadeiríssima:

Se discordas de mim, tu me enriqueces.
Se és sincero e buscas a verdade e tentas encontrá-la como podes, ganharás tendo a honestidade e a modéstia de completar teu pensamento com o pensamento, mesmo de pessoas, que te pareçam muito menos inteligentes e cultas do que tu.

Um dos argumentos mais sérios que nos leva a escutar quem nos fala e, até a ouvir, quem discorda de nós, é saber que Deus fez a inteligência humana incapaz de abraçar o erro total.

Se um sistema filosófico ou econômico, social, um sistema qualquer, for erro de cima a baixo e de lado a lado não há nem perigo de que a inteligência do homem parta para o erro total.

Se a inteligência avança, podes ter certeza de que, no meio dos erros, há verdades prisioneiras.

Ora, quem sabe, quem discorda de mim pode ter descoberto sementes de verdade que me escaparam.

Quem pode pretender ser dono da verdade e ter o monopólio do Espírito Santo.

Feliz de quem se acostuma a ouvir com ouvidos de ouvir porque também é um perigo não ter idéias firmes, ser um cabeça de vento que gira pra onde o vento sopra.

Ótimo é ter idéias, ter princípios, ter opções, prioridades. Mas, permanecer de verdade e não só de faz de conta aberto a ouvir e a aceitar tudo o que é válido.

Atenção, amigos, nós todos precisamos de matricular-nos na escola do diálogo e começar aprendendo de verdade a ouvir.

E fiquemos alertas para a tentação de achar formidáveis, geniais, os que falam de acordo com o que nós pensamos.

E de queimar como quadrados, caretas, os que têm a ousadia de discordar de nós. Adotemos como um de nossos lemas, queridos, se discordas de mim, tu me enriqueces."